domingo, 12 de abril de 2020

DESABAFO DE UM GORDINHO

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

É, amigos, as coisas mudam!
Quando me casei pela primeira vez, há uns bons 25 anos atrás, minha primeira mulher me achava um tesão. Descasei depois de 21 anos e me juntei com outra mulher e essa já me achava um pesão!
Daí estive refletindo e há certas coisas que me incomodam…
Algumas ocasiões são realmente muito desagradáveis na vida de um gordo. Ir a um motel, com toda certeza, é uma delas. Tudo em um motel parece que foi projetado minuciosamente para sacanear com a cara dos obesos. Reparem só: na grande maioria desses estabelecimentos é preciso subir uma escadaria para chegar ao quarto e isso não se faz; ou o gordo trepa ou sobe escada. As duas coisas no mesmo dia são impraticáveis. O gordo chega tão esgotado no quarto que parece até que já deu duas no caminho. A parceira, então, propõe uma hidromassagem para relaxar. O que, na verdade, quer dizer: “Por que você não vai tomar banho, seu gordo sebento?”. Já na banheira, o gordo percebe que nem a água quer ficar com ele; metade cai fora, preferindo manter uma relação mais íntima com o chão do banheiro. Dá um friozinho na barriga... Até porque, parte da barriga, como um iceberg, fica para fora da espuma. Mas é na saída do banho que a situação fica ainda mais ridícula. Chega o fatídico momento de colocar o roupão. É triste... Com algum esforço, o cinto até fecha, mas o roupão não. Fica aquele decote tipo Luma, que dá para ver até o umbigo. Só que, no lugar da Luma, está o Jô, saca? É constrangedor...
Quando o gordo finalmente chega no quarto, a situação consegue ficar ainda pior. Se um elefante incomoda muita gente, dez elefantes de roupão refletidos nos espelhos incomodam muito mais. Para que tanto espelho? Se o próprio gordo já fica mal, imagina a parceira cercada pela manada? Se eu fosse ela, não dava mais de comer aos animais. Mas de todos os espelhos o mais cruel, sem dúvida, é o do teto. A vista é estarrecedora. Dá até para entender por que a maioria das mulheres transa com os olhos fechados. Acho que a única utilidade de tantos espelhos e para gente conseguir ver o pinto que a barriga não deixa a gente ver há muitos anos. Já faço até xixi no piloto automático. Eu, como sou um gordo experiente, uso uma tática infalível: ligo o ar-condicionado no máximo para forçar o uso do lençol. Afinal, o que os olhos não veem…

sábado, 4 de abril de 2020

A FLOR DA HONESTIDADE

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Por volta do ano 250 a.C., na China antiga, um Príncipe da região norte do país, estava às vésperas de ser coroado Imperador, mas, de acordo  com a lei, ele deveria se casar.
Sabendo disso, ele resolveu fazer uma "disputa" entre as moças da Corte ou quem quer que se achasse digna de ser sua esposa.
O Príncipe anunciou que receberia, numa celebração especial, todas as pretendentes e que lançaria um desafio.
Uma velha senhora, serva do palácio há muitos anos, ouvindo os comentários sobre os preparativos, sentiu uma leve tristeza, pois sabia que sua jovem filha nutria um sentimento de profundo amor pelo Príncipe.
Ao chegar em casa e relatar o fato à jovem, espantou-se ao saber que ela pretendia ir à celebração e indagou incrédula :
- Minha filha, o que você fará lá? Estarão presentes todas as mais belas e ricas moças da Corte. Tire esta ideia insensata da cabeça ! Eu sei que você deve estar sofrendo, mas não torne o sofrimento uma loucura.
E a filha respondeu:
- Não, querida mãe, não estou sofrendo e muito menos louca. Eu sei que jamais  poderei ser a escolhida, mas é minha oportunidade de ficar pelo menos alguns momentos perto do Príncipe, isto já me torna feliz.
Quando a jovem chegou ao palácio, viu que, de fato, lá estavam, todas as mais belas moças, com as mais belas roupas, com as mais belas joias e com as mais determinadas intenções. Então, finalmente, o Príncipe anunciou o desafio:
- Darei a cada uma de vocês, uma semente. Aquela que, dentro de seis meses, me trouxer a mais bela flor, será escolhida minha esposa e futura Imperatriz da China.
A proposta do Príncipe não fugiu às tradições do povo, que valorizava em muito a especialidade de "cultivar" algo, quer sejam costumes, amizades, relacionamentos, etc... O tempo passou e a doce jovem, como não tinha muita habilidade nas artes da jardinagem, cuidava com muita paciência e ternura da sua semente, pois sabia que, se a beleza da flor surgisse na mesma extensão de seu amor, ela não precisava se preocupar com o resultado. Passaram-se três meses e nada surgiu...
A jovem tudo tentara, usou de todos os métodos que conhecia, mas nada havia nascido. Dia após dia, ela percebia cada vez  mais longe o seu sonho, mas cada vez mais profundo o seu amor. Por fim, os seis meses haviam passado e nada havia brotado. Consciente do seu esforço e dedicação, a moça comunicou a sua mãe que, independente das circunstâncias, retornaria ao palácio, na data e hora combinadas, pois não pretendia nada além de mais alguns momentos na companhia do Príncipe. Na hora marcada, ela estava lá, com seu vaso vazio, bem como todas as outras pretendentes, cada uma com uma flor mais bela do que a outra, das mais variadas formas e cores. Ela estava admirada, nunca havia presenciado tão bela cena.
Finalmente, chega o momento esperado e o Príncipe observa cada uma das pretendentes, com muito cuidado e atenção. Após passar por todas, uma a uma, ele anuncia o resultado e indica a bela jovem como sua futura esposa.
As pessoas presentes tiveram as mais inesperadas reações. Ninguém compreendeu porque ele havia escolhido justamente aquela que nada havia cultivado. Então, calmamente, o Príncipe  esclareceu:
- Esta foi a única que cultivou a flor que a tornou digna de se tornar uma Imperatriz: A FLOR DA HONESTIDADE, pois todas as sementes que entreguei eram estéreis!

quinta-feira, 2 de abril de 2020

DICIONÃRIO DA VIDA

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES
 
Pequeno dicionário para entender mais profundamente o significado de algumas palavras importantes na nossa vida, explicado com o sentimento, sem a formalidade das regras gramaticais ou amarras filosóficas, extraído do livro “O Homem que Veio da Sombra” de Luiz Gonzaga Pinheiro:
Adeus
É quando o coração que parte deixa a metade com quem fica.
Amigo
É alguém que fica para ajudar quando todo mundo se afasta.
Amor ao próximo
É quando o estranho passa a ser o amigo que ainda não abraçamos.
Caridade
É quando a gente está com fome, só tem uma bolacha e reparte.
Carinho
É quando a gente não encontra nenhuma palavra para expressar o que sente e fala com as mãos, colocando o afago em cada dedo.
Ciúme
É quando o coração fica apertado porque não confia em si mesmo.
Cordialidade
É quando amamos muito uma pessoa e tratamos todo mundo da maneira que a tratamos.
Doutrinação
É quando a gente conversa com o Espírito colocando o coração em cada palavra.
Entendimento
É quando um velhinho caminha devagar na nossa frente e a gente, estando apressado, não reclama.
Evangelho
É um livro que só se lê bem com o coração.
Evolução
É quando a gente está lá na frente e sente vontade de buscar quem ficou para trás.
É quando a gente diz que vai escalar um Everest e o coração já o considera feito.
Filhos
É quando Deus entrega uma joia em nossas mãos e recomenda cuidá-la.
Fome
É quando o estômago manda um pedido para a boca e ela silencia.
Inimizade
É quando a gente empurra a linha do afeto para bem distante.
Inveja
É quando a gente ainda não descobriu que pode ser mais e melhor do que o outro.
Lágrima
É quando o coração pede aos olhos que falem por ele.
Lealdade
É quando a gente prefere morrer que trair a quem ama.
Mágoa
É um espinho que a gente coloca no coração e se esquece de retirar.
Maldade
É quando arrancamos as asas do anjo que deveríamos ser.
Morte
Quer dizer viagem, transferência ou qualquer coisa com cheiro de eternidade.
Perfume
É quando mesmo de olhos fechados a gente reconhece quem nos faz feliz.
Netos
É quando Deus tem pena dos avós e manda anjos para alegrá-los.
Obsessor
É quando o Espírito adoece, manda embora a compaixão e convida a vingança para morar com ele.
Ódio
É quando plantamos trigo o ano todo e estando os pendões maduros a gente queima tudo em um dia.
Orgulho
É quando a gente é uma formiga e quer convencer os outros de que é um elefante.
Perdão
É uma alegria que a gente dá e que pensava que jamais a teria.
Paz
É o prêmio de quem cumpre honestamente o dever.
Pessimismo
É quando a gente perde a capacidade de ver em cores.
Preguiça
É quando entra vírus na coragem e ela adoece.
Raiva
É quando colocamos uma muralha no caminho da paz.
Saudade
É estando longe, sentir vontade de voar; e estando perto, querer parar o tempo.
Sexo
É quando a gente ama tanto que tem vontade de morar dentro do outro.
Simplicidade
É o comportamento de quem começa a ser sábio.
Sinceridade
É quando nos expressamos como se o outro estivesse do outro lado do espelho.
Solidão
É quando estamos cercados por pessoas, mas o coração não vê ninguém por perto.
Supérfluo
É quando a nossa sede precisa de um gole de água e a gente pede um rio inteiro.
Ternura
É quando alguém nos olha e os olhos brilham como duas estrelas.
Vaidade
É quando a gente abdica da nossa essência por outra; geralmente pior.