
Baixinha,
sempre com seus vestidos de chita, pobre, ela sobreviveu muitos anos com as
doações que recebia dos seus conhecidos. Sempre que me encontrava, ela
conseguia arrancar alguns trocados meus, dando as suas famosas “facadas” -
jargão popular, que significa alguém conseguir tirar dinheiro de outro, via
convencimento verbal.
De certo
modo, Maria Topada era uma pessoa muito inteligente, tendo resposta certa (ou
seria pergunta?) para cada situação.
Apresentada
a nossa personagem, vamos ao causo...
Como
ainda acontece em qualquer cidadezinha do interior do país, anos atrás, as
maiores autoridades em Palmeira dos Índios eram o Juiz, o Prefeito, o Padre e o
Delegado; quem era funcionário do Banco do Brasil ou Caixa Econômica ganhava
muito bem, morava nas melhores casas da cidade e tinham automóvel de luxo.
Mudança
de governo... Delegado novo na cidade. Alguns dias após a sua
chegada, o delegado estava em uma lanchonete, juntamente com o juiz e o
prefeito, quando chega a Maria Topada, figura ainda desconhecida da nova
autoridade policial. Costumeiramente, ela se encaminhou até eles, para
pedir uns “trocadinhos”. Neste momento, sentindo-se importunado com a
presença dela, o delegado a ameaçou: