sexta-feira, 9 de setembro de 2016

A VIDA

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Já escondi um amor com medo de perdê-lo,
Já perdi um amor por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por estar com medo,
Já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida,
Já me arrependi por isso...
Já passei noites chorando até pegar no sono,
Já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos...
Já acreditei em amores perfeitos, 
Já descobri que eles não existem... 
Já amei pessoas que me decepcionaram, 
Já decepcionei pessoas que me amaram...
Já passei horas na frente do espelho, tentando descobrir quem sou, 
Já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir...
Já menti e me arrependi depois, 
Já falei a verdade e também me arrependi... 
Já fingi não dar importância a pessoas que amava, para mais tarde chorar quieto em meu canto...
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, 
Já chorei de tanto rir... 
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, 
Já deixei de acreditar nas que realmente valiam... 
Já tive crises de riso quando não podia...
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse... 
Já gritei quando deveria calar, 
Já calei quando deveria gritar...
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, 
Outras vezes falei o que não pensava para magoar outros... 
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, 
Já fingi ser o que não sou para desagradar outros... 
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo mais feliz... 
Já inventei histórias de final feliz, para dar esperança a quem precisava... 
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade...
Já tive medo do escuro. Hoje, no escuro, "me acho... me agacho... fico ali"... 
Já caí inúmeras vezes, achando que não iria me reerguer, 
Já me reergui inúmeras vezes, achando que não cairia mais...
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria... 
Já corri atrás de um carro, por ele levar alguém que eu amava embora.
Já chamei pela mamãe no meio da noite, fugindo de um pesadelo, mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda...  
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram; 
Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim...
Não me deem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre... 
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração... 
Não me façam ser o que eu não sou, 
Não me convidem a ser igual, porque, sinceramente, sou diferente...
Não sei amar pela metade, 
Não sei viver de mentiras, 
Não sei voar com os pés no chão...  
Sou sempre eu mesmo,
Mas com certeza não serei o mesmo para sempre

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

TEMPO AO TEMPO

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Era uma vez um camponês chinês, muito pobre mas sábio, que trabalhava a terra duramente com o seu filho. Um dia o filho disse-lhe:
- Pai, que desgraça, o nosso cavalo fugiu.
O velho pai respondeu:
- Porque lhe chamas desgraça? Veremos o que nos traz o tempo...
Passado alguns dias o cavalo regressou acompanhado de uma linda égua selvagem.
- Pai, que sorte, o nosso cavalo trouxe outro cavalo!
O pai respondeu novamente:
- Porque lhe chamas sorte? Veremos o que nos traz o tempo.
Dias depois o rapaz quis montar o cavalo novo, mas este, não acostumado à sela, encabritou-se e deitou-o ao chão. Na queda, o rapaz partiu uma perna.
- Pai, que desgraça, parti a perna.
O pai, retomando a sua experiência e sabedoria, disse:
- Porque lhe chamas desgraça? Veremos o que nos traz o tempo...
O rapaz não se convencia da filosofia do pai.
Poucos dias depois passaram pela aldeia os enviados do rei à procura de jovens para levar para a guerra. Foram à casa do ancião, viram o jovem debilitado e deixaram-no, seguindo o seu caminho.
O jovem compreendeu então que nunca se deve dar nem a desgraça nem a fortuna como absolutas, mas que, para se saber se algo é mau ou bom, é necessário dar tempo ao tempo.
MORAL DA HISTÓRIA:
A vida dá tantas voltas e é tão paradoxal no seu decorrer que tanto o mau pode vir a ser bom, como o bom pode vir a ser mau.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

PRECE

Texto de Fernando Pessoa

Senhor, que és o céu e a terra, que és a vida e a morte! O sol és tu e a lua és tu e o vento és tu. Tu és os nossos corpos e as nossas almas e o nosso amor és tu também. Onde nada está, tu habitas e onde tudo está - (o teu templo) - eis o teu corpo.
Dá-me alma para te servir e alma para te amar. Dá-me vista para te ver sempre no céu e na terra, ouvidos para te ouvir no vento e no mar, e mãos para trabalhar em teu nome.
Torna-me puro como a água e alto como o céu. Que não haja lama nas estradas dos meus pensamentos nem folhas mortas nas lagoas dos meus propósitos. Faze com que eu saiba amar os outros como irmãos e servir-te como a um pai. [...]
Minha vida seja digna da tua presença. Meu corpo seja digno da terra, tua cama. Minha alma possa aparecer diante de ti como um filho que volta ao lar.
Torna-me grande como o sol, para que eu te possa adorar em mim; e torna-me puro como a lua, para que eu te possa rezar em mim; e torna-me claro como o dia para que eu te possa ver sempre em mim e rezar-te e adorar-te.
Senhor, protege-me e ampara-me. Dá-me que eu me sinta teu. Senhor, livra-me de mim.