segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

A HORA DO ESPANTO

Texto de Aloisio Guimarães

Lagoa do Rancho é pequeno um povoado pertencente ao município de Arapiraca, localizado perto da cidade de Igaci. 
Foi em torno da estação da Rede Ferroviária Federal que Lagoa do Rancho se desenvolveu, isto no tempo em que, regularmente, um trem de passageiros fazia a linha Maceió/Porto Real do Colégio/Maceió.
É triste dizer que hoje a linha férrea se encontra desativada e que todo aquele patrimônio do povo brasileiro está abandonado... 
Pois bem, "armado o circo", vamos ao causo: 
Contam que, numa determinada época, morava em Lagoa do Rancho uma cabocla bonita, chamada Zulmira, que nunca tinha namorado. A razão da sua falta de namoro, segundo contam, é que ela tinha vergonha de "determinada parte do seu corpo" e por isso mesmo vivia sempre trancada dentro de casa, "fugindo dos rapazes como o diabo foge da cruz".
Eis que, numa bela tarde ensolarada, desembarcou na estação ferroviária de Lagoa do Rancho, vindo Palmeira dos Índios, Teobaldo, um sujeito alto e forte, que ali chegou para "tomar conta" do sítio de Dona Olindina, uma vizinha e amiga de dos pais da Zulmira.
Inevitavelmente, Teobaldo e Zulmira se conheceram... Depois de alguns dias de olhares furtivos, o amor logo brotou entre eles.Teobaldo, como diziam antigamente, ficou "arriado os quatro pneus e o estepe" pela formosura da Zulmira. A paixão foi tanta que ele decidiu pedir a moça em casamento:
- Zuzu, quirida, vamu ajuntá nossos trápus?
Antes de aceitar o pedido de casamento, ela pensou muito e achou prudente confessar logo o seu problema:
- Teozinho, amô, divido a um piqueno probrema de infânça, tenho os seius dos tamanho de uma minina de deiz ano.
Ao ouvir a confissão da amada, Teobaldo disse que não tinha nenhum problema, pois o amor que sentia por ela era muito maior do que este pequeno detalhe. E, já que estavam numa espécie de "jogo da verdade", ele resolveu que também devia confessar um pequeno problema que ele tinha e que estava guardado, a sete chaves, por muitos anos. Assim, olhando bem no fundo dos olhos da sua futura esposa, ele disse:
 - Zuzu, todo mundu tem probrema... Eu tombém vou confessar o meu probrema: tenho o pêni du tamanho dum ricém-nascidu. Ispero qui vosmicê num fiqui cum raiva...
Ela prontamente respondeu que isso tampouco seria motivo para não se casarem, pois ela o amava tanto, mas tanto mesmo, que os dois encontrariam uma forma de "dar a volta por cima".
Assim, “cartas na mesa”, eles se casaram...
Depois do casório, o pai da noiva, seu "Manezinho da Venda", ofereceu um tradicional "rala-bucho", regado a muitas doses da cachaça Mucuri, cachaça famosa porque, no seu rótulo, tinha um cavalo preto, com uma das patas dianteiras levantada e que muitos bebuns diziam que só parariam de beber “quando o cavalo preto baixasse a mão”, lembram-se?
Antes de terminar a festança, já por volta das duas horas da madrugada, os dois pombinhos partiram para a lua de mel, em Arapiraca, numa casa emprestada por um dos tios da noiva.
Tão logo entraram no "ninho de amor", os nubentes já estavam “em ponto de bala” e partiram logo para as preliminares...
O bicho pegou mesmo foi quando a Zulmira meteu a sua mão por dentro da cueca do marido e grito, bem alto:
- Ôxente, qui pesti é issu!
Em seguida, ela deu um "pinote daqueles"; abriu a porta do quarto e saiu correndo, "com mais de mil"...
Vendo o desespero da esposa, Teobaldo, correu atrás dela e, quando a alcançou, lhe perguntou o motivo de todo aquele espanto, no que ela respondeu:
- Vosmicê mintiu pra mim! Dissi qui tinha o pêni du tamanho dum ricém-nascidu!
Nisso, o maridão respondeu:
- Tenho sim, quirida... O meu pêni é du tamanho dum ricém-nascidu, sim! Eu num minti não, pruquê ele tem mermo 32 centímos! Vosmicê foi qui não isperou pra ele ficá todinho duro e diz logo qui to mintindo!
Zulmira, coitada, continua donzela, tomando conta da venda do falecido Manezinho e nunca mais quis saber de casamento e muito menos do “ricém-nascidu” de ninguém...

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