sábado, 18 de janeiro de 2025

CASÉ E A FERIDA DE JOÃO BARROS

Texto de Aloisio Guimarães

Lá em casa moravam 11 pessoas: meus pais, os oito filhos e a empregada. Digo "empregada" por força de expressão uma vez que as empregadas de antigamente eram meninas pobres, criadas pelas famílias, sem salário, em troca de comida e roupa.
Nós tínhamos a Judite, que chegou adolescente e saiu adulta, para ir trabalhar na cidade do Rio de Janeiro.
Resumo da ópera: era muita gente para alimentar, “fora o resto” (sapato, roupa, livro, caderno...), e o salário de meus pais era uma merreca. Acho que a nossa renda familiar deveria ser, no máximo, três salários mínimos. Era um verdadeiro sufoco que meus velhos passavam para colocar comida na mesa. Por conta disso tudo, tanto eu como qualquer um dos meus irmãos tem autoridade para falar sobre a Fome.
Isto posto, vamos ao causo...
Em Palmeira dos Índios, vivia um cidadão, de nome João Barros, que tinha uma daquelas feridas crônicas, enorme, que tomava quase toda a sua perna direita. Quando as pessoas se aproximavam de onde ele estava, mudavam o olhar, fugindo da visão desagradável da sua ferida. João Barros morreu e não conseguiu se livrar da dita cuja.
O meu irmão Casé tinha um verdadeiro nojo e pavor da ferida de João Barros! Pense num cara cheio de nojo! Pensou? Era o Casé!
Pois bem...
Na hora do almoço, pelo tamanho da nossa família e salário baixo dos meus pais, como já expliquei, tudo era contadinho: 1 concha de feijão, 2 colheres de arroz, 1 bife, 1 banana (quando tinha), um copo de Q-suco e farinha à vontade.
Muitas vezes a fome era grande que não dava para ficar só no contadinho, tínhamos que ser criativos... Então, sabendo do nojo do Casé pela ferida do João Barros, na pura maldade, no almoço, quando o papai não estava, senão “o couro comia”, algum de nós falava para outro:
- Rapaz, você viu como está feia a ferida do João Barros?
Pronto, era o suficiente: o Casé não comia mais nada, abandonava o prato e saia da mesa, chorando e xingando todo mundo!
Ora, se Casé não queria mais comer, só nos restava como opção dividir a comida que ele não queria mais. Quem seria capaz de jogar comida fora, não é mesmo?
Era uma maldade que fazíamos com o nosso irmão. Coisas de crianças...
Hoje, achamos graça, inclusive o Casé, que já não deixa de comer por nada neste mundo, mesmo que João Barros esteja à sua frente.
- Casé, meu irmão, te amo!

segunda-feira, 21 de outubro de 2024

POLITICAMENTE CORRETO

 POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES


Na Universidade de Griffith, na Austrália, há um concurso anual sobre a definição mais apropriada para um termo contemporâneo.
Em um determinado ano, o termo escolhido foi "Politicamente Correto".
O estudante vencedor escreveu:
"Politicamente Correto é uma doutrina sustentada por uma minoria iludida e sem lógica, que foi rapidamente promovida pelos meios de comunicação e que sustenta a ideia de que é inteiramente possível pegar num pedaço de merda pelo lado limpo."
Nota dez!

terça-feira, 15 de outubro de 2024

DESPEDIDA DA PREFEITURA

Texto de Aloisio Guimarães 

O que SERÁ QUE quer dizer um prefeito, que não conseguiu se reeleger, NO seu discurso DE DESPEDIDAS da prefeitura?

dEVE SER MAIS OU MENOS ASSIM:

Meus queridos conterrâneos,

TraduzindoSeus ingratos filhos da puta,

Os últimos quatro anos foram magníficos no desenvolvimento da nossa querida cidade.

TraduzindoQuis o destino me livrar dessa cidade bosta, atrasada e sem futuro.

Gostaria de deixar meus agradecimentos a todas as pessoas que de alguma forma me ajudaram durante todos estes anos. São inúmeras, mas algumas delas merecem ser citadas, pelo trabalho árduo, diário e dedicado ao progresso da nossa querida cidade:

Traduzindo: Agora vou dizer quem foram todos os safados que transformaram a minha administração num inferno durante todos esses anos. Existem muitos outros filhos da puta, mas não consigo lembrar o nome de todos:

• Em primeiro lugar, meu muito obrigado ao conterrâneo Roberto, Presidente da Câmara de Vereadores, que nunca mediu esforços para colocar em pauta os projetos de interesse da população;

TraduzindoUm grandíssimo safado, que passou quatro anos colocando a faca no meu pescoço, exigindo a nomeação de parentes seus como Secretário do Município e em outros Cargos Comissionado, para aprovar qualquer bobagem enviada para a Câmara;

• Ao Manoel, meu vice prefeito, companheiro de luta em defesa da nossa cidade;

TraduzindoEsse traidor filho da puta, sempre me apunhalando pelas costas, que passou todo o meu mandato tramando contra mim, na esperança de que os vereadores cassassem o meu mandato, para ele assumir o meu lugar;

• Minha eterna gratidão a Pedro, meu Chefe de Gabinete ao longo desta jornada, pela competência, dedicação, conselhos e até reprimendas particulares, dadas nos momentos certos;

TraduzindoUm corno filho da puta, que jamais cumpriu sequer uma das suas obrigações. Sempre com um rei na barriga, a única coisa que fez foi sujar a reputação da minha administração, tratando mal a população;

• Ao meu amigo-irmão Carlos, Secretário da Fazenda, pelo enorme zelo com a arrecadação municipal e vigilante com as despesas com o dinheiro público;

TraduzindoUm verdadeiro ladrão, que vivia fazendo conchavos nas licitações, para receber propina dos fornecedores;

• Para toda a equipe da Secretaria de Administração, em especial para a senhora Marta, do RH, pela simpatia, disposição permanente em cuidar dos nossos servidores;

TraduzindoUma velha e decadente vaca do RH, que trepa com gato e cachorro, sempre atendeu os servidores dando patadas e de mau humor. Só chegou até aqui e não foi demitida porque é rapariga do presidente do meu partido;

• À Equipe de TI, pela rapidez em solucionar os problemas, permitindo um atendimento ágil e eficaz aos nossos munícipes;

TraduzindoVerdadeiros patifes, que demoram uma eternidade para resolver qualquer problema besta em nossos computadores. Se acham o supra sumo da informática e ainda aproveitam o que sabem para roubar peças dos computadores da prefeitura;

• Aos Servidores Públicos, pela dedicação em contribuir com a nossa administração;

Traduzindo: Uma cambada de preguiçosos, que só vivem atendendo mal a população, que não nunca querem trabalhar, nunca querem bater ponto e passam o tempo todo querendo aumento de salários e hora-extra;

• Aos Servidores de Cargo Comissionado, que muito me ajudaram a resolver os problemas do município;

Traduzindo: Verdadeiros sanguessugas do dinheiro público, que tive que engolir durante esses últimos quatros anos, porque eu tinha a obrigação de pagar meia dúzia de votos que me deram na eleição passada. Além de não fazer nada, esses vermes recebiam várias diárias para passear Brasil a fora, às custas do povo, sob a desculpa de fazer um desses cursos de “aperfeiçoamentos em administração pública”;

• À senhorita Bruna, minha secretária, meu braço direito, pelo carinho, amizade e dedicação na árdua tarefa em ajudar a administrar a prefeitura;

Traduzindo: Uma puta que me seduziu e depois ficou me chantageando, exigindo gratificação, horas-extras e presentes caros, para não abrir o bico para minha mulher;

• Por fim, ao Prefeito que assume, depois de uma eleição limpa e amigável, entrego a ele uma Prefeitura moderna, saneada e enxuta, possibilitando que ele faça uma administração de sucesso e voltada para o desenvolvimento da nossa cidade.

Traduzindo: Um canalha, que passou a campanha todo me difamando. Quero que ele se foda e foda com todos, aumentando impostos e taxas do município, que é o que esses ingratos merecem. Já fiz a minha parte para que a sua administração seja um fracasso: deixo dívidas com fornecedores, deixo três folhas de pagamento em atraso e dezenas de cargos comissionados nomeados.

Tenho orgulho de ter feito parte desta equipe maravilhosa.

TraduzindoFodam-se todos vocês,

Um dia voltaremos a trabalhar juntos...

Traduzindo: Um dia, vocês vão me pagar... Ora se vão!

Um abraço e o meu muito obrigado!

Traduzindo: Vão todos tomar no olho do cu!