sábado, 11 de fevereiro de 2017

A OUTRA

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Há uns anos atrás, um Juiz, de uma comarca do interior do Estado do Rio Grande do Norte, recebeu uma petição de separação judicial de um casal. O motivo não estava muito claro.
A audiência de conciliação foi marcada, e as partes foram ouvidas pelo Magistrado, separadamente, na tentativa de que houvesse desistência do pedido. O Juiz, como é de praxe, ressaltou a necessidade de se conservar o contrato civil do casamento, em prol da família, como é do interesse da sociedade e da lei.
Ao ser ouvido, o marido, José Silveira, mostrou-se bastante indiferente em relação à separação. Para ele, se a mulher desistisse do pedido, ele acataria. Concordaria com qualquer decisão que ela tomasse. Afinal, a iniciativa do pedido de separação havia partido dela. Entretanto, a mulher, Lenilda Silveira, mostrava-se irredutível no seu propósito, insistindo no término do vínculo matrimonial. 
À certa altura da tentativa de reconciliação, o Juiz viu-se obrigado a fazer perguntas relacionadas à vida íntima do casal. A mulher mostrava-se inibida, respondendo com meias palavras. Entretanto, diante das perguntas incisivas do Magistrado, ela foi obrigada a dizer o real motivo da sua decisão de se separar, e falou:
- Doutor, o grande problema da minha vida com José, meu marido, é traição. Há muito tempo, venho sendo traída. Quando resolvemos casar, ficou combinado, entre nós, que ele iria trazer uma cabra de estimação para a nossa companhia. Ele falou que essa cabra, por nome Mimosa, produzia muito leite. Eu até gostei da ideia de ter leite de cabra em casa, pois sei que é muito forte. Como eu gosto muito de animais, recebi a cabra na nossa casa, com muita satisfação. Gostei logo da bichinha. Durante os três primeiros meses do nosso casamento, nossa vida foi muito tranquila e eu me dava muito bem com meu marido. Depois, José começou a mudar de comportamento, ficou frio pra mim, e deixou de me procurar. No começo, pensei que fosse cansaço, por causa do trabalho dele na marcenaria. Depois, notei que ele estava muito irritado comigo, e muito calado. Demorava a ir se deitar, dando sempre uma desculpa para ficar dormindo na sala. Senti o cheiro de traição e meu coração dizia que ele tinha outra mulher. Entrei em desespero, e implorei que ele me confessasse a verdade. Ele foi firme em dizer que eu estava imaginando coisas e que era muito ciumenta. Disse, ainda, que andava muito cansado do trabalho na marcenaria. Mas as palavras dele não me convenceram, e sua frieza aumentou ainda mais. Eu, com a minha desconfiança, sabia que estava sendo traída. Fiquei imaginando mil coisas, e disposta a encontrar um meio de descobrir a sua traição. Entretanto, o que me impressionava é que ele vivia de casa para o trabalho, e sempre chegava cedo. Mas, a cada dia aumentava, mais ainda, seu mau humor e a sua indiferença. Não aceitava, sequer, um carinho meu. Certa noite, eu perdi o sono e como ele não estava na cama, fui até a sala, ver se estava dormindo no sofá. Fiquei surpresa quando vi que ele não estava na sala, e notei que a porta que dava para o quintal estava aberta. Em silêncio, fui até o quintal, e me deparei com uma cena horrível: Encontrei meu marido agarrado com a cabra, por trás, em completo ato de amor. Para mim, foi a maior decepção da minha vida! Não consigo nem olhar mais para a cara dele! A mulher de José não sou eu, doutor, a mulher dele é a cabra! Nem que Jesus me peça, não fico mais casada com esse homem!
O Juiz, surpreso diante desse relato estarrecedor, não teve mais argumentos para tentar convencer a mulher a desistir da separação.
A decisão, portanto, foi pela separação do casal José Silveira e Lenilda Silveira.

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