segunda-feira, 6 de abril de 2015

O MÉDICO PORTUGUÊS

Adaptação de Aloisio Guimarães

Depois de muito sacrifício, o jovem Manuel Costa, um português morador no Olhão, cidade da região turística do Algarve, conseguiu se formar em medicina.
Sabedor que o governo brasileiro havia implantado o programa “Mais Médicos”, Dr. Manuel, resolveu “matar dois coelhos com uma cajadada só”: conhecer o Brasil, sonho que tinha desde “miúdo” (“criança”, lá em Portugal) e exercer a medicina. Assim, com a ajuda dos pais, comprou uma passagem aérea e veio para o nosso país.
Ao chegar ao Brasil, Dr. Manuel foi contratado, com salário integral, diferente dos médicos cubanos, que recebem muito pouco, apesar de terem o mesmo salário, já que a maior parte do dinheiro vai para a “revolução”...
Com tudo regularizado, o jovem médico foi escalado para clinicar no povoado “Santo Antônio” (antigo “Gavião”) situado entre as cidades de Palmeira dos Índios e Igaci.
Depois de ser recepcionado com pompas, Dr. Manuel foi conhecer o Posto de Saúde, onde deveria atende a população carente do local, e logo deixou tudo arrumado para começar a trabalhar.
No dia seguinte, ao chegar para o seu primeiro dia de trabalho, ele se deparou com uma enorme fila de doentes, prontos para serem atendidos. Depois de colocar seu jaleco, Dr. Manuel colocou o estetoscópio no pescoço (todos os médico fazem isto), sentou atrás da mesa e pediu à atendente para mandar entrar a sua primeira paciente... Entrou um jovem, trazendo nos braços o seu filhinho de três anos, “queimando” de febre. Assim que a mulher sentou à sua frente, Dr. Manuel perguntou:
- Rapariga, quem está doente, você ou este puto?
- Rapariga uma porra! Além disso, fique o “sinhô” sabendo “qui” meu “fio” não é “ninhum” puto!
Dr. Manuel ficou surpreso com a reação da mulher e, como tinha gente na fila esperando para ser atendido, ele apontou na direção onde estava Zé "Tripé", um afrodescendente de dois metros de altura por um metro e meio de largura, e disse à mulher:
- Ora, pois, pois! Por favor, vá comer um "cacetinho" e depois fique atrás dessa "bicha", pois primeiro vou estar a lhe aplicar uma “pica no cu”...
Foi a gota d’água que faltava! Daí pra frente, o Dr. Manuel ficou impossibilitado de falar, ficou com amnésia e voltou para sua terra natal.
OBSERVAÇÃO: Em Portugal: "rapariga" é “moça”; "puto" é “menino”; "cacetinho" é "pão"; "bicha" é “fila” e "pica no cu" é “injeção na bunda”. 

3 comentários:

  1. Texto com bastante sentido de humor e com uma história que pouco desprestigia os do outro lado do Atlântico... Pois bem, como português que sou, só me resta dizer ao "postador" desta escrita, o "caro" amigo Aloísio Guimarães, que em Portugal "rapariga" é rapariga e, também, é miúda, moça e garota... "Menino", também aqui é menino, miúdo, garoto, puto e até meia-leca... "Pão" é pão, além de cacete, cacetinho, papo-seco e, até, bucha... "Bicha" (sem sentido amaricado) é também uma fila, um momento de espera... Quanto ao "pica no cú", de certeza que não é termo usado por estes lados, mas sim injeção na "peida", em vez de "bunda" termo usual no Brasil.

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    1. Caro João,
      Tenho amigos portugueses, que moram no Olhão (Algarve), que dizem que sou "o mais português dos brasileiros", tendo em vista a minha paixão pela a nossa pátria-mãe. Portanto, longe de mim praticar qualquer ofensa contra os nossos patrícios.
      Por sinal, esta semana estarei realizando o meu sonho de conhecer Portugal, de cabo a rabo, isto é, de norte a sul (Porto, Braga, Guimarães, Coimbra, Figueira da Foz, Fátima, Évora, Lisboa, Sintra, Setúbal, Faro, Olhão...). Lamentavelmente, a única coisa que não vou conseguir é assistir ao jogo Benfica x Acadêmica, dia 11, no Estádio da Luz, porque chegarei em Lisboa neste dia e acho que não vai dar tempo comprar o bilhete.
      Abraço e grato pela leitura do humilde blog.

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    2. Prezado amigo Aloísio Guimarães,
      Agradeço o comentário ao meu comentário do texto do seu blogue. Sei que não me conhece tal como eu não o conheço pessoalmente, mas dir-lhe-ei que me tenho servido de algumas das suas "postagens", que coloco na minha página do Facebook, por as considerar de bastante interesse.
      Quanto à amizade que o liga aos portugueses e a Portugal, fico muito satisfeito e sensibilizado. Sei que vai gostar de estar por aqui e que, decerto, vai apreciar a boa cozinha portuguesa. Aproveito para lhe dizer que sou formatador de PowerPoint, a maioria dos quais divulgando monumentos e aspetos da vida lusa. Se estiver interessado em os receber, envie-me um e-mail para o meu endereço eletrónico: jbazul40@hotmail.com
      Um abraço do João Vieira (Lisboa)

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