terça-feira, 5 de maio de 2015

PILÃO, O BOM SAMARITANO

Texto de Aloisio Guimarães

Em Palmeira dos Índios, como em qualquer outra cidade do mundo, sempre existiram figuras folclóricas. Já tive oportunidade de falar sobre algumas delas no texto "MALUCO BELEZA".  Entretanto, outras personagens interessantes da “Terra do Xucurus” também merecem ser lembradas; não pela loucura, mas por outros detalhes bastante singulares.
Para início de conversa, para esclarecimento dos mais jovens, antigamente, café em pó industrializado era coisa rara, coisa de rico. Assim, a maioria das famílias torrava o seu café na própria casa e depois esfarelavas os grãos, em um pilão, para torná-lo pó. O pilão nada mais era do que um tronco de madeira, com uma cavidade em uma das extremidades - a maioria tinha cavidade nas duas pontas - onde se colocava o café, para ser triturado com o uso da "mão de pilão" (um pedaço de madeira, roliço, liso e pesado, com cerca de 70 centímetros de comprimento).
Agora, podemos falar sobre figura palmeirense que atendia pelo apelido de “PILÃO”. Digo, “atendia”, porque não sei se o mesmo ainda está vivo.
Moreno, estatura mediana, físico forte e usava bigodes. Desempregado, Pilão ganhava a vida fazendo bicos, principalmente como misto de garçom e ajudante de casa de jogo/bar de sinuca, que ficava na Praça da Independência, perto do extinto Cine Moderno. Como não tinha emprego fixo, mas era da vida boêmia, ele costumava “serrar” (pedir e conseguir na lábia) seus tragos de pinga tanto dos seus conhecidos como também dos frequentadores dos bares da cidade.
O que fazia Pilão bastante conhecido e temido pela “turma do copo” era um fato inusitado: conta a lenda que Pilão, além de ter sido agraciado com um “instrumento de respeito”, tipo "mão de pilão", daí o seu apelido, costumava fazer a gentileza de levar os bêbados da cidade para as suas casas. E, como diz o ditado que “cu de bêbado não tem dono”, diziam que o Pilão “costumava cobrar pelos seus serviços”, enrabando todos eles!
A gozação era tanta que, quando alguém era visto nas ruas, de ressaca e andando bem devagar, a turma logo comentava:
- Parece que o Pilão levou esse ai para casa...
Durante muito tempo em Palmeira dos Índios, sempre que um sujeito gozador encontrava algum bêbado pelas ruas da cidade, logo lhe avisava:
- Parêia, toma cuidado que o Pilão vem vindo aí...
Sabedor da fama do Pilão, o bebum, ao ouvir tal comentário, imediatamente se levantava e saia correndo, com mais de mil! 
Felizmente, nos “tempos áureos” do Pilão eu era menino Enem bebia. Hoje, passados muitos anos, longe da minha terra, não sei informar se ele ainda é vivo e se continua “fazendo a caridade” de levar os “pés de cana” em casa.
Pilão, graças a Deus, eu só o conheci de vista. Diziam as más línguas que ele tinha levado muita "gente boa" para casa...
Agora, só para nós dois, se você conheceu o Pilão, fala a verdade:
- Você é daqueles que trazem boas recordações do Pilão ou é daqueles que fazem questão de esquecê-lo?

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