quinta-feira, 4 de maio de 2017

O JOGO DA MEIA-NOITE

Texto de Aloisio Guimarães

Como o brasileiro não tem memória e nem respeito, cabe aqui, inicialmente, uma explicação: a denominação inicial do Estádio Juca Sampaio, em Palmeira dos Índios, era Estádio Edson Amaro.
- Mas, afinal, quem foi Edson Amaro, para ter o seu nome no estádio?
Segundo aprendi, quando criança, pelas palavras de meu saudoso pai, que Edson Amaro foi o fundador do Centro Social Esportivo, o nosso CSE.
É bem verdade que Juca Sampaio foi um palmeirense ilustre, fundador da TV Alagoas, hoje TV Ponta Verde (Canal 5), teve destaque na política alagoana, chegando a ser vice-governador, e também, para quem não sabe, ele foi goleiro do CSE. Apesar disto, esquecer e tirar a homenagem ao fundador do time da cidade eu discordo até hoje. Para mim, continua sendo o Estádio Edson Amaro e ponto!
Posta a minha discórdia, quanto à mudança do nome do estádio, voltemos ao causo...
Corria o ano de 1986. Após décadas sendo obrigado a jogar no sol escaldante do sertão alagoano, o CSE, finalmente, tinha instalado refletores no seu estádio e, para o grande evento de inauguração, foram contratados dois jogos:
A primeira partida noturna da história de Palmeira dos Índios foi realizada num sábado, dia 26/07/1986. Após o pontapé inicial, dado pelo Bispo da Diocese de Palmeira dos Índios, Dom Fernando Iório, o CSE enfrentou e perdeu para o Treze de Campina Grande/PB por 2x1. Miranda e Darlan marcaram para a equipe paraibana, enquanto que Marcelo descontou para o CSE. Sob o comando do técnico Paulo Roberto Guillard, o CSE jogou com George; Samuel (Ivanildo), Val, Edvaldo (Williams) e Pinheiro, Dema, Jorge Reis e Marcelo, Zé Maria, Marcílio (Fernando Paraíba) e Joãozinho (Dobinha). O Treze ganhou com Hélio Show; Carlos Alberto, Levi, Valdo e Marco Antônio; Henrique (Biro-Biro), Zé Carlos e Miranda; Fernando Paraíba, Almir (Fernando Baiano) e Darlan. O árbitro da partida foi João Monteiro, auxiliado pelos bandeirinhas Dorgival Viana e Gilberto Guedes. Dois fatos pitorescos marcantes ocorreram antes do jogo: “Mané Côco”, funcionário da prefeitura, que sempre tinha dito que vestiria saia no dia que tivesse um jogo noturno na cidade, cumpriu a palavra e desfilou, vestido com uma saia, dentro do estádio; já por sua vez, empolgado com a festa, um “cinquentão”, de nome “Tonho da Serra”, que era metido a atleta, deu dezenas de voltas ao redor do campo. O histórico jogo foi transmitido por cinco emissoras de rádio: Borborema e Caturité (ambas da Paraíba); Difusora de Maceió; Novo Nordeste de Arapiraca e Sampaio de Palmeira dos Índios.
Para a torcida, eufórica com a grande novidade, a derrota 2x1 para o time paraibano ficou em segundo plano, diante da grandiosidade do evento. A vitória viria no próximo jogo.
Dia do segundo jogo...
Jogo estava marcado para se iniciar as 20:30 horas. Às 18 horam o estádio já estava abarrotado de torcedores da cidade, reforçados com a matutada de todos os sítios do município (Serra do Candará, Caldeirão, Bola, Bonifácio, Gavião, Coruripe da Cal, Moreira...), porque, além da novidade de um jogo à noite, era a primeira vez que um time baiano jogava na cidade. A imprensa noticiou que público pagante foi de 1.200 torcedores, acrescidos das dezenas de pessoas que entraram de graça (imprensa, policiais, autoridades locais e seus convidados). Era crescente a expectativa dos presentes, a cada minuto que se aproximava da hora do jogo... O tempo passou, deu oito e meia, nove, nove e meia... E “necas de pitibiribas” do time baiano do Atlético de Alagoinhas entrar em campo. Cansado de esperar e para a tristeza dos presentes, Josmário Silva, “O Locutor Explosão” da Rádio Educadora Sampaio, anunciou aos ouvintes e ao público presente:
- O jogo estava cancelado.
O burburinho foi geral. Mas, afinal, o que tinha acontecido? Depois de alguns minutos de disse-me-disse, veio a explicação: o motorista do ônibus que trazia o time baiano se enganou no trevo Pão de Açúcar/Arapiraca/Santana/Paulo Afonso e errou a estrada para Palmeira dos Índios, indo parar na cidade de Batalha.
Ao ouvir esta informação, Amilton Didier, então presidente do CSE, não se deu por vencido, mandou um carro até Batalha, buscar o time baiano, e avisou pelas emissoras de rádio:
- Vai ter jogo sim!
E cumpriu o prometido: às onze da noite, o juiz trilhou o apito e o jogo foi iniciado. E foi assim que aconteceu a segunda partida de futebol noturna da cidade, com o “testemunho” de "meia dúzia" de fanáticos torcedores, incluindo meu irmão “Pota” e o “Marcão" (filho de João Lucena do IBGE), que não se deram por vencidos e acreditaram no presidente do CSE, ficando até uma e vinte da madrugada, quando a partida terminou, com a vitória do CSE por 2x1, com gols de Marcelo e Joãozinho, descontando João Carlos para o Atlético de Alagoinhas. O CSE jogou e venceu com: George; (Angelim); Ivanildo, Samuel, Edvaldo e Pinheiro; Dema; (Tenente), Jorge Reis e Marcelo; Zé Maria, Marcílio, (Fernando Paraíba) e Joãozinho - técnico: Paulo Roberto. Atlético de Alagoinhas: Elio; Márcio, João Carlos, Guilherme e Jackson; Dudu, Júlio e Tadeu; Horácio, Joe e; Valdir.
Hoje, mudaram o nome do clube para "Clube Sociedade Esportiva"; mudaram o nome do estádio para "Juca Sampaio" que, apesar dos jogos noturnos, continua acanhado e precisando de melhorias e o time...
Bem, o time...

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