terça-feira, 25 de abril de 2017

NO TEMPO DOS PUNHETEIROS

Texto de Tião Lucena

Houve uma raça que se extinguiu quando a mulher decidiu perder a vergonha e mostrar o corpo a quem quisesse olhar. Foi a dos Punheteiros, jovens que tinham dificuldade de encontrar onde aliviar suas precisões sexuais e valiam-se da solidão dos matos, das espiadas gulosas e do frenesi das munhecas, para conhecer os gozos antes do casamento.
No meu interior, o joelho de Anita valia por mil bundas mostradas hoje pelas calças compridas da moda, essas que descobrem a precheca da mulher de modo oferecido. Uma calcinha, que não se via tão facilmente, valia um mês de punheta. Agora elas se descobrem ao menor abaixamento da mulher, ao simples movimento de perna. Mas naqueles "ontens", meu amigo, para se ver essa preciosa indumentária o sujeito penava. Era mais fácil ganhar no bicho.
A turma da punheta fazia ponto na Pichilinga do Açude Velho, para onde corriam as mulheres lavadeiras de nosso rincão. Ali, entre as pedras, elas lavavam as roupas acocoradas, mostrando as partes internas das coxas. E tome punheta, olhando aquilo. Era uma visão poderosa, capaz de transportar o observador a mundos encantados e suspirosos. O melhor, porém, vinha depois: quando terminavam a lavagem, tiravam a roupa e tibungavam na água para o banho reconfortante. Aí, meus caros, o mundo vinha abaixo!
Era por isso que a turma não tinha um grama de carne. A magreza dos meninos causava espanto. Desses, o único que continuava gordo era Dé Galdino, mas Zé Lambreta explicava que ele não perdia as banhas porque batia punheta usando apenas dois dedos. Não fazia o menor esforço.
Do time dos punheteiros, destacavam-se os irmãos Teté e João Passarinho. Para onde um ia, levava o outro. E quando a turma não estava, os dois agiam em dupla, feito Batman e Robin, como aconteceu naquela manhã de sábado, no Açude Velho:
Teté e João sentiram o cheiro de mulher lavando roupa nem bem pularam a cerca de Seu Edmundo. Começaram dali mesmo o serviço, andando e balançando as pixocas no vai e vem frenético. Teté na frente, João atrás; a mulher, lá longe... Os dois punhetando...
Eis que Teté chega primeiro, espia, dá uma volta seca e grita, alarmado:
- João, tu já gozou?
- Ainda não, mas tô quase! - respondeu João com a voz entrecortada.
E Teté, tentando evitar uma tragédia:
- Então pare aí, porque quem tá lavando roupa é mãe!

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