domingo, 13 de março de 2016

O DIFÍCIL CAMINHAR DE UM CEGO

Texto de Vítor Pereira
 
Olá amigos (as),
Hoje, 3 de março, faz exatamente 1 mês que tirei o medo da cabeça e comecei a andar sozinho pelas ruas de Marechal Hermes, bairro onde moro.
Tinha receio de cair, de ficar perdido em plena via pública sem ter alguém para me auxiliar quando estivesse caminhando na direção errada. É difícil para um cego caminhar sem ter a noção do que existe pela frente.  E o que se encontra pela frente é nada mais nada menos do que o desrespeito das pessoas que podem ver as belezas naturais da vida.
Inicio essa narrativa falando da rua onde resido, onde os moradores deixam seus carros em cima das calçadas, impedindo o direito dos cegos de andar por elas. Não esquecendo dos cadeirantes, muletantes e idosos. E o mais incrível é que esses moradores têm garagem em suas residências. Além dos carros existem outros obstáculos como sacos de lixo, lixeiras, buracos, dormentes e outros objetos.
Após duas semanas caminhando por essas ruas, resolvi ir mais além, e andei por ruas com quarteirões maiores, ruas mais longas. Não fiquei surpreso ao notar que os problemas são os mesmos, os mesmos desrespeitos com os deficientes e idosos. Acredito que esses problemas não sejam apenas no bairro onde resido, já que em conversa com outros deficientes e idosos os relatos são os mesmos.
O poder público, como já sabemos, nada faz para melhorar a vida dos contribuintes, mas a população também falta com o respeito com seus semelhantes. E ainda querem criticar essa gente.
Bem, não vim aqui para falar de política, mas sim das dificuldades existentes. Eu sei que não vou sensibilizar o povo com minha narrativa, mas, pelo menos, venho a público mostrar minha indignação.
Não vou desistir, pois não sou nenhum incapaz, e continuarei a minha caminhada até o fim da jornada. Já que não poderei contar com o respeito dos moradores, farei de tudo para superar os obstáculos colocados pelos mesmos.
A sensação de andar, e sentir a brisa a acariciar meu rosto faz com que eu veja o tempo perdido por não ter começado mais cedo.
Bem, nunca é tarde para começar.
- A cegueira me fez enxergar!

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