terça-feira, 9 de outubro de 2012

É MUITA CARA DE PAU!

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Uma ação em tramitação no Fórum Lafayette, em Belo Horizonte, leva às últimas consequências a máxima segundo a qual a Justiça é para todos - todos mesmo.
O pedido de um assaltante, preso em flagrante e que decidiu processar a vítima por ter reagido durante o assalto, provocou surpresa até mesmo nos meios jurídicos e foi classificado como uma "aberração" pelo juiz Jayme Silvestre Corrêa Camargo, da 2ª Vara Criminal, que suspendeu a ação.
Não satisfeito, o advogado do ladrão, José Luiz Oliva Silveira Campos, anuncia que vai além da queixa-crime, apresentada por lesões corporais: pretende processar, por danos morais, o comerciante assaltado. O motivo: seu cliente teria sido humilhado durante o roubo. Wanderson Rodrigues de Freitas, de 22 anos, se sentiu injustiçado e humilhado porque apanhou do dono da padaria que tentava assaltar. O crime ocorreu no mês passado, na Avenida General Olímpio Mourão Filho, no Bairro Planalto, Região Norte de BH.
Por volta das 14h30 de uma terça-feira, Wanderson chegou ao estabelecimento e anunciou o assalto. Ele rendeu a funcionária, irmã do proprietário, que estava no caixa. Conseguiu pegar R$ 45. No entanto, quando ia fugir, foi surpreendido pelo dono da padaria, um comerciante de 32 anos, que prefere ter a identidade preservada.
"Estava chegando, quando vi minha irmã com as mãos para o alto. Já fui roubado mais de 10 vezes nos sete anos que tenho meu comércio. Quatro dias antes de esse ladrão aparecer, tinha sido assaltado. Não pensei duas vezes e parti para cima dele. Caímos da escada e, quando outras pessoas perceberam o que estava acontecendo, todos começaram a bater nele também. Muitos reconheceram o ladrão como autor de outros assaltos da região", conta o comerciante. Ele diz ainda que, para render a irmã, Wanderson escondeu um pedaço de madeira debaixo da blusa, fingindo ter uma arma. "Pensei que fosse um revólver. Quando a vi com as mãos para o alto, arrisquei minha vida e a dela. Mas estava revoltado com tantos crimes e quis defender meu patrimônio. Trabalhei 20 anos para conseguir comprar esta padaria. Nada foi fácil para mim e nunca precisei roubar para viver. Na confusão, chamamos a polícia e ele foi preso em flagrante por tentativa de assalto á mão armada", conta.
O comerciante acha absurda a atitude do advogado. "O que me deixa indignado é como um profissional aceita uma causas dessas sem pensar no bem ou no mal que pode causar a sociedade. Chega a ser ridículo", critica.
Quem parece compartilhar da opinião da vítima é o juiz Jayme Silvestre Corrêa Camargo. Em sua decisão, ele considerou o fato de um assaltante apresentar uma queixa-crime, alegando ser vítima de lesão corporal, uma afronta ao Judiciário. O magistrado rejeitou o procedimento, por considerar que o proprietário da padaria agiu em legítima defesa. Além disso, observou que não houve nenhum excesso por parte da vítima. O magistrado avaliou que o homem teria apenas buscado garantir a integridade física de sua funcionária e, por extensão, seu próprio patrimônio. "Após longos anos no exercício da magistratura, talvez este seja o caso de maior aberração postulatória. A pretensão do indivíduo, criminoso confesso, apresenta-se como um indubitável deboche", afirmou o juiz.
Da decisão de primeira instância cabe recurso.
Com 31 anos de carreira, o advogado do assaltante, José Luiz Oliva Silveira Campos, está confiante no andamento do processo. Ele alega que o cliente sofreu lesão corporal e se sentiu insultado e rebaixado por ter levado uma sova. "A ninguém é dado o direito de fazer justiça com as próprias mãos. Wanderson levou uma surra. Ele foi humilhado e, por isso, além dos autos em andamento, vou processar o comerciante por danos morais", afirma. Ele conta que há 31 dias Wanderson está atrás das grades, no Ceresp da Gameleira, pelo crime cometido no Planalto. Além de justificar a ação, ele desfia um rosário de teorias. "Não vejo nada de ridículo nisso. Os envolvidos estouraram o nariz do meu cliente e ele só vai consertar com uma plástica. Em vez de bater nele, o dono da padaria poderia ter imobilizado Wanderson. Para que serve a polícia? Um erro não justifica o outro. Ele assaltou, sim. Mas não precisava ter sido surrado", afirma.
O advogado acrescenta que sua tese é a de que Wanderson não estava armado, mas "apenas com um pedaço de madeira de 20 centímetros". Ele também culpa o governo pelo assalto praticado pelo cliente. "O problema mora na segurança pública. Há câmeras do Olho Vivo pela cidade. Por que o poder público não coloca nas padarias também? Temos que correr atrás dos nossos direitos e Wanderson está fazendo isso. Meu cliente precisa ser ressarcido", diz o advogado.
- AONDE VAMOS PARAR?

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

ROLETE CHUPADO

Texto de Aloisio Guimarães

Tão comuns nas ruas e festas de outrora, em todas as cidades nordestinas, os “roletes de cana” estão desaparecendo.
Confesso que faz muitos anos que vi e chupei um deles. Por isso mesmo é que os mais jovens não sabem como eram, porque nunca viram.
Antigamente, era tudo o que podíamos comprar com os poucos tostões que nossos pais nos davam para nos divertirmos nas festas de Natal, Ano Novo, Festa da Juventude, Festa da Primavera... Feitos com pedacinhos de cana, espetados em lascas de bambu, eles adoçaram a boca da juventude nordestina por muitos anos. Depois de mastigado e sorvido o caldo da cana, cuspíamos o bagaço em qualquer lugar, fosse da rua ou da calçada. Ainda não tínhamos a consciência de "cidade limpa". O bagaço era lixo, era “rolete chupado”, não servia para mais nada...
O povo, sabiamente, cunhou a expressão “rolete chupado”, para definir aquele individuo descartável, que nada mais tem a oferecer. É aquela pessoa que foi sugada até o fim e que nada mais tem de útil, igualzinho a um bagaço, um "rolete chupado", que deve ser cuspido e jogado fora, abandonado...
Pois bem, terminaram as eleições, o que vai ter de prefeito e vereador “rolete chupado”, por este Brasil afora, não será brincadeira. Centenas de prefeitos que não se reelegeram, porque o povo não quis ou porque já estavam no segundo mandato, vão ter uma ideia clara do que é um “rolete chupado”. Vão sentir na pele o que é ter o Poder e, de uma hora para outra, perdê-lo! Notarão que, a partir de hoje, seus bajuladores já não lhe tratarão com a reverência de sempre e que os amigos, que sempre estiveram ao seu lado começarão a se afastar, preocupados em se garantir, como secretário ou até mesmo como um “aspone” qualquer, procurando os eleitos, pouco importando se foram ou não adversários na campanha política. Hoje, muitos dos que até ontem lhes lambiam as botas, serão os primeiros mudarem de "senhor", de "amo". E muito deles, na ânsia de continuar mamando no serviço público, porque são parasitas eternos do erário, porque nada fazem e nada sabem, vão criticá-los, junto aos eleitos, inventando “podres”. Mesmo aqueles que fizeram uma boa administração, serão abandonados e desprezados, mas, como toda regra tem exceção, alguns permanecerão ao lado deles: os amigos leais, que pouco eles valorizaram. Para estes, eles nunca serão "rolete chupado"! Lembrem-se disso, se um dia voltarem ao Poder.
Hoje, vocês serão culpados pelo isolamento e pelo ostracismo a que serão submetidos. A vaidade, a soberba, a prepotência e a arrogância fecharam-lhes os olhos, fazendo com que seus verdadeiros amigos fossem esquecidos, que pisassem nos seus colaboradores mais dedicados e que vocês fizessem com que competência fosse substituída pela burrice porque, por detrás dela, existia meia dúzia de votos. Então, para os que agiram assim, parodiando aquele cara da televisão, digo-lhes:
- EU ACHO É TOME! 

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

VOTA, BRASIL!

Texto de Aloisio Guimarães

Uma eleição...
Um faminto...
Um político corrupto...
Uma pesquisa...
Uma urna...
O voto.
Um comitê...
Um cabo eleitoral...
Um eleitor...
Um título...
O cadastro.
Uma dentadura...
Um par de sapatos...
Um par de óculos...
Cinquenta "contos".
Várias "bolsas"...
Instrumentos de dominação!