segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

RECORDAR É VIVER

 Texto de Carlos Alberto L. de Andrade


Eu sou de um tempo distante, o chamado “Tempo da onça”. Tempo em que qualquer esquina era uma geringonça.
Sou do tempo em que se amarrava cachorro com linguiça; do tempo em que, aos domingos, a gente ia à missa.
Sou do tempo do buscapé, do rojão e do xarope São João; do tempo em que menino só gostava de menina.
Sou do tempo em que futebol era pra macho, tempo em que ninguém sossegava o facho nos bailes de formatura; dos playboys, botando banca; tempo que o telefone era preto e a geladeira era branca.
Sou do tempo em que se confiava nas companhias aéreas; em que a penicilina curava as doenças venéreas. Tempo do confete e serpentina nas festas de Carnaval do Sírio, do Monte Líbano, dos bailes do Municipal.
Sou do tempo do bicarbonato de sódio, do lançamento do Sonrisal.
Sou do tempo da Rádio Nacional, do lança perfume no Carnaval, do calouro na hora da peneira, tempo em que pó era apenas poeira. Tempo do terno de risca de giz, da calça de boca apertada, da Lapa de Madame Satã, de poder ir torcer no Maracanã e lembrar da mãe do juiz.
Sou do tempo do "Doi Codi". E do “Comigo-ninguém-pode”, da ditadura envergonhada.
Sou do tempo em que ficar era não ir, tempo de permitir passeios à beira-mar.
Sou do tempo da brilhantina, do laquê, da Glostora, do Gumex. O correio não tinha Sedex, o que vinha era telegrama trazendo uma má notícia.
Sou do tempo em que a polícia perseguia todo sambista que tivesse alguma fama. Tempo em que mulher é que usava brinco, e que as portas não tinham trinco. Tempo em que se dizia "demorou" só para quem' chegasse atrasado. As calças não perdiam o vinco, picada era só na bunda e só se aquela febre profunda não tivesse melhorado.
No meu tempo coca era refrigerante e todo homem elegante abria a porta do carro.
Sou do tempo do tergal, do banlon, do terilene, da Emilinha e da Marlene no sucesso musical.
Sou do tempo do mocinho e do vilão com cara de mau, do reclame de fortificante do óleo de fígado de bacalhau.
Sou do tempo da cocoroca, do tempo da Copa Roca, que muita gente não viu. Aceitava-se qualquer cigarro sem medo de ser um novo fato. Só o preço podia ser barato; bicho era só o animal e cara, o rosto do pobre mortal.
Sou do tempo do coreto, da banda, do velho cigarro Yolanda vendido na venda da esquina.
Sou do tempo da estricnina, veneno tão poderoso, sou do tempo do leite de magnésia, do sagu, do fubá Mimoso e do fosfato que curava a amnésia. Do progresso tão abrupto que todo mundo assistiu; porém, político corrupto, o rato que sai da toca... Ora, esse sempre existiu!
Sou do tempo em que Benjor se chamava Jorge Bem, a carne do bife era acém, rabo de cachorro era bofe. No meu tempo não havia estrogonofe.
Sou do tempo do tostão e também do vintém, da zona com seus bordéis, programas de dez mil réis.
Sou do tempo da Cibalena e do Veramon. Só não vi a revista Fon-fon, assisti filmes do Rin-tin-tin.
Sou do tempo da confeitaria Manon, da magia, do pó de pirlimpimpim. Colecionei estampas Eucalol, acompanhei o lançamento da Avon, tomei o fortificante Calcigenol.
Sou do tempo da PRK 30, do rádio tipo capelinha, dos contos da Carochinha. Do tempo do remédio anunciado: "Veja, ilustre passageiro, o belo tipo faceiro que o senhor tem a seu lado, mas, no entanto, acredite, quase morreu de bronquite, salvou-o o Rhum Creosotado".
Sou do tempo da Cafiaspirinda, compressa de antiflugestina, do Biotônico Fontoura e do bálsamo benguê. Fui leitor do almanaque Tico-Tico, do tempo em que trabalhador ficava rico.
Sou do tempo da Casa Cavè, do taco com cera Parquetina, dos discursos do Presidente GV. Tempo de se curtir a vida sem medo de bala perdida.
Só não fui garçom da Santa-Ceia; também não sou assim tão antigo.

sábado, 13 de fevereiro de 2021

O CARNAVAL DO MEU TEMPO

 Texto de Isvânia Marques

 Professora, Escritora e Presidente da Academia Palmeirense de Letras, Ciências e Artes

Estou diante da tevê do meu quarto. Imagens desfilam à minha frente, quase em câmara lenta, para chamarem a minha atenção. Entretanto, não conseguem prender-me à tela. De súbito, o som do samba-enredo anuncia o carnaval do novo milênio, num ensaio sem o luxo do dia da festa, exibindo corpos femininos cada vez mais nus. Alguns deles até esquecidos de suas imperfeições...
Parei no tempo e percorri outros espaços, onde o samba foi ficando cada vez mais vagaroso até transformar-se em marcha lenta, deixando que a música sacudisse o salão.
O meu quarto subitamente mudava de cenário: a cama era o palco, onde uma orquestra tocava sobre ela. Em lugar do guarda-roupa, havia mesas repletas de pessoas animadas e fantasiadas; e o pouco que restava do quarto transformara-se num imenso salão, com pilastras decoradas por máscaras disfarçadas de pierrôs, colombinas, ciganas, piratas... mais outras dezenas de personagens que figuravam o meu devaneio. E o piso molhado do salão parecia um tapete colorido de papel, enfeitado pelas serpentinas e confetes.
A doce lembrança do carnaval da minha terra me invadiu e, num passe de mágica, deparei-me vestida nas cores do carnaval, pulando e entoando o hino momesco da época: “Bandeira branca, amor...”
Naquele instante, o meu pensamento se deixou invadir pela saudade de um período em que até hoje minha memória preserva e acalenta: o carnaval da minha querida “Cidade-Modelo” que, entre tantos outros, o do ano de 1969 coroou a minha juventude.
Os clubes presenteavam seus sócios com bailes majestosos e orquestras de frevo. Quando os músicos estavam cansados, apenas o barulho do surdo (instrumento), insistente, alimentava e servia de consolo à animação laboriosa dos muitos farristas que pulavam no salão. Se o ruído solitário do tambor não fosse logo substituído pela famosa música “Vassourinhas” (ou por outra do mesmo estilo), a turma berrava: “Olha a cera! Olha a cera!”. Era este o grito de guerra do folião, em repúdio à morosidade NE à canseira dos músicos, uma vez que não lhes era dado o direito de sequer cansar...
A sede de folia atiçava as pessoas, fazendo-as puxar aquelas que permaneciam sentadas nas cadeiras, observando, embevecidas e tímidas, o “gingado” peculiar a cada dançarino daquela circunstância. Enquanto isso, as serpentinas cruzavam o salão, lançadas de um lado para o outro, às vezes caindo no chão e outras, sobre nossas cabeças e ombros, formando colares coloridos de papel em torno do nosso pescoço, fabricando uma nova fantasia, inesperada, criativa e excitante.
Em poucos minutos, elas e o confete grudavam ao suor do nosso corpo, ao brilho das purpurinas, à excitação do álcool, aos cheiros dos lança-perfumes, dos extratos nacionais e internacionais (o famoso “Lancaster”), dos cheiros sem cheiros, dos odores dos “descuidados”, dos suores embalados na alegria do “Quanto riso! Oh, quanta alegria!...” E a melhor parte da música estava no seu final: “Vou beijar-te agora, não me leve a mal, hoje é carnaval...”.  Recordo-me que o “ficar” (tão costumeiro nos dias de hoje) somente era permitido em épocas de carnaval. Depois (aí sim!), vinha o remorso pelo que fora feito e pelo que não fora...
Já as ruas ornamentavam-se da alegria do povo, dos enfeites nos postes, do tradicional corso (desfile de carros pelas ruas), esbanjando combustível (tão barato àquele tempo!), “queimando” os pneus (para chamar a atenção do público), jogando água, pó e maisena nos transeuntes. Tudo era válido! E ninguém brigava por isso...
Durante o dia, os “bobos” (sempre mascarados ou vestidos de ursos) faziam a alegria da garotada que corria atrás deles, enquanto outros garotos choravam assustados com as máscaras que cobriam os rostos daqueles anônimos foliões.
As casas também se arrumavam para receber alguns blocos (formados por amigos) e o já tradicional grupo “Os Cangaceiros”. Este grupo era o mais interessante, pois obedecia a um ritual diferente: Virgulino Lampião (chefe do bando/bloco) mandava um dos seus avisar aos donos da casa que se preparassem, pois seriam os próximos a visitar. O anúncio era feito atirando balas de festim para o alto. Pouco depois, aproximava-se o “bando”, cujos componentes andavam a cavalo e faziam um barulho enorme cavalgando no paralelepípedo da cidade. Quem mais chamava a atenção era Maria Bonita (representada pelo “cabra” mais bonito do grupo) e a dança regional acompanhada pela sanfona, zabumba, pífano, triângulo e outros. Tais movimentos chamavam a atenção da vizinhança, por isso, os anfitriões tinham que preparar mais comida do que imaginavam...
O último dia era marcado pela fadiga estampada no rosto do folião e pela melodia “Oh, quarta-feira ingrata, chega tão depressa...”, descontentando os seus sentimentos e expectativa, fazendo-o voltar à inesperada realidade a efêmera quimera.
Os raios de sol surpreendiam a todos, pegando-os desprevenidos, com maquiagens desbotadas, rostos pálidos, vestes amarrotadas, pés descalços entregues ao desânimo da ressaca.
As ruas sujas exibiam uma nova paisagem decadente. Nelas, os papelões serviam de cama a alguns adeptos do bloco “O que é que eu vou dizer em casa?”, e também àqueles que não possuíam bloco nem lar algum, senão o da própria rua que, àquele instante, dava passagem ao canto engrolado do bêbado, jogado no canto da calçada, feito lixo esquecido de si mesmo...
E, foi tal e qual a música “quarta-feira ingrata”, eterna canção de despedida carnavalesca, que a saudade (também molesta) apoderou-se de mim, sem qualquer aviso prévio, “só pra me contrariar!”...

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

DRA. LÚCIA NO PROGRAMA DE RÁDIO

 POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES


Ouvinte: - Bom dia, Dra. Lúcia! Meu nome é Júlia. É verdade que a gente pode engravidar em um banheiro público?
Dra. Lúcia: - Sim! Acho melhor você parar de trepar lá! Próxima!

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Ouvinte: - Bom dia, Dra. Lúcia! Eu sou a Vera e queria saber por que os homens vão embora logo depois de transar com a gente no primeiro encontro?
Dra. Lúcia: - Porque o encontro acabou. Caso contrário, seria casamento!

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Ouvinte: - Bom dia, Dra. Lúcia! Me chamo Luciane e eu tenho um amigo que quer fazer sexo comigo, mas ele tem um pênis de 20 cm. Acho que vai ser doloroso... O que faço?
Dra. Lúcia- Manda ele pra cá que eu testo pra você!! Próxima!

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Ouvinte: - Bom dia, Dra. Lúcia! Aqui é a Rose e eu queria saber porque os homens se masturbam mesmo quando são casados?
Dra. Lúcia- Minha amiga, jogo é jogo, treino é treino!

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Ouvinte: - Bom dia, Dra. Lúcia! Aqui é a Bruna! Eu queria saber se eu posso tomar anticoncepcional com diarreia?
Dra. Lúcia- Olha, eu tomo com água, mas a opção é sua! Próxima!

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Ouvinte: - Bom dia, Dra. Lúcia! Me chamo Jefferson e eu gostaria de saber como faço pra minha esposa gritar enlouquecida na cama!
Dra. Lúcia- Limpe o pinto na cortina! Próximo!

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Ouvinte: - Bom dia, Dra. Lúcia! Aqui é o Fred! Me tire uma dúvida: O que são aquelas saliências ao redor dos mamilos das mulheres, como se fossem verruguinhas?
Dra. Lúcia- É Braile e significa "chupe aqui". Próxima!

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Ouvinte: - Bom dia, Dra. Lúcia! Quero saber como enlouquecer meu namorado, só nas preliminares.
Dra. Lúcia- Diga no ouvidinho dele: "A minha menstruação está atrasada"! Próxima!

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Ouvinte: - Bom dia, Dra. Lúcia! Sou feia e pobre. O que devo fazer para alguém gostar de mim?
Dra. Lúcia: - Ficar bonita e rica! Próxima!

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Ouvinte: - Bom dia, Dra. Lúcia! Aqui é a Jacque! É o seguinte... O cara com quem estou saindo é muito legal, mas está dando sinais de ser alcoólatra. O que eu faço?
Dra. Lúcia: - Não deixe ele dirigir! Próxima!