sexta-feira, 7 de abril de 2017

A PAIXÃO DE CRISTO

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Contam que o dono de um desses famosos “Circos de Lona”, um misto de circo e teatro, de passagem por uma cidadezinha do interior do Brasil, tomando conhecimento que a população local era extremamente religiosa, resolveu encenar a peça "A Paixão de Cristo", durante a Sexta-Feira Santa.

Para ter um grande número de pessoas presentes na apresentação da peça teatral e com isto ganhar mais dinheiro, evidentemente, ele resolveu escolher parte do elenco entre os habitantes local. Usando de esperteza, procurou agradar à mulherada e convidou para o papel principal, o de "Jesus Cristo", lógico, o cara mais “gato” da cidade.

Escolhido o elenco, começaram, “a todo vapor”, os ensaios para a apresentação da peça...

Acontece que, dias antes do evento, o dono do circo soube que “Jesus” estava "comendo" a sua mulher.

Embora bastante furioso, o "corno-empresário" chegou à conclusão que não podia fazer nenhum escândalo, caso contrário, acabaria com a peça e perderia todo o dinheiro que já tinha investido na montagem do espetáculo. Mas, mesmo assim, ele tinha que arranjar uma maneira de se vingar...

Pensou, pensou, pensou...

Na véspera da estreia, ele reuniu o elenco e comunicou que também iria atuar na peça, fazendo o papel do "centurião" que açoita Jesus .

- Mas como? - reclamaram todos - Você não ensaiou nada!

- Não é preciso ensaiar porque o centurião não fala... - respondeu o chifrudo.

Mesmo sem gostar, o elenco teve que aceitar; porque, afinal, o cara era o dono do show.

Chegou o grande dia...  A cidade, em peso e em suspense, estava na pracinha da Igreja...

No momento mais solene da peça, a plateia, chorosa e em profundo silêncio, assistia "Jesus" carregando a pesada cruz, sofrendo muito e pagando os nossos pecados... Então, o “centurião” começa a dar-lhe as famosas chicotadas... Só que, agora, chicotadas verdadeiras!

- Porra, cara, tá me machucando... - reclamou ”Jesus”, em voz baixa.

- É para dar mais veracidade à cena... - respondeu o “centurião”.

E tome mais chicotadas: lept, lept, lept... Era o “chicote véio” comendo solto no lombo de "Jesus", até o momento em que “Jesus”, que já reclamara bastante, enfureceu-se de vez, largou a cruz no chão, puxou uma faca-peixeira, partiu pra cima do “centurião” e começou a gritar:

- Vem, seu desgraçado! Vem cá, que eu vou te ensinar a não bater num indefeso!

O “centurião” saiu correndo e “Jesus”, com a peixeira na mão, correndo atrás dele... Então, a plateia, toda em delírio, começou a gritar:

- É isso aí, Jesus! Fura o bucho desse "fio da peste", Jesus! Mata ele, Jesus! Mostra para esse “cabra de pêia” que aqui não é Jerusalém não!

Haja religiosidade!

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