quarta-feira, 12 de agosto de 2015

A IMORTALIDADE D'ALMA

Texto de Umberto Rhodes


Conhece-te a ti próprio e serás imortal...
Alguns séculos antes de Cristo, vivia em Atenas, o grande filósofo Sócrates. A sua filosofia não era uma teoria especulativa, mas a própria vida que ele vivia.
Aos setenta e tantos anos foi Sócrates condenado à morte, embora inocente. Enquanto aguardava no cárcere o dia da execução, seus amigos e discípulos moviam céus e terra para o preservar da morte. O filósofo, porém não moveu um dedo para esse fim; com perfeita tranquilidade e paz de espírito aguardou o dia em que ia beber o veneno mortífero.
Na véspera da execução, conseguiram seus amigos subornar o carcereiro (desde daquela época já existia essa prática...), que abriu a porta da prisão. Críton, o mais ardente dos discípulos de Sócrates, entrou na cadeia e disse ao mestre:
- Foge depressa, Sócrates!
- Fugir, por que? - perguntou o preso.
- Ora, não sabes que amanhã te vão matar?
- Matar-me? A mim? Ninguém me pode matar!
- Sim, amanhã terás de beber a taça de cicuta mortal - insistiu Críton.
- Vamos, mestre, foge depressa para escapares à morte!
- Meu caro amigo Críton - respondeu o condenado - que mau filósofo és tu! Pensar que um pouco de veneno possa dar cabo de mim...
Depois puxando com os dedos a pele da mão, Sócrates perguntou:
- Críton, achas que isto aqui é Sócrates?
E, batendo com o punho no osso do crânio, acrescentou:
- Achas que isto aqui é Sócrates? Pois é isto que eles vão matar, este invólucro material; mas não a mim. Eu sou a minha alma; ninguém pode matar Sócrates!
E ficou sentado na cadeia aberta, enquanto Críton se retirava, chorando, sem compreender o que ele considerava teimosia ou estranho idealismo do mestre.
No dia seguinte, quando o sentenciado já bebera o veneno mortal e seu corpo ia perdendo aos poucos a sensibilidade, Críton perguntou-lhe, entre soluços:
- Sócrates, onde queres que te enterremos?
Ao que o filósofo, semiconsciente, murmurou:
- Já te disse, amigo, ninguém pode enterrar Sócrates... Quanto a esse invólucro, enterrai-o onde quiserdes; não sou eu...Eu sou a minha alma!
E assim expirou esse homem, que tinha descoberto o segredo da Felicidade, que nem a morte lhe pôde roubar. Conhecia-se a si mesmo; o seu eu verdadeiro, eu divino, eterno, imortal.
Assim somos todos nós seres: Imortais, pois somos Alma, Luz, Divinos, Eternos... Nós só morremos, quando somos simplesmente esquecidos! 

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

FÉRIAS NO RIO DE JANEIRO

Texto de Carlito Lima

Não houve planejamento de roteiro, parávamos onde bem entendíamos, dormíamos no primeiro hotel ao anoitecer, quando alguém cansava na direção, outro assumia, assim nós quatro amigos viajamos de carro, passar férias de verão no Rio de Janeiro, corria a maravilhosa década de 1970.
No interior da Bahia pernoitamos no Hotel Familiar. Os preços das diárias fixados em um quadro negro: “QUARTO COM PINICO: CR$ 5,00”. “QUARTO SEM PINICO:C$ 4,00”. A foto dessa pérola brasileira foi perdida.
Chegamos ao Rio cansados, direto ao apartamento do Cáo, Rua São Salvador, Flamengo, a Embaixada de Alagoas. Sempre havia um colchão.
Naquela época funcionava a Casa das Alagoas, associação assistencial aos alagoanos radicados no Rio de Janeiro. Ponto de encontro, matar saudades, unir a tribo caeté. Roberto, presidente da associação, havia ganho uma eleição disputadíssima contra Ronaldo, programou um roteiro de festas para aquele fim de semana.
No sábado estava marcado um pré-carnavalesco, "Baile Vermelho e Preto” no Clube de Regatas Flamengo. Embaixo do edifício fervilhava botecos, bares, ponto de encontro da esquerda festiva, cheios. As meninas iam se achegando, começavam as paqueras. Todos vestidos com camisas rubro - negras, inclusive tricolores, vascaínos, botafoguenses. Partimos para a sede do Flamengo.
Roberto, organizado, comprou os ingressos antecipadamente. Na hora da entrada faltou ingresso para Sandoval, carioca, morou em Alagoas, sentia-se alagoano. O Clube cheio, não havia mais ingressos à venda.
Ficamos matutando como resolver o problema da entrada de Sandoval, procuramos cambista ou quem quisesse vender um ingresso, nada. O tempo passando, nós, agoniados, perdendo o baile cheio de mulheres bonitas.
De repente Roberto observou um caminhão fazendo manobras, tentando entrar pelo portão lateral, gritou:
- Encontrei a solução! Venha cá Sandoval!
Partiram em direção ao caminhão. Confabularam com o motorista. Roberto voltou alegre, tudo resolvido: Soltaram uma grana, colocaram nosso amigo por trás do caminhão frigorífico que levava gelo à festa.
Entramos satisfeitos, acompanhados por lindas cariocas. A orquestra tocava o hino do Rio de Janeiro: Cidade Maravilhosa... Cheia de encantos mil... Cidade Maravilhosa... Coração do meu Brasil ...”
O baile fervia animado. Depois de algumas voltas encontramos Sandoval no bar tomando conhaque, molhado, batia o queixo. Vinte minutos dentro do frigorífico do caminhão; quase morre congelado. Empurramos o carioca para o salão, sambamos até o dia amanhecer com charmosas rubro-negras.
No domingo pela manhã, marcamos encontro na Praça General Osório. Maior expectativa, desfilar na Banda de Ipanema. Roberto havia providenciado uma ala para os alagoanos. Nossa fantasia, sunga de banho de mar, tamanquinho de praia e uma toalha em volta do pescoço para abastecer de lança-perfume.
Começamos a esquentar as baterias num bar perto da praça. Uma festa reencontrar velhos amigos. O bar lotado, nossa mesa das mais concorridas, meninas bonitas, namoradas, paqueras. Era só alegria, felicidade e carnaval.
Em certo momento Sandoval sentiu fortes cólicas, talvez consequência da friagem do frigorífico, foi se esvair no acanhado e sujo banheiro. Depois dos serviços, depois de ter obrado, voltou à mesa. Pagamos a conta, levantamos, na partida, pela primeira vez alguém reclamou:
- Eita fedor de merda! Alguém pisou em bosta!
Olharam no solado dos tamancos, nenhum vestígio de cocô. Nessa altura havia uma multidão na Praça General Osório. A Banda animada tocava o samba: Nesse carnaval não quero mais saber... de brigar com você... vamos brincar juntinhos... água na boca para quem ficar sozinho... as nossas brigas... não podem continuar... porquê nosso amor não pode se acabar...
Nosso grupo animado, ala cheia de mulheres bonitas, contrastava com o cheiro de merda no ar. Até que a fonte fedorenta foi descoberta, Sandoval. Na hora do serviço, parte do tolete lançado no sanitário caiu na sunga. Ele, sem sentir, vestiu-a novamente. Infestou-se de cocô.
A Banda de Ipanema acabou-se à noite. Programamos terminar a farra no Alkazar, Copacabana. Enfrentamos um ônibus lotado, muita gente em pé, se acotovelando. A certa altura um passageiro gritou:
- Motorista pare! Alguém cagou dentro do ônibus!!!
Resumindo a história, Sandoval preso, fomos à Delegacia, solidariedade ao cagão. O delegado soltou Sandoval depois de tomar um banho com sabugo.
Terminamos a noitada às gargalhadas no Alkazar, relembrando as façanhas, namorando as belas cariocas até o fim das Férias no Rio de Janeiro.

domingo, 9 de agosto de 2015

MULHER DE TRINTA

Texto de Aloisio Guimarães

Vanja,
Que Deus nos dê mais trinta anos de amor, paixão, união, compreensão, amizade...
Que Deus nos dê mais trinta anos de discussão, brigas, xingamentos, raiva...
Porque, nos dando tudo isso, Ele continua a nos dar a vida.
Parabéns pelos nossos trinta anos de vida juntos!
Obrigado pela filha maravilhosa que tivemos!
Sabes que te amo.
Um beijo.