sábado, 6 de março de 2021

INSUBSTITUÍVEL

 POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Na sala de reunião de uma multinacional o diretor nervoso fala com sua equipe de gestores. Agita as mãos, mostrar gráficos e, olhando nos olhos de cada um. a ameaça: “ninguém é insubstituível”.
A frase parece ecoar nas paredes da sala de reunião em meio ao silêncio. Os gestores se entreolham, alguns abaixam a cabeça.
Ninguém ousa falar nada... De repente um braço se levanta e o diretor se prepara para triturar o atrevido:
- Alguma pergunta?
- Tenho sim... Beethoven?
- Como? - o encara o diretor confuso.
- O senhor disse que ninguém é insubstituível e quem substituiu Beethoven?
Silêncio...
E o funcionário continua a falar:
- Ouvi essa estória esses dias, contada por um profissional que conheço e achei muito pertinente falar sobre isso. Afinal as empresas falam em descobrir talentos, reter talentos, mas, no fundo continuam achando que os profissionais são peças dentro da organização e que, quando sai um, é só encontrar outro para por no lugar. Quem substituiu Beethoven? Tom Jobim? Ayrton Senna? Ghandi? Frank Sinatra? Garrincha? Santos Dumont? Monteiro Lobato? Elvis Presley? Os Beatles? Pelé? Paul Newman? Tiger Woods? Albert Einstein? Picasso?... Todos esses talentos marcaram a história fazendo o que gostam e o que sabem fazer bem, ou seja, fizeram o seu talento brilhar. E, portanto, são sim insubstituíveis. Cada ser humano tem sua contribuição a dar e seu talento direcionado para alguma coisa. Está na hora dos lideres das organizações reverem seus conceitos e começarem a pensar em como desenvolver  o talento de sua equipe  focando no brilho de seus pontos fortes e não utilizando energia em reparar seus “erros/deficiências”. Ninguém lembra e nem quer saber se Beethovem era surdo, se Picasso era instável, se Elvis paranoico... O que queremos é sentir o prazer produzido pelas sinfonias, obras de arte, discursos memoráveis e melodias inesquecíveis, resultado de seus talentos. Cabe aos lideres de sua organização mudar o olhar sobre a equipe e voltar seus esforços em descobrir os pontos fortes de cada membro. Fazer brilhar o talento de cada um em prol do sucesso de seu projeto. Se seu gerente/coordenador, ainda está focado em “melhorar as fraquezas” de sua equipe corre o risco de ser aquele tipo de líder/técnico, que barraria Garrincha por ter pernas tortas, Albert Einstein por ter notas baixas na escola, Beethoven por ser surdo. E na gestão dele o mundo teria perdido todos esses talentos. Seguindo este raciocínio, caso pudessem mudar o curso natural, os rios seriam retos, não haveria montanha, nem lagoas nem cavernas, nem homens, nem mulheres, nem sexo, nem chefes nem subordinados... Apenas peças. Nunca me esqueço de quando o Zacarias, dos Trapalhões, “foi pra outras moradas”: ao iniciar o programa seguinte, o Dedé entrou em cena e falou mais ou menos assim:
- Estamos todos muito tristes com a partida de nosso irmão Zacarias... E, hoje, para substituí-lo chamamos "Ninguém", pois nosso Zaca é insubstituível.
Portanto nunca esqueça: você é um talento único. Com toda a certeza ninguém te substituirá, Você é um só, mas ainda assim é único. Não pode fazer tudo, mas pode fazer alguma coisa. Por não poder fazer tudo, não deixe de fazer o pouco que pode. No mundo sempre existirão pessoas que vão te amar pelo que você é; outras, que vão te odiar pelo mesmo motivo. Acostume-se a isso, com muita paz de espírito.
É bom refletir e se valorizar!

sexta-feira, 5 de março de 2021

RECEITA PARA UM SEXO SEGURO

 Texto de Aloisio Guimarães

Em 2012, um casal da cidade de Serra do Navio, no estado do Amapá, ficou estupefato ao receber o receituário do Dr. Olivença Rebelo Junior, que receitou "a prática do sexo anal" como meio de conter as gestações indesejadas.
O casal, ambos de 23 anos, à época, tinham renda mensal de um salário mínimo e possuíam cinco filhos e ficaram revoltados com a indicação clínica e denunciaram o "doutor sodomita" ao Conselho Regional de Medicina.
Os postos de saúde de Serra do Navio não tinham métodos anticoncepcionais para distribuição, por orientação do prefeito, que é católico fundamentalista e crê que somente os métodos naturais devam ser utilizados.
O prefeito da cidade, Botelho Manasais, afirmava:
- Camisinha é coisa do inimigo. O negócio é jogar descalço.
O Dr. Olivença não negou o receituário e justificou dizendo que:
- Este povo não devia nem fazer sexo; devia ter responsabilidade. Não sabe gozar fora, que gozem na bunda.
O CRM estudou a possibilidade de caçar o registro profissional do médico e indenizar a família.
O marido disse que até gostou da sugestão médica, no entanto sua esposa ficou revoltada e disse que:
- Sexo por trás é coisa do satanás!
O advogado da família exigiu a cassação do registro profissional do Dr. Olivença e uma indenização, por danos morais, no valor de R$ 900,00.
FONTE: Jornal de Amapá - 08/04/2012 - página 33.

quarta-feira, 3 de março de 2021

ANTIGAMENTE SE ESCREVIA MUITO BEM

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

ENVIADO POR JOÃO VIEIRA - PORTUGAL

Carta dirigida pelo Dr. Frederico de Moura, Médico e Historiador de Vagos, ao Dr. Nogueira de Lemos, Médico Cirurgião de Aveiro. O autor nasceu em 1909 e faleceu em 2002, licenciou-se em Medicina em 1933 e em Histórico-Filosóficas em 1960. 
Meu caro Lemos,
É coisa axiomática que o pénis não obedece a freio; e é coisa de esperar que, a natureza o tenha dado a animal que lhe não obedece. Mas como a esta estuporada profissão que exercemos só aparecem anormalidades, aberrações e coisas em desacordo com a natureza, surgiu-me hoje no consultório esse rapazinho que lhe envio, com um freio de tal dureza e de tal conformação que o insubmisso pénis, tradicionalmente indomável, não teve outro remédio senão ceder. Calcule os mistérios e os paradoxos desta ladina natureza! Esse moço, na casa dos 20 anos com uns corpos cavernosos que devem estar isentos de qualquer esclerose ou de qualquer obstrução, e concerteza dispondo de uma libido afinada capaz de lhe fazer sair, erecto, o próprio umbigo, resolve ir para o casamento com os seus (dele) três vinténs e confirma, então a suspeita que já tinha, de que no auge da metálica erecção, o pénis fica em crossa como o báculo de um bispo, por incapacidade de vencer a brevidade e a dureza do freio que lho verga para a terra. Calculará o meu prezado Lemos, as acrobacias de alcova que este desgraçado terá de realizar para conseguir a penetração de um membro viril, quase tão torto como uma ferradura, na vagina suplicante da consorte. De modo que o rapazinho veio pedir-me socorro, e eu condoído peço-lhe a sua colaboração em favor da harmonia conjugal, com a certeza de que por isso ninguém nos irá acoimar de chegadores. Condoa-se a cirurgia de braço dado com a medicina que, por intermédio deste fraco servidor que eu sou, já se condoeu e endireitemos o pénis torto (e nada de confusões, que não é mole pelo que me afirma o proprietário). Lembremo-nos, sobretudo, ao praticarmos esta obra, que vem aí um tempo em que um pénis destes, mesmo em arco ou em forma de saca-rolhas, nos faria um jeitão, e ajudemos o pobre rapaz que se compromete comigo a fazer bom uso dele, emprenhando a mulher da primeira vez que o usar, depois da operação ortomórfica que o meu amigo lhe vai fazer sem sombra de dúvida.
Desculpe mandar-lhe desta vez uma tarefa fálica! Ouvi uma mulher um dia dizer que um Phallus é um excelente amuleto e que dá sorte verdadeira. Se quiser tirar a prova não tem mais que endireitá-lo... e jogar a seguir na lotaria. Desculpe, pois, a remessa de bicho tão metediço que eu por mim prometo, logo que possa, e em compensação, mandar-lhe uma vulva virgem e nacarada como uma concha de madrepérola.
Um abraço do seu amigo certo,
Frederico de Moura
P.S. Como a minha letra é muito má, segundo a sua opinião, e como o assunto desta carta é muito importante para duas pessoas, uma das quais do sexo fraco, entendi do meu dever dactilografá-la. Assim, não haverá nenhuma razão para que o meu amigo dizer que não entendeu o que eu queria e, por partida, deixar o aparelho na mesma ou pior ao rapaz. Quero ainda dizer-lhe que para sua compensação, tenciono depois do êxito que o seu ferro cirúrgico vai alcançar, comunicar o seu nome à mulher beneficiada que, por certo, lhe ficará eternamente grata, ficando sempre com a sua pessoa presente na memória nos momentos – e oxalá que sejam muitos! – em que se sentir penetrada por um pénis que só o meu amigo conseguiu endireitar. E nem sei se o Estado virá louvar a sua acção, se lhe for dado conhecimento que os filhos que saírem daquele casal são devidos em grande parte (não ao seu pénis) mas, sem dúvida, à sua mão. E filhos com a mão nem toda a gente se poderá gabar de os fazer!
Creia-me seu afeiçoado,
Frederico
27/3/1958