domingo, 10 de maio de 2015

MÃE MÁ

Texto de Dr. Carlos Hecktheuer

Um dia quando meus filhos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e mães, eu hei de dizer-lhes:
- Eu os amei o suficiente para ter perguntado aonde iam, com quem iam e a que horas regressariam; eu os amei o suficiente para não ter ficado em silêncio e fazer com que vocês soubessem que aquele novo amigo não era boa companhia; eu os amei o suficiente para fazê-los pagar as balas, que tiraram do supermercado, ou revistas, do jornaleiro, e os fazer dizer ao dono “Nós pegamos isto ontem e queríamos pagar”; eu os amei o suficiente para ter ficado em pé, junto de vocês, duas horas, enquanto limpavam o seu quarto, tarefa que eu teria feito em quinze minutos; eu os amei o suficiente para deixá-los ver, além do amor que eu sentia por vocês, o desapontamento e também as lágrimas nos meus olhos; eu os amei o suficiente para deixá-los assumir a responsabilidade das suas ações, mesmo quando as penalidades eram tão duras, que me partiam o coração; mais do que tudo, eu os amei o suficiente para dizer-lhes NÃO, quando eu sabia que vocês poderiam me odiar por isso (e em alguns momentos até odiaram). Essas eram as mais difíceis batalhas de todas. Estou contente, venci, porque, no final, vocês venceram também!
E em qualquer dia, quando meus netos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e mães; quando eles lhes perguntarem se sua mãe era má, meus filhos vão lhes dizer:
- Sim, nossa mãe era má, era a mãe mais má do mundo! As outras crianças comiam doces no café e nós só tínhamos que comer cereais, ovos, torradas; bebiam guaraná e comiam batatas fritas e sorvetes no almoço e nós tínhamos que comer arroz, feijão, carne, legumes e frutas; mamãe tinha que saber quem eram nossos amigos e o que nós fazíamos com eles; ela sempre insistia que lhe disséssemos com quem íamos sair, mesmo que demorássemos apenas uma hora ou menos; ela insistia sempre conosco para que lhe disséssemos sempre a verdade e apenas a verdade; ela não deixava os nossos amigos tocarem a buzina para que saíssemos; tinham que subir, bater à porta, para ela os conhecer; enquanto todos podiam voltar tarde da noite, com doze anos, tivemos que esperar pelos dezesseis anos para chegar um pouco mais tarde e aquela chata levantava para saber se a festa foi boa (só para ver como estávamos ao voltar); nenhum de nós esteve envolvido com drogas, em roubo, em atos de vandalismo, em violação de propriedade, nem fomos presos por nenhum crime; e quando nós éramos adolescentes, ela também conseguia ler até os nossos pensamentos. A nossa vida era mesmo chata, foi por causa de nossa mãe que nós perdemos imensas experiências na adolescência. Foi tudo por culpa dela!
MÃE,
TENHA CORAGEM E SEJA UMA MÃE MÁ!

Um comentário:

  1. Texto maravilhoso, reflexivo. Feliz de quem reconhece o amor de mãe, enquanto elas vivem. A maioria das mães querem o melhor para os filhos, se sacrificam para isto. Entretanto, tem umas que não. Eu inclusive conhece uma, na família, que abandonou os filhos. O pai fez o papel de mãe, e não era de apenas um filho. A palavra MÃE é quase um adjetivo, mas não para todas as mulheres.

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