quarta-feira, 23 de novembro de 2016

AH, SE EU FOSSE PAPAI NOEL

Texto de Ivan Jubert Guimarães

Às vezes eu gostaria de ser Papai Noel e carregar no saco somente coisas boas e bonitas. Eu gostaria de encher meu saco com esperança, com honestidade, carregá-lo com um monte de felicidade, de sorrisos e religiosidade. 
Mas não sou Papai Noel, embora esteja com o saco cheio de tanta malandragem, de tantos desmandos, muita corrupção e de demonstração de luxo em um país que ainda passa fome.
Ao invés de honestidade, meu saco está transbordando de políticos desonestos, verdadeiros ladrões inescrupulosos.
Pelos noticiários, principalmente da televisão, vejo todos os dias muitos assassinatos cometidos de forma cruel que nem parecem coisas praticadas por seres humanos. Uma violência descabida influenciada pela impunidade que predomina no Brasil. Leis arcaicas feitas por um legislativo interessado mais em proteger-se dos crimes por ele praticados.
No meu saco não tem mais famílias reunidas todas as noites nas mesas das salas de jantar. As famílias de hoje em dia são um agrupamento de pessoas que moram juntas, mas vivem separadas, cada uma preocupada com seus próprios interesses.
As pessoas não conversam mais, elas digitam e talvez as crianças que nascerem daqui por diante, não terão mais as presenças dos pais ensinando-as a dizerem papai ou mamãe.
Ah se eu fosse Papai Noel, mas como não sou me vejo obrigado a carregar o saco e não distribuir nada para ninguém, quem sabe assim essas coisas que enchem o meu saco acabem no lixo, mas terei que torcer para que ninguém vá colhê-las nos lixões. Como se poderia reciclar a malandragem, a corrupção, os assaltos e assassinatos? Isso só criaria novos bandidos.
Eu não sei a solução, aliás, isso não é uma prerrogativa de nosso país. O mundo inteiro está do lado do avesso com os homens fazendo de tudo para manterem ou conquistarem o poder. E o que é o poder? Será que é escravizar os povos do mundo que morrem de fome, são decapitados por diferenças de crenças, ou ainda pelo desejo de aumentar suas fortunas? Isso é poder?
Há muitos anos eu escrevi que gostaria de ter todos os poderes do mundo só para acabar com os poderosos. Pensava assim em minha juventude, mas com o tempo a gente se aperfeiçoa e hoje eu sei que poderia fazer todas essas coisas que os homens fazem, confesso que muitas vezes sinto vontade de fazer justiça com minhas próprias mãos. Eu poderia, sei que poderia. Mas tem uma coisa que me segura: o meu próprio poder. Sim, porque mesmo podendo eu não faço porque não quero e na hora de exercer meu poder, eu me abstenho e ao abster-me eu tenho poder duas vezes. De fazer e de não querer fazer.
As previsões não são boas para os dias que virão. Tudo isso está se aproximando do fim, é só lembrarmos o que Cristo nos disse que muitos serão chamados e poucos os escolhidos. A hora chegou!
Se eu fosse Papai Noel eu traria o saco cheio de esperança para todos, eu restauraria a união familiar, eu atenderia aos pedidos daqueles que desejam políticos honestos, e um mundo bem melhor.

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