sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

PARODIANDO DRUMMOND DE ANDRADE

Texto de Aloisio Guimarães

José elogiava Maria
Que paparicava Pedro
Que "balançava" João
Que “puxava o saco” de Antônio
Que o criticou
Porque não gostava de bajulação.

Então, João

Ficou "ofendidInho"

Com “raivinha” de Antônio

Fofocou para Pedro

Que fuxicou para Maria

Que teve um faniquito

E começou reunir amigos
Para fazer a caveira do Antônio.

Antônio nem se abalou.

Então, José voltou a elogiar Maria,
Que continuou paparicando Pedro
Que voltou a "balançar" João
Que começou a “puxar o saco” do novato "Mané"
Que tinha chegado agora
Porque não estava no começo da história.

Assim, todos continuaram Amigos,
Maravilhosos e Felizes.

Amigos?

Maravilhosos?

Felizes?

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

A FORMIGA E A CIGARRA

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES
 
Era uma vez, uma formiguinha e uma cigarra muito amigas.
Durante todo o outono, a formiguinha trabalhou sem parar, armazenando comida para o período de inverno. Não aproveitou nada do sol, da brisa suave do fim da tarde e nem o bate-papo com os amigos ao final do trabalho tomando uma cervejinha gelada. Seu nome era “Trabalho”, e seu sobrenome era “Sempre”.
Enquanto isso, a cigarra só queria saber de cantar nas rodas de amigos e nos bares da cidade; não desperdiçou nem um minuto sequer. Cantou durante todo o outono, dançou, aproveitou o sol, curtiu pra valer sem se preocupar com o inverno que estava por vir.
Então, passados alguns dias, começou a esfriar... Era o inverno que estava começando.
A formiguinha, exausta de tanto trabalhar, entrou para a sua singela e aconchegante toca, repleta de comida. Mas alguém chamava por seu nome, do lado de fora da toca. Quando abriu a porta, para ver quem era, ficou surpresa com o que viu: a sua amiga cigarra estava dentro de uma Ferrari amarela com um aconchegante casaco de Vison. E a cigarra disse para a formiguinha:
- Olá, amiga, vou passar o inverno em Paris. Será que você poderia cuidar da minha toca?
E a formiguinha respondeu:
- Claro, sem problemas... Mas o que lhe aconteceu? Como você conseguiu dinheiro para ir à Paris e comprar esta Ferrari?
E a cigarra respondeu:
- Imagine você que eu estava cantando em um bar na semana passada e um produtor gostou da minha voz. Fechei um contrato de seis meses para fazer show em Paris. À propósito, a amiga deseja alguma coisa de lá?
- Desejo sim - respondeu a formiguinha - se você encontrar o La Fontaine (Autor da Fábula Original) por lá, manda ele ir para a “Puta Que o Pariu”!
Moral da História:
Aproveite sua vida, saiba dosar trabalho e lazer, pois trabalho em demasia só traz benefício em fábulas do La Fontaine e ao seu patrão. Trabalhe, mas curta a sua vida. Ela é única! Se você não encontrar a sua metade da laranja, não desanime, procure a sua metade do limão, adicione açúcar, pinga e gelo, e seja feliz! 

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

DEMOCLES E O REI

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES
Havia uma vez um rei chamado Dionysius que governava Siracusa, a cidade mais rica da Sicília. Vivia em um belo palácio onde havia muitas coisas belas e caras, e um numeroso grupo de empregados, que estavam sempre prontos para servir. 
Naturalmente, por causa da riqueza e do poder de Dionysius, muitos em Siracusa  invejavam a sua fortuna. Damocles era um destes. Era um dos melhores amigos de Dionysius, e estava sempre a lhe dizer:
- Como você é afortunado! Você tem tudo  que qualquer um poderia desejar. Você deve ser o homem o mais feliz do mundo!
Um dia Dionysius amanheceu cansado de ouvir tal conversa.
- Venha aqui. - disse - você realmente acredita que eu sou um homem mais feliz do que todos?
- Mas é claro que você é! Veja os tesouros que você possui, e o poder que você detém. Você não tem uma única preocupação. Como a sua vida poderia ainda melhorar?
- Imagino que você ficaria satisfeito ao trocar de lugar comigo - disse Dionysius.
- Oh, isso seria um sonho - responde  Damocles - se eu pudesse ter suas riquezas e prazeres por somente um dia,  seria a maior felicidade de minha vida!
- Muito bem... Troquemos os lugares por apenas um dia.
E assim, no dia seguinte, Damocles foi conduzido ao palácio e todos os empregados foram instruídos para tratá-lo como seu mestre. Vestiram-no com vestes reais e  colocaram-lhe uma coroa do ouro. Sentou-se à mesa, no salão de banquetes, e fartos alimentos foram-lhe ofertados. Havia vinhos caros, flores bonitas, perfumes raros e uma música deliciosa. Descansou entre macias almofadas e se sentia o homem mais feliz em todo o mundo.
- Ah! isso é que é vida! - disse a Dionysius, que se sentou no extremo oposto da grande mesa - eu nunca me imaginei feliz assim!
E quando levou um copo aos lábios, levantou seus olhos para o teto. O que é isso pendurado acima dele, quase tocando em sua cabeça? Damocles endureceu-se. O sorriso desvaneceu-se de seus lábios, e sua face empalideceu. Suas mãos tremeram. Não quis mais comida, nem vinho, nem música. Queria somente sair do palácio. Pois diretamente acima de sua cabeça havia uma espada pendurada, presa ao teto somente por um único fio de cabelo. Sua lâmina afiada resplandecia apontada para entre seus olhos. Congelou-se sobre a sua cadeira.
- Qual o problema, meu amigo? - perguntou Dionysius - Você parece ter perdido o apetite.
- Essa espada! Essa espada! Você não a vê?
- Naturalmente eu a vejo. Eu a vejo a cada dia. Sempre pendurada sobre minha cabeça e há sempre a possibilidade de alguém ou alguma coisa cortar a fina linha. Talvez um de meus próprios conselheiros passe a ter inveja de meu poder e tentará matar-me. Ou alguém pode espalhar mentiras sobre mim, para virar todo o povo contra mim. Pode ser que um reino vizinho envie um exército para conquistar este trono. Ou eu posso tomar uma decisão estúpida que trouxesse minha queda. Se você quiser ser um líder, você deve estar disposto a aceitar estes riscos. Vêm com o poder. Você  entende?
- Sim, eu entendo... - disse Damocles - Eu vejo agora que eu estava errado, e que você tem muito a pensar além de sua riqueza e fama. Tome de volta o seu lugar e deixe-me ir de volta para a minha própria casa.
E assim, por muito tempo, enquanto viveu,  Damocles nunca quis outra vez mudar de lugar com o rei.
PENSE NISSO!