sexta-feira, 5 de junho de 2015

O CASAMENTO DO LOBISOMEM COM A MÃE D'ÁGUA

Texto de Antonio Vendramini Neto

Na pequena cabana do roceiro-lenhador, a tarde se fez noite. Pela janela do casebre, via-se um pequeno clarão, provocado pela vela acesa sobre a mesa, onde estava um pedaço de pão endurecido, para saciar a fome daquele homem, de grande musculatura, em razão de seus golpes vigorosos do machado, no corte de lenha para acender o fogo e aquecer o ambiente, naquelas noites frias de invernos chuvosos.
Morava sozinho. Era o sétimo filho de uma família que se mudou do pequeno vilarejo para melhorar de vida; não acompanhou seu pessoal; ficou, a mando do pai, para colher a última safra de milho que ainda demoraria mais alguns meses e, após a colheita, juntar-se-ia aos pais e a todas as suas irmãs, pois era o único filho homem e, sobravam-lhe todos os serviços pesados da casa.
E, assim, foi vivendo aquela criatura de modos estranhos, arredio, inquieto nas noites de luar, quando contemplava o vazio da escuridão, com olhares soturnos, voltados para aquela montanha que predominava o vale, entrecortado por um belo riacho.
Um dia... Acendeu um cigarro de palha e ficou aguardando a noite esperada de sua vida solitária; olhou pela janela e viu o luar crescendo. Sentiu um arrepio no corpo, o sangue ferveu-lhe nas veias, entrou em agonia, meteu o pé na porta e saiu, como um foguete, em direção à montanha.
Subiu vigorosamente o aclive e chegou ao cume, contemplou o vale e o riacho caudaloso, de onde avistou, com os olhos aguçados, o corpo de uma mulher, que o atraía com um canto hipnotizante.
Ele já percebia os longos pelos nos braços; uivou em direção aos céus, rosnou com a boca aberta por onde salivava imensamente, desceu a galope em um trote louco, pensou em sua mãe que não estava ali para segurá-lo e acalmar seu ímpeto, uma vez que só ela sabia daquele segredo.
Sentiu a fúria dos aloprados penetrando em seu íntimo; não se conteve e partiu, em uma desabalada carreira, em busca daquele corpo de mulher, que estava sentada às margens do riacho, mostrando uma bela silhueta, uma criatura de água doce, que vivia nas matas entre lagos, rios e cachoeiras.
Tinha cabelos longos e olhos verdes e estava banhando-se no lago; ao avistar aquela figura, mergulhou e logo veio à tona, convidando-o para ser seu amante; contemplou-a com sedução monstruosa, envolvido pelo canto de uma sereia...
Não tirou a roupa, pois já estava nu com o corpo coberto por aqueles pelos... Pulou na água, provocando ondas que embalaram os desejos da Mãe D’Água, rolou como um louco e valsou nas águas a dança dos lobos; faminto de volúpia saciou sua sede que mantinha sua vida por uma eternidade. 
O sol raiou para um novo dia, a luz bateu em sua fronte, saiu correndo para refugiar-se, da claridade, em seu reduto de sofrimento solitário.
Mãe D’Água desapareceu daquelas paragens, escondeu-se em uma caverna e depois de alguns meses deu à luz uma criatura horripilante, o famigerado “Caipora”, que se tornou o protetor da caça e das matas, conforme consta uma lenda indígena.
Um velho cacique, em uma roda de fogo, contava aos seus netos que, nas noites de luar, era visto caminhando no dorso de um porco do mato e se notava, então, os seus pés para trás; dizia-se que era para despistar seus seguidores, pois deixava rastros confusos. Todos que o encontravam queriam extingui-lo da face da terra, porque quando o viam, perdiam totalmente o rumo e ficavam confusos nas florestas.
Tornou-se o demônio do mata e perseguia suas presas naquela estranha montaria. Nas noites de luar, contou o velho cacique, se via um pequeno índio transloucado, fumando cachimbo no dorso do animal e pedindo pinga aos caminhantes das estradas. Tornou-se uma lenda, contada até os dias de hoje, e tem sido, então, o guardião da vida animal nas densas florestas.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

ÔXENTE!

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES


HÁBITO E ATITUDES

Texto de Roberto Shinyashiki

Crescer não significa só aprender. É preciso que os conhecimentos transformem-se em atitudes. E muitas vezes isso não acontece porque não queremos abandonar velhos comportamentos. Faz tanto tempo que convivemos com eles que parece que fazem parte de nossa identidade, de nossa natureza.
No entanto, pensamentos, sentimentos e atitudes são como roupas: estão em você, mas não são você. Se já não servem mais, abandone-os e procure ideias novas que lhe tragam os resultados desejados. Você tem de ser dono de seus pensamentos, e não escravo deles.
Os maiores escravizadores dos seres humanos são:
1. OS HÁBITOS
Aquela frase "Eu sempre fui assim" condena você a continuar sempre assim. Você sempre foi assim porque o ensinaram a ser assim. Então, escolha ser de outra maneira e vai descobrir que, aos poucos, estará agindo de modo diferente. Não seja escravo do passado. Se tiver de ser escravo, seja escravo dos seus sonhos.
2. A AUTOIMAGEM
A maneira como você se vê impede você de ser você mesmo. Quando alguém diz "Eu sou assim", não consegue descobrir que é muito maior do que sua imagem. Quando alguém diz "Eu sou tímido", não consegue deixar de ser tímido. Não crie rótulos para você. Rótulos são bons para refrigerantes. Você é muito mais do que uma marca de refrigerante. Preste atenção em você e descubra-se maior do que os seus rótulos.
3. A OPINIÃO DOS OUTROS
Há muita gente que sempre muda de caminho porque quer agradar a todo o mundo. Escolha seus orientadores e mantenha a sua rota. Você tem de confiar em você, mesmo que ninguém confie. Esteja sempre pronto a reavaliar a sua estratégia, mas não deixe os outros pilotarem o barco da sua vida.
Para mudar nossa mentalidade e nossas atitudes, é preciso que estejamos dispostos a enfrentar o desconhecido. E é frequentemente aí que começam os problemas, porque, mesmo enfrentando dificuldades, as pessoas preferem dizer: "Eu sempre fiz assim e sempre funcionou!". Só que o "sempre foi assim" é uma ilusão e, na maioria das vezes, a desculpa para não evoluir.
Os campeões adoram o desafio de fazer diferente, têm prazer em ser diferentes, são fascinados pelo pensar diferente, porque sabem que os desafios os obrigam a crescer. Enquanto isso, os perdedores dizem que "Já está bom". E ficam parados no mesmo lugar. Para os perdedores, a acomodação é fácil. Para os campeões, é uma sentença de morte.
Comprometa-se com o que você se propõe, pois assim terá forças para as mudanças que forem necessárias. Mais importante do que o desejo de mudar é o comprometimento com a mudança.