segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

NORDESTE 2016

Texto de Aloisio Guimarães

Vou remar contra a maré e arranjar briga com os meus leitores cariocas (se é que os tenha)!
Não fiquei nenhum pouco contente com a escolha do Rio de Janeiro para a sede das Olimpíadas de 2016.
Torci para ser no Brasil, mas que não fosse o Rio de Janeiro a cidade escolhida e sim em qualquer cidade do Nordeste.
Veja o meu ponto de vista e depois julgue:
Segundo projeções iniciais, deverão ser gastos cerca de R$ 29 bilhões na infraestrutura necessária à realização dos jogos, tais como, ginásios, vila olímpica, estádios, etc. Considerando que a Lei Nº 8.666 - Lei das Licitações Públicas - permite, através de aditivos, que o valor de uma obra de construção, o que é o caso, seja acrescido em até 25% do valor do seu contrato, este dispositivo legal, por si só, já eleva a estimativa inicial de gastos para perto de R$ 36 bilhões!
São 36 bilhões de reais... É muito dinheiro!
Por aceitar completamente a justificativa de que todo esse investimento tem o seu retorno garantido e que traz desenvolvimento é que questiono o porquê de não ter sido uma cidade nordestina a escolhida para sede das Olimpíadas.
- Será que nós somos mais desenvolvidos do que o sudeste e sul do país?
- Será que o povo dessas regiões necessitam mais do que os nordestinos, por exemplo, de educação, saúde, saneamento básico, estradas, água e escolas?
Sabemos que não é verdade!
Meu amigo, eu vou repetir: são 36 bilhões de reais!
- Já pensou o que poderia ser feito no Nordeste com tanta grana? Quantos Postos de Saúde, Escolas, Hospitais e Maternidades dariam para fazer? Quantos açudes, cisternas e poços artesianos poderiam ser feitos, para resolver o problema da seca?
Não me venha justificar, dizendo que receberemos uma parcela do turismo que visitará o Brasil durante os jogos porque, se esse evento fosse realizado aqui no Nordeste, o sul e o sudeste receberiam quase todos os turistas e não apenas uma pequena parcela! Não tenho a menor duvida!
Antes que você argumente sobre “mão de obra especializada”, quero lembra-lhe, por exemplo, que quem construiu e continua construindo São Paulo fomos nós, nordestinos!
Também não me venha dizer que não será usado nenhum dinheiro público para essas obras porque eu não acredito em Papai Noel!
Não tenho nada contra o esporte, muito pelo contrário! Mas tem algo que me deixa encucado:
- Se a famosa frase “O importante é competir”, de autoria de Pierre de Coubertin, idealizador dos Jogos Olímpicos da Era Moderna, é o lema das Olimpíadas, por que é que se exige tanto luxo para que um país seja a sede dos jogos?

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

TWITTANDO COMIGO!

Texto de Aloisio Guimarães

Hoje em dia, principalmente nos meios de comunicação, só se fala em twitter.
O que é chique no momento é você ter o maior número possível de "seguidores", que são os "leitores de carteirinha" daquilo que você publicar, seja uma merda ou não.
A popularidade e a importância de alguém estão sendo medidas pelo número de seguidores que ele possui no tal de Twitter. Ter milhões de seguidores faz de você uma pessoa influente; faz de você "O cara"! E, segundo notícias publicadas, hoje, no mundo todo, “O cara” do twitter é o “comediante” brasileiro Rafinha Bastos. Pasmem: a pessoa considerada como "a mais influente do twitter” é aquele mesmo cretino que fez comentários beirando à pedofilia, dizendo que “comeria a Wanessa Camargo e também o bebê dela” e, não achando pouco, declarou que as mulheres feias, que fossem estupradas, deviam dar graças a Deus (sic) e, por último, não se dando por satisfeito, ofendeu grosseiramente as inocentes crianças excepcionais da APAE. A cretinice foi tanta que a Justiça mandou recolher o seu DVD de “piadas”, que estava sendo vendido na praça!
É inacreditável o quanto tem de idiotas sendo "seguidos" por idiotas! Pessoas que nada têm a acrescentar, vazias e sem cultura, estão sendo lidas e influenciando no comportamento de milhares de pessoas!
Já estou cansado de ler em todos os sites, coisas do tipo: “Débora Secco diz no seu twitter que torce por Fulano no BBB12”; “Luana Piovani diz no seu twitter que Fulana está gordinha”, “João dos Grudes diz no seu twitter que vai passar o carnaval em Salvador”...
Sites e blogueiros idiotas, nos querendo fazer de idiotas, "seguem" pessoas idiotas e publicam os comentários idiotas destes idiotas!
Ora, bolas, quanta idiotice, o que isso acrescenta à cultura brasileira?
É por tudo isso é que não gosto do twitter, ou melhor, não gostava, porque, como diz o ditado "quando não podemos com um inimigo, nos unimos a ele”, resolvi abrir a minha conta no twitter e vou mandar o endereço para todos aquele que conheço, esperando que sejam meus seguidores e divulguem meu twitter, para que eu fique famoso e depois rico, claro!
Aos meus futuros seguidores dou-lhes a certeza de que, me seguindo, vão saber, por exemplo:
Quando comi pilombeta e arrotei lagosta.
Quando eu pensei que era só um peidinho e me caguei todo.
Quando eu brochei e disse que dei três!
Quando limpei com jornal porque não tinha mais papel higiênico.
- Afinal, não é assim mesmo que a coisa funciona? 

sábado, 18 de fevereiro de 2012

QUEM TERÁ SIDO O BENEDITO?

Texto de Aloisio Guimarães

O palmeirense João Araújo Júnior é um daqueles arquitetos que pode ser considerado “pai d’égua”! Dono de um de traço perfeito e peculiar, entre outras obras, foi ele quem projetou a Estação Rodoviária de Palmeira dos Índios e o Palácio República dos Palmares, mais conhecido como “Palácio de Vidro”, sede do Governo do Estado.
Pela sua competência, João Araújo foi Secretário de Obras e Urbanismo de Palmeira dos Índios, na gestão do prefeito Albérico Cordeiro.
Devidamente apresentado, vamos ao causo:
Certa ocasião, como fazia tempos que não nos víamos e nunca mais eu tinha ido a Palmeira, o papo não poderia deixar de ser outro:
- E aí, João, como vai Palmeira? Quais as novidades por lá?
- Palmeira vai bem... Eu é que tenho trabalhando como um condenado! Vou lhe dizer como o Cordeiro trabalha: de madrugada, às 5 da manhã, ele já está na rua, visitando a feira, fiscalizando o açougue, distribuindo os garis... E exige ser acompanhado por todo o seu secretariado!
- É... O “homem” quer mostrar serviço!
Papo vai, papo vem, perguntei:
- Tem tomado umas biritas, João?
- Ora, se não! Falando nisso, eu tenho uma pra te contar...
- Fala logo, vai...
- Teve um colega nosso, que também é secretário do Cordeiro, que tomou uma cana “daquelas”, tão braba, mas tão braba, que, quando foi mijar, caiu no banheiro e ficou “atolado” entre a parede e a privada.
- E aí, ele se machucou muito?
- Que nada, o bicho teve sorte! Mas, como ele é bastante pesado, quase que tiveram de mandar buscar uma grua (guindaste) para levantar o cabra!
 - Ôxente, foi mesmo? E quem foi “a peça”?
João Araújo deu uma risadinha e foi saindo de fininho, respondendo:
- Digo a reza, mas não digo o santo...
- Vem cá, João! Vai embora não, diz logo!
- Digo nada... Só sei que, todas as vezes que ele vai mijar, assim que entra no sanitário, a privada já começa a gemer!
Hoje, trabalhando juntos novamente, todas as vezes que encontro com João Araújo, e isso é constantemente, pergunto-lhe quem foi "o emprivadado". Mas ele dá aquela risadinha característica e cai fora.
Já que ele não quer contar, quem souber me responda:
- Quem terá sido o “Benedito”?

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

UM HOMEM MAIÚSCULO

Texto de Aloisio Guimarães

Tentarei falar o máximo do homem, muito embora seja difícil separá-lo da sua atividade política.
Batizado como José Duarte Marques, por força das aspirações políticas, incorporou ao seu nome o apelido “Jota” (como era mais conhecido do povo palmeirense), passando a ser chamado José Jota Duarte Marques. Filho de Antonio Amorim e Ana Adelaide, teve apenas uma irmã sanguínea (Maria Luiza - minha mãe) e duas irmãs adotivas (Rosa e Vitória). Casou-se com Ivonete, de tradicional família alagoana, com quem teve 7 filhos: Ana Lúcia, Alexandre (falecido), Amparo, Tereza, Fernando, Raimundo e Elizabeth.
De infância pobre, após muitos anos de trabalho árduo, conseguiu ser um próspero comerciante. A sua loja “A Princesa do Sertão”, à época, foi uma das principais lojas da região.
Como era um comerciante bastante conhecido e respeitado da população, além de ser engajado nos movimentos religiosos, Jota foi convidado a ingressar na política, tendo sido eleito vereador e prefeito de Palmeira dos Índios por 2 vezes. Em seguida, foi deputado estadual por várias legislaturas, chegando a ser Presidente da Assembleia Legislativa e assumindo temporariamente o governo do estado.
Entre os diversos cargos importantes que assumiu, ele foi diretor da COHAB e da COBEL, nos anos áureos destas empresas.
Foi na sua gestão, como prefeito, que Palmeira dos Índios foi considerada “cidade-modelo”, título que encheu de orgulho o povo palmeirense. Nesse período, a cidade era iluminada e limpa, com meios-fios pintados, ruas e praças arborizadas. Na zona rural, levou luz elétrica, ensino de primeiro grau, ambulatórios odontológicos e construiu dezenas de estradas...
Foi Jota Duarte quem criou a lei que instituiu Hino e a Bandeira de Palmeira dos Índios. Quem não se lembra dos grandes carnavais na época em que ele era prefeito?
A sua casa sempre esteve de portas abertas para povo de Palmeira dos Índios, que sabia que podia contar com ele, quando fosse preciso. Se algum dia deixou de atender a algum pedido, foi por ter sido impossível fazê-lo! Sempre procurou fazer o bem a seu semelhante, independentemente de ser seu eleitor ou não, tendo por isso conquistado uma legião de amigos e admiradores em todas as cidades do estado.
Por ter convivido com Jota, sei da sua luta diária e incansável pelo progresso da nossa terra. Infelizmente, a grande parte da população atual é formada por jovens, que nem tinham nascidos, e por pessoas, que nem moravam na cidade, quando ele foi prefeito. Inocentes, fazem um julgamento errôneo, acreditando nas mentiras que seus adversários inventaram e que divulgaram, com carros de som, pelas ruas da cidade.
O ser humano deve ser avaliado pelos seus erros e seus acertos. Tenho certeza de que os seus acertos superaram, em dezenas de vezes, os seus erros.
Particularmente, tenho uma dívida de gratidão: foi ele quem me acolheu na sua casa, durante muitos anos, quando eu era estudante e não tinha onde morar, aqui em Maceió. Nunca esqueci que tive o tratamento igual ao que dava aos seus filhos, chegando até a receber a mesma mesada que ele lhes dava. A sua ajuda foi essencial para meus estudos e minha formação. Sem ela, com certeza, eu ainda estaria aí, em Palmeira dos Índios, "vendendo cachaça no bar do meu pai" e talvez tivesse até me tornado um alcoólatra!
A RAZÃO DA MINHA MAIOR ADMIRAÇÃO PELO HOMEM JOTA DUARTE É TER A CERTEZA DE QUE, APÓS VÁRIOS ANOS NA POLÍTICA, ELE SAIU DELA IGUAL OU MAIS POBRE DO QUE QUANDO ENTROU E SEM NENHUM HISTÓRICO DE VIOLÊNCIA EM SEU CURRÍCULO!
Mesmo distante, nunca esqueci (e nem esquecerei) o que ele fez por mim e pela minha terra!
Tenho muitos defeitos, mas a ingratidão não está entre eles, por isso:
- Obrigado, tio Jota; muito obrigado mesmo!
 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

CRIANÇA DIZ CADA UMA!

Texto de Aloisio Guimarães

A revista MANCHETE, para quem não sabe, foi um sucesso editorial do passado, comparado atualmente à revista VEJA, sendo leitura obrigatória de todo brasileiro. Nesta revista, o médico, escritor, jornalista, dramaturgo e compositor Pedro Bloch escrevia a coluna “CRIANÇA DIZ CADA UMA!”, contando fatos pitorescos, tendo como personagem central a criança. O sucesso foi tão grande que as historinhas foram publicadas em livro.
Somente após escrever o causo “VOVÔ-GAROTO” é que me lembrei de um episódio semelhante acontecido com a amiga e engenheira Nina Kátia, figura bastante conhecida dos engenheiros e arquitetos, pelo trabalho que desenvolve no CREA/AL, além de ser engenheira da Secretaria Estadual da Saúde.
Certo dia, ao encontrá-la, perguntei-lhe:
- Nina, soube que você requereu a aposentadoria... Mas você é tão nova e já quer se aposentar?
- É verdade, Aloisio. Mesmo gostando dos meus colegas e do meu trabalho, chega um momento que o amor à família fala mais forte do que tudo, sem contar com os aborrecimentos dos salários baixos pela não valorização profissional da nossa classe...
E não é que ela está certa?
Agora, vamos ao causo:
Como não tem muito com quem brincar, a única opção de Liz (carinhosamente chamada de Lili), neta da Nina, é recorrer “aos serviços da vovó” para este fim.
Como toda criança brinca sempre sentada, Nina é obrigada a sentar-se também, para satisfazer os desejos da neta querida.
Certo dia, após brincarem durante certo tempo, a Liz se levanta e sai correndo ”na maior”! Como a idade pesa, principalmente depois dos 50, com a Nina, o ato de levantar-se é muito diferente: primeiro ela coloca as  mãos no chão, para apoio; depois, no sofá e, após se levantar com dificuldades, coloca as duas mãos “nos quartos”, todos doloridos. Isso tudo sem aquele tradicional “ai”...
Ao vê-la gemer, a Liz, toda aflita perguntou:
- O que foi voinha, tá doente?
- Não, Lili, é a voinha que tá veinha...
Após meditar um pouco, a Lili, com aqueles olhos azuis que Deus lhe deu, fita o rosto da Nina e procura confortá-la:
- Não, voinha, você não é veinha, não! Você é coroa...
Ouvindo esta afirmativa e “acreditando que criança não mente”, a Nina ficou toda feliz da vida!
Eu acredito que criança mente...

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

O VOVÔ-GAROTO

Texto de Aloisio Guimarães

Dylson de Luiz de Medeiros é uma daquelas pessoas que você não consegue deixar de gostar. Além de ser um bom profissional, engenheiro de formação, é inteligente, tendo resposta divertida para qualquer situação cômica que se apresente.
Nota-se claramente o quanto ele é educado ao observar a maneira respeitosa como ele se dirige aos mais velhos, mesmos para aqueles com que tem amizade e anos de convivência; tratando seus interlocutores não com humildade e nem submissão, mas com aquilo que se chama “berço”.
“Cebolinha”, como é carinhosamente chamado pela grande semelhança facial que ele tem com o famoso personagem da "TURMA DA MÔNICA", obra do genial Maurício de Sousa, faz da convivência cotidiana na empresa, momentos prazerosos para todos nós. Foram pouquíssimas as vezes, nestes 14 anos que trabalhamos juntos, que vi o Dylson “perder as estribeiras”, por qualquer motivo, quer fosse banal ou sério.
Apresentada a figura, vamos ao causo:
Um dia destes, numa segunda-feira, ele chegou cabisbaixo na repartição em que trabalhamos.
Notando o seu abatimento, perguntei-lhe:
- O que foi, Dylson? Estás doente?
No que ele respondeu:
- Não, estou é num baixo astral dos diabos...
- O que foi que houve?
- Aloisio, ontem eu fui jogar bola com a turma lá do meu bairro, como fazemos todo final de semana. Estava tudo bem, até que, quando eu estava com a bola, um garoto do meu time, gritou: “- Toca a bola pra mim, coroa”!
- Qual é o problema?
- O problema?! O problema é que eu parei e pensei: “- Será que estou ficando velho?” Então, cara, de fininho, “tirei meu time de campo” e fui para casa...
Não sei a idade do Dylson, mas, mesmo que já tenha 50, não parece; com a aparência de menino que tem, ele nem pense em começar a disputar “campeonato de veteranos”; pode continuar batendo sua bolinha com os garotos da sua rua mesmo.
- De qualquer modo, Dylson, não esquente porque só não envelhece quem já morreu. Deixe para se preocupar com a idade somente depois que aparecer o primeiro pentelho branco... No momento que isto acontecer, aí é verdade que você está ficando velho, “coroa”!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

OLHA O SERVIÇO, MARIA DE LOURDES!

Texto de Aloisio Guimarães

Nos dias atuais, os cegos já conseguem ler, andam com bengalas modernas, animais (principalmente cães) são treinados para guiá-los, as calçadas possuem pisos indicativos, etc...
Antigamente, a coisa era completamente diferente: todo cego era guiado por meio de uma vara, mais ou menos do tamanho de um cabo de vassoura. O guia seguia à frente, segurando em uma das pontas do pau, e o cego, atrás, segurando a outra ponta.
Em Palmeira dos Índios, “A Princesa do Sertão Alagoano”, minha inesquecível terra natal, nos anos 60/70, morava um ceguinho, cujo guia era a sua mulher, de nome Maria de Lourdes.
Eles circulavam pela cidade inteira, todo santo dia, pedindo esmolas à população. É evidente que era a Maria de Lourdes que andava à frente, segurando o pau do ceguinho, no bom sentido, claro!
Mas acontece que, vez por outra, a Maria Lourdes se esquecia de avisar ao ceguinho de algum obstáculo à sua frente, do tipo meio-fio, poste, poça d’água... E, por causa desse descuido, o ceguinho sempre levava algum “desacerto”. Nessas ocasiões, “puto da vida”, ele gritava bem alto, para a sua mulher:
- Olha o serviço, Maria de Lourdes!
Pouco a pouco, a população começou a perceber a constância com que o cego advertia a sua guia. Assim, com o passar do tempo, não deu outra: todo mundo na cidade passou a usar esta frase sempre que queria chamar a atenção de alguém, para algo que estava acontecendo ou prestes a acontecer.
Assim, por exemplo:
● Quando um filho estava fazendo uma traquinagem, o seu pai o repreendia, dizendo: “- Olha o serviço, Maria de Lourdes!”. Ouvindo isto, o garoto sabia que devia se comportar senão o “couro comia”!
● Quando dois rapazes estavam conversando e passava uma garota boazuda no outro lado da rua, aquele que a tinha visto, para que o outro também a visse, rapidamente dizia “- Olha o serviço, Maria de Lourdes!”.
De modo que este bordão foi usado por muitos anos na cidade. O interessante é que o ceguinho morreu no anonimato: todo mundo conhecia o nome da Maria de Lourdes, mas duvido que alguém soubesse o nome do ceguinho!
- Finalmente, não sei informar se quem morreu primeiro foi a Maria de Lourdes ou se foi o ceguinho. Em outras palavras, não sei dizer se foi a Maria de Lourdes que ficou sem o pau para pegar ou se foi o ceguinho que ficou sem ninguém para pegar no seu pau!

Agradeço ao amigo e também palmeirense Marcos Lucena, o "Marcão", o envio, em 24/10/2016, da foto abaixo, onde aparece a Maria de Lourdes, segurando o "pau do ceguinho" e com a lata de esmola nas mãos. Infelizmente o ceguinho não está na foto - provavelmente a imagem foi obtida depois da morte dele.


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

ABAIXO A LEI DA GRAVIDADE!

Texto de Aloisio Guimarães

Uma das mais memoráveis campanhas eleitorais já ocorridas em Palmeira dos Índios se deu no ano de 1969, quando concorreram ao cargo de prefeito, de um lado, o pecuarista Minervo Pimentel e, de outro, o empresário Noé Simplício, até então um dos homens mais ricos do nosso estado.
Apresentaram-se para os eleitores com duas ideologias políticas distintas: Minervo, com o slogan “COM DEUS E O POVO”, se apresentou como sendo o defensor dos humildes, contrapondo-se à elite palmeirense, representada na figura de Noé..
Tinham compleições físicas diferentes: Minervo era baixinho; bigodinho no rosto; óculos de grau, com armação grossa, de cor preta; rosto moldado pelo trabalho árduo... Noé tinha estatura mediana, fala mansa, boa cultura, aparência de nobreza e riqueza...
Lembro-me que, quando criança, comprei muito leite a dona Lourdes (esposa de Minervo) e muito cigarro (para o bar do meu pai) no armazém de Noé.
Voltando ao causo...
Foi uma eleição acirrada e disputada voto a voto. Quem viveu nessa época jamais vai esquecer o dia do encerramento da campanha política. Neste dia, o comício de Noé acontecia na Praça da Independência e, por volta das 11 da noite, no final dos discursos, eis que, do outro lado da praça, surge uma passeata de Minervo Pimentel, com ele sendo carregado nos braços do povão. Todos que estavam no comício do Noé, sem exceção, ficaram impressionados com a multidão que seguia Minervo Pimentel.
Pois bem, contados os votos, Minervo foi eleito prefeito de Palmeira dos Índios por apenas 6 (seis) votos. Isso mesmo, meia dúzia de votos!
A elite da cidade nunca engoliu essa derrota e procurou transformar o prefeito em um ser analfabeto, numa figura folclórica, criando diversas histórias a seu respeito.
Uma das mais citadas é a seguinte:
A companhia de abastecimento de água do estado - CASAL - estava ampliando o sistema de distribuição de água de Palmeira dos Índios e necessitava construir um novo reservatório. Como todo prefeito quer mostrar suas obras ao povo, Minervo defendia a tese de construir o tal reservatório na parte baixa da cidade, em um local em que a população pudesse vê-lo nitidamente. Acontece que os técnicos da companhia de água alegaram que, por economia, o reservatório deveria ser construído na parte alta, uma vez que a distribuição da água respeitaria a famosa “Lei da Gravidade”, de Isaac Newton.
Ao ouvir tal alegação, o prefeito teria dito:
- Que Newton que nada! Quem manda nessa cidade é o prefeito e o prefeito sou eu!
Dito isso, chamou o vereador Jaime Guimarães, seu líder na Câmara Municipal, e ordenou:
- Jaime, reúna imediatamente os vereadores e elaborem uma lei para derrubar essa tal Lei da Gravidade.
No outro dia, o vereador Jaime Guimarães volta e lhe comunica:
- Senhor Prefeito, não podemos derrubar a tal lei porque ela não é uma lei municipal, ela é uma lei federal!
De uma tacada só, atingiam não somente o prefeito, mas também um de seus filhos, engenheiro e conceituado Professor de Física.
A história ganhou repercussão nacional, sendo noticiada na página 12 do Jornal do Brasil, edição de 10 de junho de 1971 e serviu de texto para piadas com prefeitos pelo Brasil afora...
Imposição ou não do prefeito, existe um reservatório construído na parte baixa da cidade...
Gozação à parte, Minervo Fernandes Pimentel foi um dos melhores prefeitos que Palmeira dos Índios já teve.
Quem estudava no Colégio Estadual Humberto Mendes (à época um dos melhores colégios do estado) ou morava nas suas imediações, sabe muito bem o benefício trazido por uma ponte por ele construída e logo batizada pelo povo de “MINERVÃO”!
Em minha opinião, o seu único “pecado” foi ter acabado com a bela Praça das Casuarinas!
Como homem e administrador, Minervo Fernandes Pimentel foi uma reserva moral de Palmeira dos Índios.