domingo, 29 de março de 2015

A ATRIBULADA VIDA SEXUAL DE A. GUTEMBERG

Texto de Carlito Lima

Ao nascer, o pai deu-lhe esse nome homenageando dois grandes inventores, Alexandre Graham Bell (telefone) e Gutemberg (imprensa), porém, em toda sua vida, o filho, só inventou peripécias sexuais. Ao nascer, sua mãe tinha pouco leite, contratou uma forte mulher para amamentá-lo, a ama de leite havia parido um belo menino, dava de mamar ao filho e a Alexandre, ele abocanhava o seio duro, satisfazia o estômago, não largava a boca do peito. Se puxassem, chorava aos berros, só deixava de chupar quando adormecia. Alexandre criou-se na praia da Pajuçara, infância livre, leve e solta nos sítios de coqueiros vizinhos roubando melancia, banana e coco. Sua mãe, à noite, dava aula às moças prendadas da sociedade. Depois do jantar elas sentavam em uma enorme mesa retangular. Dona Mariinha enquanto ensinava redação às moças, fiscalizava o filho nos deveres escolares. Alexandre constantemente deixava o lápis cair no chão, se abaixava para apanhá-lo enquanto olhava as calcinhas das alunas desprevenidas. Ao terminar, seguia para o banheiro, as imagens, as pernas das meninas excitavam sua mente. Aos 13 anos deu-se a invenção em abrir um buraco estratégico no quarto da empregada.  Alexandre olhava as moças tomarem banho, trocarem de roupa. Certo dia, Cicinha, bela morena, 25 anos, percebeu a façanha do patrãozinho, ela passou a se exibir em banhos sensuais, se esfregando, de propósito, Alexandre ficava doidão. Certa tarde o adolescente teve um desmaio de tanta homenagem a Onã.  Dias depois, Cicinha com carinho, deu-lhe um presente de aniversário, 14 anos, desvirginou nosso herói no quintal, atrás do sapotizeiro, ao entardecer. Presente inesquecível.
Em sua juventude Alexandre Gutemberg namorou muito, como as namoradas da época eram virgens juramentadas, tornou-se o raparigueiro mais jovem da cidade, todo dinheiro descarregava nas boates de Jaraguá. Já era homem feito, servia no NPOR, quando apareceu Aparecida, linda, sensual, de família tradicional da cana de açúcar. Ele encantou-se, namorou durante um ano, noivou outro ano, casou-se. Aparecida, grande heroína, conservou-se virgem até o casamento, precisou muita firmeza para não cair nas invencionices do noivo. Foram passar a lua de mel em Garanhuns (naquela época o agradável balneário era conhecido como cemitério das virgens). Viajaram de carro logo após o casamento, Alexandre não aguentou, ao passar por um matagal deserto, encostou o carro numa jaqueira, amaram-se pela primeira vez.
Foram quatro filhas uma atrás da outra, Aparecida ligou as trompas, não atendeu ao marido, tanto queria um filho homem. Alexandre se formou, contador, montou escritório, inteligente, correto nos negócios, conceituado, pegou freguesia. Ao entrar no século XXI, Alexandre Gutemberg se engraçou de uma bela secretária. Certo dia, terminou o expediente, ele prolongou o trabalho, pediu a Rosário ficar mais um pouco. Enquanto ele lia uma carta sendo digitada pela secretária, chegou-se por trás, as costas nuas perfeitas, ele colocou a mão como se fosse natural, ela não reagiu, ele alisou um pouco, Rosário disse abafada, "assim não doutor Alexandre, assim não, assim não."  Virou-se, se beijaram, se amaram no chão do escritório. Alexandre estava como queria, a mulher em casa e a secretária num motel. Passaram-se três anos para Aparecida descobrir a traquinagem do marido. Teve que decidir. Preferiu ficar com a ninfomaníaca, Rosário. Separação dolorosa, pesou o fator sexo. O chefe e a secretária foram viver num apartamento, evitaram filhos. Certa manhã Alexandre sentiu dormência no braço direito, visão enublada, dor de cabeça, chamou Rosário com voz arrastada. Um AVC deixou nosso herói semi paralisado na face, dificuldade de locomoção e fala arrastada. Há quatro anos o casal vive sem amor, embora doente, aposentado, sem muitos recursos, Alexandre pede sexo, Rosário, evita-o, despreza-o, humilha-o em suas avançadas amorosas. Os filhos contrataram uma jovem sem experiência, analfabeta, para tomar conta do velho, dar banho, cuidar da aparência, dar comida. Rosário sai todo dia, ninguém sabe para onde. Zefinha, a cuidadora, depois do jantar ronda a cidade em busca de aventuras, gosta, dorme na casa de seus pais no Jacintinho. Tão jovem começou a sentir mal estar, descobriu, grávida. Trabalhou até os últimos meses, nasceu o menino, não sabia quem era o pai, até que, sem alarde, fizeram DNA. O velho Alexandre está feliz da vida, afinal é pai de um menino, vai batizá-lo, Alexandre Gutemberg de Almeida Filho.

sábado, 28 de março de 2015

A GAITA DE NOEL

Texto de Marina Gentile

Era uma vez um rapaz que desejava ir até Manaus, de bicicleta, partindo de São Paulo. A família ficou assustada com o sonho do jovem, mas não poderia impedir que ele concretizasse seu sonho. E assim aconteceu. Certo dia ele juntou algumas coisas na mochila, preparou sua bicicleta, juntou uns trocados e partiu.
De Santo Amaro ele atingiu a marginal Tietê, depois a Via Anhanguera. Era uma viagem solitária, muitas pedaladas, vislumbrando a paisagem, o frescor do vento,  vivendo o sonho de aventura. Dormiu em lugares estranhos, mas para ele era plenamente normal. Qualquer canto era um bom local para parar, quando necessitava descansar. Tudo ia bem até que sua bicicleta apresentou um problema sério. Estava um pouco além de Campinas-SP, não tinha dinheiro para substituir uma peça importante, por isto preferiu vendê-la e seguir sua trajetória de carona.
O primeiro caminhoneiro que o ajudou estava seguindo para  o sul de Minas Gerais. Ele não planejara ir até aquela cidade, tornou-se uma aventura sem escolha de rota. Além da gentil carona, ganhou uma deliciosa refeição, feita no próprio caminhão. Também ganhou café e pão com margarina. O motorista ficara feliz  com o acompanhante, pois achava triste viajar sozinho. Dissera ao Noel que gostara dele, poderia ser seu filho, havia semelhança entre eles.
Chegando à cidade Noel agradeceu a carona e seguiu a aventura. Alterara seus planos, pois agora estava sem bicicleta, com pouco dinheiro. Já que não podia ir a Manaus, conheceria a capital do Brasil. Da cidade onde estava conseguiu outra carona até uma cidade onde havia linha de trem. Chegando lá soube que o trem para Montes Claros sairia somente pela manhã. 
Na estação havia outros mochileiros como ele e um rapaz que nem mochila tinha, o qual foi apelidado pelo grupo de “Sem Nome”. O pessoal achou estranho o rapaz não querer identificar-se, poderia ter mentido, arranjado um nome fictício, mas ele nem se esforçou. Como havia  coisa mais séria para pensar, não  se importaram com isto.  
A temperatura estava diminuindo, não seria fácil passar a noite ali. Então eles se cotizaram, foram até um boteco próximo e compraram uma bebida para esquentar. Formou-se um grupo animado. O “Sem Nome” não ajudou a pagar, mas também não bebeu.  Noel apenas experimentou, os demais consumiram toda a bebida. Cada um contava algo, trocavam experiências, falavam de suas vidas, projetos, riram bastante até o sono chegar.  
O pessoal que bebeu adormeceu rapidamente, mas Noel ficou acordado por um bom tempo, até que o cansaço o dominou. Ainda estava escuro, muito frio, Noel acordou antes dos demais. Foi então que percebeu a falta de um deles, o “Sem Nome”. Achou estranho. Quando se virou para retirar algo de sua mochila notou que ela não estava ali.  Imediatamente percebeu o que acontecera. O “Sem Nome” deixou todos beberem à vontade,  para que ao adormecerem fosse mais fácil praticar o furto. A vítima tinha sido ele, pois os outros dormiram fazendo suas mochilas de travesseiro. A mochila de Noel ficara solta!  Então Noel gritou:
- Este safado não podia me roubar assim. Agora ele verá o que é alguém com raiva. 
Noel estava apenas com a roupa do corpo, sem documentos, sem dinheiro, sem nada. Estava descontrolado, nervoso, acordou todo mundo. O pessoal ficou impressionado, cada um falando uma coisa. Então o Noel percebeu que um trem de carga estava se aproximando. Ele foi ágil, perguntou se alguém tinha uma faca, um canivete, qualquer coisa. Um deles deu uma faca para o Noel e ele correu em direção ao trem de carga, pulou em um dos vagões, seguindo rumo a Montes Claros. Ninguém do grupo acreditava que o furtado pudesse reaver sua mochila, ninguém o acompanhou. 
Noel tinha plena certeza que encontraria o safado, calculara que ele estaria andando pela estrada que margeava a linha de trem. Então depois de alguns minutos em cima do vagão, achou que seria o momento de pular e caminhar sentido contrário, na tentativa de encontrar o safado.
Pulou, se arranhou, mas a raiva que estava era a sua energia propulsora. Ficou alguns segundos deitado, em seguida levantou-se, dando início a sua caminhada. A madrugada estava fria, os dormentes molhados, a neblina dificultava a visão. Ainda assim, estava certo que algo aconteceria a seu favor...
De repente Noel escutou um som de gaita. Era a sua gaita, que estava na mochila. Percebera que estava perto do safado. Então saiu da linha de trem e foi para a estradinha de chão, ao lado. Ficou a espreita na curva enquanto escutava o som da gaita se aproximando, o som indicando que estava bem próximo. Não demorou muito e avistou o “Sem Nome”, caminhando tranquilamente,  tocando a gaita furtada.  Assim que o fulano ficou bem perto, Noel deu um salto em cima dele, apontando a faca e o xingando. O “Sem Nome” deu um salto, um gritão, jogou a mochila e a gaita no chão e saiu correndo, como um leopardo. Noel nunca usara uma faca a não ser nas condições normais, mas só de apontá-la ao sujeito foi o suficiente para assustá-lo. Ninguém saiu ferido,  felizmente.
Noel então caminhou pela estrada até chegar à próxima cidade. Na cidadezinha, felizmente. conseguiu outra carona. E finalmente chegou a Montes Claros, na Estação de Trem, onde parte dos mochileiros ainda estava aguardando outro trem. Todos ficaram felizes, festejaram a chegada do Noel, o trataram como se fosse o maior valente do pedaço.
Esta foi uma das histórias do Noel, meu irmão. Toda vez que repetia a história conseguíamos rir,  sem parar, pelo jeito engraçado que narrava.
Saudades, meu irmão. Sinto saudades de você, de suas histórias. Infelizmente ele foi atingido fatalmente ao praticar o esporte que amava. Nada aconteceu com a bike, só com ele.

sexta-feira, 27 de março de 2015

COMO ÉRAMOS INOCENTES...

Texto de Aloisio Guimarães

A foto abaixo, de autoria desconhecida, recebida pelo WhatsApp, mostra uma verdadeira multidão de alagoanos/maceioenses, disputando um ingresso, no extinto Cine São Luiz, em Maceió, para assistir o filme “Aladim e a Lâmpada Maravilhosa”.
Para você que é mais jovem, o Cine São Luiz, ficava ali, na Rua do Comércio, onde hoje funciona a Loja Insinuante. E, muito provavelmente, tenha sido nele que os seus pais se conheceram, deram uns “amassos”, se apaixonaram e por isso você existe.