sábado, 17 de agosto de 2013

OS CAMINHOS DA TRANSFIGURAÇÃO


Texto de Rubens Mário
PROFESSOR E ADMINISTRADOR DE EMPRESAS

N
ós, os jovens de ontem, ainda ficamos perplexos com a mudança radical à que o mundo foi submetido, provocada pela, abrupta, transmutação das pessoas, basicamente, as mais jovens. Tudo se transfigurou! E, olhem!  Que não estamos falando de simples mudanças, pois, elas seriam, absolutamente, naturais! Estamos nos reportando à degeneração social! Acredito que essa nossa perplexidade é acentuada, devido ao pouco tempo do debacle - creio que, no máximo, 20 anos - quando ainda tínhamos simples direitos inalienáveis. Por exemplo, podíamos sentar à porta após o jantar, tínhamos família, uma excelente escola pública, frequentávamos as praças, andávamos despreocupados pelas ruas a qualquer hora, no São João ouvíamos músicas nordestinas, no carnaval, frevos e marchinhas, no Natal, músicas alusivas à época, e,  fora dessas três festas, escutávamos música de verdade, sem falar em outros inúmeros privilégios. De repente, perdemos tudo! E, aí, fico a me indagar! Por que, coisas, aparentemente, tão triviais, nos foram arrebatadas de forma tão abrupta e violenta? “Da noite para o dia” perdemos a nossa família, a nossa identidade, a nossa paz e a nossa cultura. Quantas saudades do tempo em que nós dizíamos: “ah! Isso é coisa da cidade grande”! Com o advento da globalização, e a destruição da educação, fomos expulsos do nosso mundo e obrigados, sem qualquer preparo prévio, a invadir outro mundo totalmente estranho e repleto de contradições. Senão, vejamos: Assalto era uma inofensiva festinha de amigos! Racha era apenas um jogo de futebol amador! Um casal era formado por um macho e uma fêmea! Cachorra era uma cadela irracional! Bandido era o “inimigo” do “artista” nos filmes, no cinema! Fruta não era uma mulher “bombada”! Craque era o jogador mais talentoso! Rede social significava um grupo de pessoas que se reunia pessoalmente! Bomba era um artefato junino! Negro não era afro descendente! Homossexual masculino era viado! Homossexual feminino era sapatão, Garota de Programa era rapariga! Mas, agora, infelizmente, com a tal da globalização, temos até receio de usar algumas expressões, outrora, tão corriqueiras e inofensivas, sob pena de estarmos cometendo crimes contra a dignidade humana.   
Francamente, não consigo enxergar algum benefício, comparando-o com os pesados custos advindos dessa involuntária transição. As desgraças que antes só existiam na cidade grande, hoje, nós as cometemos aqui também! Afinal, as poderosas redes de televisão e redes sociais, estão ai, ditando os nossos destinos e destruindo os nossos costumes: “-Corta pra dezoito!", “-Perdeu! Perdeu!”, “-É nóis!”, “-fanpeige”, “-feicebuqui”, “-dijei”, “-fanqui”, e etc. são as expressões mais ouvidas hoje, e, algumas não possuem qualquer sentido racional. Aos poucos, e, celeremente, vamos perdendo as nossas expressões, a nossa fala, a nossa língua, os nossos valores, enfim, toda nossa riqueza cultural e humana. Reconhecemos que a influencia e a força desses gigantes midiáticos, é muito grande, mas, oxente, por que não reagimos?! Por que, os setores mais importantes da sociedade não se manifestam? Ouso até, acreditar que ainda não nos apercebemos do imenso perigo dessa invasão descontrolada. Se pararmos para meditar, veremos que a coisa chega ser até, tragicômica! Como entender uma pessoa que não sabe ler, escrever, ou falar a sua língua, pronunciar, até com certa fluência, tantos termos em inglês? Já é redundante falar que tudo isso é falta de educação.  Se a tivéssemos, todos esses males seriam minimizados, pois, não estaríamos tão vulneráveis.
A nossa esperança é que os perversos políticos, que patrocinam a ignorância do povo, consigam entender que a ignorância junta com as coisas ruins da globalização, forma a violência, e, essa, também, já está os ameaçando. Um exemplo do que nós estamos falando é a atabalhoada manifestação contra os governos do Rio de Janeiro. 
Periodicamente, principalmente, quando se aproximam os pleitos eleitorais, eles recomeçam as “ameaças” de injetarem recursos monetários na educação pública. Na verdade, tudo não passa de eternas balelas, afinal, recursos nunca faltaram. Vide os infinitos processos de desvio de dinheiro do setor, inclusive, pasmem, da merenda escolar!

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