domingo, 19 de fevereiro de 2017

CADÊ MEU CARNAVAL?

Texto de Aloisio Guimarães

Vai começar o carnaval e eu detesto carnaval. Mesmo assim, paradoxalmente, sinto saudades do carnaval do passado. Talvez a saudades que sinto seja pelo fato de meu falecido pai ter sido o "Rei Momo" em alguns carnavais de Palmeira dos Índios...
Sinto saudades...
Saudades dos bailes nos clubes sociais, com direito a máscaras, lança-perfume (que eram liberadas) e muita guerra de confete e serpentina.
Saudades do corso (desfile de carros pelas ruas da cidade), do mela-mela (com talco e água) e dos bailes populares na Praça Moleque Namorador (Maceió) e na Praça da Independência de Palmeira dos Índios - onde eram chamados de “Maratona” porque começavam uma semana antes do carnaval, sob a batuta do maestro “Mané” Morais, tornando os foliões em verdadeiros “atletas da folia”.
Saudades do “Banho de mar e fantasia” na praia de Pajuçara (Maceió); dos bailes na Portuguesa (Maceió) e no Aero Clube (Palmeira dos Índios).
Saudades dos desfiles do bloco "Pitanguinha vai a lua" (Maceió) e "Cangaceiros" (Palmeira dos Índios - sob o comando do “Lampião” Gileno Sampaio).
Sinto saudades...
Antigamente, era durante o dia que o carnaval mostrava sua força popular, onde blocos improvisados desfilavam pelas ruas da cidade, arrastando dezenas de foliões, pobres e ricos, visitando as casas das famílias, onde eram recebidos com bebida e "tira-gosto"... Além de tudo isso ser de graça, dificilmente ocorriam brigas, quer seja nos bailes ou nas ruas!
Mas, de uns anos para cá, em todas as cidades do Brasil, estão acabando com a nossa festa mais popular, transformando-a em verdadeiro comércio, tirando o direito do pobre de se divertir. O carnaval está se tornando “coisa de rico”! Hoje, para brincar o carnaval, é quase que obrigatório comprar uma fantasia, chamada de “mortalha” (sic), onde muitas delas custam "os olhos da cara", são vendidas à prestação, com meses de antecedência, num verdadeiro negócio, onde existe até empresário que vive da "renda de bloco".
Lamentavelmente, além da queda, o coice: o pobre deixou de ser “Folião” e virou “Pipoca”!
- E o que vem a ser “Pipoca”?
Curto e grosso:
- “Pipoca” é aquele folião pobre, que não tem grana para comprar a “mortalha”, desfila de modo marginalizado, pulando feito uma "pipoca”, animando a festa dos outros.No “frigir dos ovos”, o “pipoca” serve somente como garoto de propaganda numérica de um bloco carnavalesco, dando-lhe fama e aumentando a venda das suas “mortalhas” para o próximo carnaval, enriquecendo cada vez mais o empresário!
E no outro dia, ouviu um otário, muito emocionado, fazer o seguinte comentário:
- Viu só, Carlos? “O Babaca” (nome fictício de bloco) estava muito bom; tinha gente pra danar! Sou “babaqueiro” de carteirinha!
Aqui em Maceió acontece um fato intrigante:
Os blocos mais famosos só desfilam numa tal de “prévia” que acontece uma semana antes do carnaval, arrastando milhares de pessoas, com mortalhas, pagas ou não. E só! Ora, pelo que aprendi, “prévia” é uma amostra de algo que vai acontecer ou será que sou burro e não sei mesmo o que significa “prévia”? Já que perdi a "prévia", e desejo brincar o carnaval, pergunto:
- Alguém sabe informar em que dia do carnaval os blocos da prévia vão desfilar?
Se a resposta for "Sim", dou a mão à palmatória: estou errado! Agora, se a resposta for "Não", o que os impede de desfilar? Não acredito que sejam proibidos pela Prefeitura porque seria o fim da picada! E se a Prefeitura não os proíbe, por que não condiciona o desfile deles na “prévia” a desfilar também nos dias de carnaval? Mistérios...
O carnaval de Maceió já morreu faz tempo e graças à persistência dos pobres meninos da periferia, com seus concursos de Boi Bumbá (e quase nenhuma ajuda do poder público) é que o carnaval de Maceió ainda não foi enterrado!
Divirta-se!

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