quinta-feira, 12 de novembro de 2020

LIÇÕES DA ARCA DE NOÉ

 POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES


“Jamais se desespere em meio às mais sombrias aflições de sua vida, pois é da nuvem mais negra que cai a água mais límpida e fecunda.” Provérbio chinês.
01. Não perca o embarque.
02. Lembre-se de que estamos todos no mesmo barco.
03. Planeje para o futuro: não estava chovendo quando Noé construiu a Arca.
04. Mantenha-se em forma: quando você tiver 60 anos, alguém pode lhe pedir para fazer algo realmente grande.
05. Não dê ouvido aos críticos; apenas continue a fazer o trabalho que precisa ser feito.
06. Construa seu futuro em terreno alto.
07. Por segurança, viaje em pares.
08. A velocidade nem sempre é uma vantagem: os caramujos também estavam a bordo, juntos com os leopardos.
09. Quando estiver estressado, flutue por um tempo.
10. Lembre-se: a Arca foi construída por amadores; o Titanic por profissionais.
11. Não importa a tempestade, pois quando você está com Deus há sempre um arco-íris te esperando.

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

JOGO FEITO

 Texto de Aloisio Guimarães

Uma das versões da origem do baralho diz que ele foi inventado pelo pintor francês Jacquemin Gringonneur, obedecendo a uma ordem do rei Carlos VI de França, que idealizou os naipes do baralho como forma de representar as divisões sociais da França: o Clero (Copas), a Burguesia (Ouro), os Militares (Espada) e os Camponeses (Paus).
O baralho mais usado nos países de língua portuguesa possui 52 cartas, distribuídas em 4 naipes e em 13 valores diferentes: um Ás (representado pela letra A); todos os números de 2 a 10; e três figuras: o Valete, marcado com a letra J (do inglês Jack); a Dama ou Rainha, marcada com a letra Q (de Queen) e o Rei, marcado pela letra K (de King).
Ao Ás, geralmente é atribuído o valor 1 e às figuras são dados, respectivamente, os valores de 11, 12 e 13. Mas, em determinados jogos, o Ás é a carta de maior valor.
Dependendo do jogo e da definição dos participantes, muitos jogos usam duas cartas a mais, com a figura do Coringa, representado pelo Bufão da Corte (Palhaço), que não tem naipe e por isso pode representar qualquer carta.
A primeira versão do baralho tinha 78 cartas. Tempos depois é que atribuíram significados a cada uma das cartas, sendo que as figuras seriam personalidades históricas e bíblicas:
• NAIPE DE COPAS (♥)
Rei: Júlio César, que simboliza as legiões romanas.
Dama: Judite, personagem bíblica.
Valete: La Hire, cavaleiro que lutou com Joana D’Arc
• NAIPE DE OURO (♦)
Rei: o rei Carlos Magno.
Dama: Raquel, filha do profeta Abraão.
Valete: sir Heitor, membro da Távola Redonda.
• NAIPE DE ESPADA (♠)
Rei: o rei israelita Davi.
Dama: a deusa grega Atena.
Valete: Hogier, primo de Carlos Magno.
• NAIPE DE PAUS (♣)
Rei: o rei Alexandre, o Grande.
Dama: Elizabeth I, rainha da Inglaterra.
Valete: sir Lancelot.
Dentre os jogos de cartas mais conhecidos no Brasil estão: Pôquer, Black Jack, Paciência, Buraco (Canastra ou Biriba), Bridge, Pif-Paf (Relancinho) e Truco.
Agora, você já sabe as cartas que tem nas mãos...

domingo, 8 de novembro de 2020

COMO SE FAZ JUSTIÇA

 POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

O texto é antigo, mas digno de aplausos.
Abaixo, a decisão do Desembargador José Luiz Palma Bisson, do Tribunal de Justiça de São Paulo, proferida em 2006, num recurso de Agravo de Instrumento ajuizado contra decisão de um magistrado da cidade de Marília (SP), que negou os benefícios da justiça gratuita ao menor  Isaias Gilberto Rodrigues Garcia, filho de um marceneiro, morto atropelado por uma motocicleta, quando voltava, a pé, do trabalho. Isaias, fez-se representado pela sua mãe, solteira e desempregada, para requerer em juízo, contra Rodrigo da Silva Messias, o autor do atropelamento, a pensão de um salário mínimo, acrescida de uma indenização por dano moral. E, por não ter condições financeiras para pagar custas do processo, Isaias requereu a gratuidade prevista na Lei 1060. O Juiz, no entanto, negou-lhe o direito, alegando que ele não apresentou prova de pobreza, além de ser representado, no processo, por "advogado particular".
NA ÍNTEGRA, A DECISÃO DO DESEMBARGADOR:
Que sorte a sua, menino, depois do azar de perder o pai e ter sido vitimado por um filho de coração duro, ou sem ele, com o indeferimento da gratuidade que você perseguia. Um dedo de sorte apenas, é verdade, mas de sorte rara, que a loteria do distribuidor, perversa por natureza, não costuma proporcionar. Fez caber a mim, com efeito, filho de marceneiro como você, a missão de reavaliar a sua fortuna.
Aquela para mim maior, aliás, pelo meu pai - por Deus ainda vivente e trabalhador - legada, olha-me agora. É uma plaina manual feita por ele em pau-brasil, e que, aparentemente enfeitando o meu gabinete de trabalho, a rigor diuturnamente avisa quem sou, de onde vim e com que cuidado extremo, cuidado de artesão marceneiro, devo tratar as pessoas que me vêm a julgamento disfarçados de autos processuais, tantos são os que nestes vêem apenas papel repetido. É uma plaina que faz lembrar, sobretudo, meus caros dias de menino, em que trabalhei com meu pai e tantos outros marceneiros como ele, derretendo cola coqueiro - que nem existe mais - num velho fogão a gravetos que nunca faltavam na oficina de marcenaria em que cresci; fogão cheiroso da queima da madeira e do pão com manteiga, ali tostado no paralelo da faina menina.
Desde esses dias, que você menino desafortunadamente não terá, eu hauri a certeza de que os marceneiros não são ricos não, de dinheiro ao menos. São os marceneiros nesta Terra até hoje, menino saiba, como aquele José, pai do menino Deus, que até o julgador singular deveria saber quem é.
O seu pai, menino, desses marceneiros era. Foi atropelado na volta a pé do trabalho, o que, nesses dias em que qualquer um é motorizado, já é sinal de pobreza bastante. E se tornava para descansar em casa posta no Conjunto Habitacional Monte Castelo, no castelo somente em nome habitava, sinal de pobreza exuberante. Claro como a luz, igualmente, é o fato de que você, menino, no pedir pensão de apenas um salário mínimo, pede não mais que para comer. Logo, para quem quer e consegue ver nas aplainadas entrelinhas da sua vida, o que você nela tem de sobra, menino, é a fome não saciada dos pobres.
Por conseguinte um deles é, e não deixa de sê-lo, saiba mais uma vez, nem por estar contando com defensor particular. O ser filho de marceneiro me ensinou inclusive a não ver nesse detalhe um sinal de riqueza do cliente; antes e ao revés a nele divisar um gesto de pureza do causídico. Tantas, deveras, foram as causas pobres que patrocinei quando advogava, em troca quase sempre de nada, ou, em certa feita, como me lembro com a boca cheia d'água, de um prato de alvas balas de coco, verba honorária em riqueza jamais superada pelo lúdico e inesquecível prazer que me proporcionou. Ademais, onde está escrito que pobre que se preza deve procurar somente os advogados dos pobres para defendê-lo? Quiçá no livro grosso dos preconceitos...
Enfim, menino, tudo isso é para dizer que você merece sim a gratuidade, em razão da pobreza que, no seu caso, grita a plenos pulmões para quem quer e consegue ouvir. Fica este seu agravo de instrumento então provido; mantida fica, agora com ares de definitiva, a antecipação da tutela recursal.
É como marceneiro que voto.
PALMA BISSON
Relator Sorteado