quinta-feira, 7 de julho de 2016

QUEM DESCOBRIU O BRASIL?

Texto de Aloisio Guimarães

No nosso tempo de criança (e bota tempo nisso!), era muito comum os pais, logo depois do jantar (se é que comida de pobre, naquele tempo, podia se chamar de “jantar”), fazer a “sabatina” com os seus filhos. Para quem não viveu naquela época, “sabatina” era, nada mais nada menos, os pais reunir os seus filhos em volta da mesa, muitas vezes à luz de vela, e “tomar a lição” do que eles aprenderam na escola, naquele mesmo dia. Para quem não soubesse ou tivesse esquecido o que aprendera, o “couro vadiava”.
Nesse tempo, existia em Palmeira dos Índios uma conceituada professora de História chamada Terezinha Muritiba. Estávamos numa época onde o ensinamento de História era limitado e repetitivo aos mesmos temas, independente da série que estudávamos, ou seja, as aulas dessa disciplina, todos os anos, sempre começavam pelo descobrimento do Brasil, enaltecendo a figura de Pedro Álvares Cabral. E a nossa saudosa Terezinha Muritiba, como professora de História, era uma das encarregadas do ensinamento, repetitivo, de que “O Brasil foi descoberto por Pedro Álvares Cabral”.
O meu irmão Casé, personagem de muitos causos que já contei aqui, era uma criança muito desligada dos estudos. Casé, como todos os irmãos, também foi discípulo da professora Terezinha Muritiba.
Pois bem, certo dia, logo que terminou o “jantar”, o meu pai chamou todos os filhos para a tal “sabatina”. Um a um, fomos respondendo o que ele nos perguntava, até chegar a vez do Casé:
- Casé, quem descobriu o Brasil? - perguntou o meu pai, dono daquela educação que Deus “não” lhe deu, pois era um sujeito “mais grosso do que papel de embrulhar pregos”.
Casé, "mais voador do que pena de galinha em dia de furacão", como não se lembrava, ou não sabia, mas de tanto ouvir a professora dizer a mesma coisa, todos os anos, respondeu, "na bucha":
-  Foi Terezinha Muritiba!
Não precisa dizer mais nada. Nessa noite, coitado do Casé, "apanhou mais do que galinha para lagar o choco"...

2 comentários:

  1. Muito parecido com a história de um primo querido que estava sendo alfabetizado e em viagem de férias à casa da avó no Espirito Santo,minha tia ia o estimulava fazendo-o ler as propagandas dos outdoors na estrada.
    Passou por várias vezes pela propaganda dos adubos Maná,cujo slogan era "Com Maná adubando dá"lembra? Minha tia lia e o fazia repetir, até que num certo ponto da estrada e avistando mais um outdoor começou: Paulo olha lá:Com Maná... e ele respondeu meio sonolento abidominá! kkkkk

    ResponderExcluir