quarta-feira, 17 de abril de 2024

A CAMPEÃ DE NATAÇÃO

 Texto de Aloisio Guimarães

Para quem não conhece, Igaci é uma pequena cidade do interior de Alagoas, localizada entre Palmeira dos Índios e Arapiraca e tem um dos maiores açudes do nordeste, construído pelo DNOCS - Departamento Nacional de Obras Contra as Secas - um órgão público federal, onde o meu saudoso pai trabalhou como radiotelegrafista (e dos bons).
O "dotô" Audemaro Araújo, exímio "engenheiro estradista", que já mandou rasgar muito chão de terra, Brasil afora, para abrir estradas e é um conhecedor profundo da nossa gente e da nossa história, conta que nos anos 80 morava em Igaci um caboclo metido a besta, de nome Jessé, um conquistador de primeira, tanto que não tinha moça na região que ele não namorasse.
Por obra e graça do destino, certo dia chegou a Igaci a jovem Paola, uma linda garota italiana. Paola era bela, formosa, sotaque encantador... Era o sonho de consumo de Jessé. Depois de alguns dias de paquera, Jessé ficou loucamente apaixonado e decidiu que iria se casar com a garota.
Depois que ouviu o pedido de casamento, Paola respondeu:
- Mas, Jessé, nós não sabemos nada um sobre o outro.
Jessé, cheio de paixão, aliviou:
- Não há problema, amor, nós nos conheceremos com o tempo...
Ela concordou.
Eles se casaram e foram passar a lua de mel em um sítio situado às margens do grande e famoso "Açude de Igaci".
Certa manhã, eles estavam deitados em dos lajedos que ficam às margens do açude, quando Jessé se levantou, subiu numa pedra, que fica a 10 metros do nível d'água, e realizou perfeitas demonstrações de todos os saltos que Paola já tinha visto pela televisão. Assim que terminou sua exibição, ele voltou para junto da esposa, quando ela exclamou:
- Isso foi incrível!
Ao ouvir o comentário da esposa, ele, aparentando modéstia, respondeu:
- É que eu fui Campeão Alagoano de Saltos Ornamentais... Eu bem que lhe disse que nos conheceríamos com o passar do tempo...
Nisso, ela se levanta, entra no açude e começa a nadar, numa velocidade impressionante. Depois de mais 30 idas e vindas, ela sai da água e vai recostar-se junto ao marido, sem demonstrar nenhum cansaço. Espantado, Jessé, comenta:
- Estou surpreso! Você foi nadadora olímpica?
Ela, demonstrando naturalidade, retrucou:
- Não, amor, é que eu fui puta em Veneza e atendia em domicílio...

terça-feira, 9 de abril de 2024

PARA QUE SERVE A COLHER

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Uma grande lição sobre como os Consultores podem fazer a diferença n'uma Empresa.

Semana passada fomos, com uns amigos, a um novo restaurante e percebemos que o garçom que anotava nossos pedidos carregava uma colher no bolso de sua camisa, o que era meio estranho. Quando o auxiliar de garçom nos trouxe água e talheres, percebi que ele também carregava uma colher no bolso da camisa. Olhei ao redor, e vi que todos os funcionários do restaurante tinham colheres nos bolsos de suas camisas. Quando nosso garçom retornou para nos servir o primeiro prato, perguntei-lhe:

- Porque a colher no bolso?

Ele respondeu:

- Bem, os proprietários do restaurante chamaram a Consultoria Anderson para melhorar todos os nossos procedimentos. Após vários meses de análises, eles concluíram que a colher é o talher que mais cai no chão. Isso significa uma frequência de, aproximadamente, 3 colheres por mesa/hora. Se o nosso pessoal estiver mais bem preparado, podemos reduzir o número de viagens à cozinha para buscar colheres limpas; e isso significa uma redução em “15 homens/hora”, por turno.

Coincidentemente, derrubei minha colher, e ele pôde substituí-la de imediato com a sua colher sobressalente. Em seguida, acrescentou:

- Apanharei uma nova colher, na próxima vez que for à cozinha, ao invés de ir lá, especialmente para essa tarefa.

Fiquei muito bem impressionado. Aí percebi que havia um barbante pendurado para fora do zíper de sua calça. Olhando em volta, vi que todos os garçons tinham um barbante similar para fora de suas calças. Antes que nosso garçom se afastasse de nossa mesa, perguntei-lhe:

- Desculpe-me, mas pode me explicar por que você tem um barbante pendurado bem aí?

- Certamente - disse-me ele,

E, abaixando o tom de sua voz, acrescentou:

- Não são todos que observam isso. A empresa de Consultoria que lhe mencionei, também descobriu que podemos ganhar tempo no banheiro. Amarrando esse barbante, o senhor sabe aonde, podemos puxá-lo sem encostar “naquilo”, e isso elimina a necessidade de lavarmos as mãos, reduzindo o tempo gasto no lavatório, em 76,39%.

- E como é que guarda o dito cujo, após usá-lo? - perguntei-lhe:

- Bem... - ele sussurrou - eu não sei sobre os meus colegas, mas eu uso a colher...

sexta-feira, 5 de abril de 2024

A HORA DO ESPANTO

Texto de Aloisio Guimarães

Lagoa do Rancho é um pequeno povoado pertencente ao município de Arapiraca, agreste alagoano, situado perto da cidade de Igaci. 
Foi em torno da estação da Rede Ferroviária Federal que Lagoa do Rancho se desenvolveu, isto no tempo em que, regularmente, um trem de passageiros fazia a linha Maceió/Porto Real do Colégio/Maceió. É triste dizer que hoje a linha férrea se encontra desativada e que todo aquele patrimônio do povo brasileiro está abandonado... 
Pois bem, armado o circo, vamos ao causo: 
Contam que, numa determinada época, morava em Lagoa do Rancho uma cabocla bonita, chamada Zulmira, que nunca tinha namorado. A razão da sua falta de namoro, segundo contam, é que ela tinha vergonha de "certa parte do seu corpo" e por isso mesmo vivia sempre trancada dentro de casa, fugindo dos rapazes como o diabo foge da cruz.
Eis que, numa bela tarde ensolarada, desembarcou na estação ferroviária de Lagoa do Rancho, vindo Palmeira dos Índios, Teobaldo, um sujeito alto e forte, que ali chegou para tomar conta do sítio de Dona Olindina, uma vizinha e amiga dos pais da Zulmira.
Inevitavelmente, Teobaldo e Zulmira se conheceram...
Depois de alguns dias de olhares furtivos, o amor logo brotou entre eles. Teobaldo, como diziam antigamente, ficou "arriado os quatro pneus e o estepe" pela formosura da Zulmira. A paixão foi tanta que ele decidiu pedir a moça em casamento:
- Zuzu, quirida, vamu ajuntá nossos trápus?
Antes de aceitar o pedido de casamento, ela pensou muito e achou prudente confessar logo o seu problema:
- Teozinho, amô, divido a um piqueno probrema de infânça, tenho os seius dos tamanho de uma minina de deiz ano.
Ao ouvir a confissão da amada, Teobaldo disse que não tinha nenhum problema, pois o amor que sentia por ela era muito maior do que este pequeno detalhe. E, já que estavam numa espécie de "jogo da verdade", ele resolveu que também devia confessar um pequeno problema que ele tinha e que estava guardado, a sete chaves, por muitos anos. Assim, olhando bem no fundo dos olhos da sua futura esposa, ele disse:
 - Zuzu, todo mundu tem probrema... Eu tombém vou confessar o meu probrema: tenho o pêni du tamanho dum ricém-nascidu. Ispero qui vosmicê num fiqui cum raiva...
Ela prontamente respondeu que isso tampouco seria motivo para não se casarem, pois ela o amava tanto, mas tanto mesmo, que os dois encontrariam uma forma de dar a volta por cima.
Assim, cartas na mesa, eles se casaram.
Depois do casório, o pai da noiva, seu "Manezinho da Venda", ofereceu um tradicional rala-bucho, regado a muitas doses da cachaça Mucuri, cachaça famosa porque, no seu rótulo, tinha um cavalo preto, com uma das patas dianteiras levantada e que muitos bebuns diziam que só parariam de beber “quando o cavalo preto baixasse a mão”, lembram-se? Antes de terminar a festança, já por volta das duas horas da madrugada, os dois pombinhos partiram para a lua de mel, em Arapiraca, numa casa emprestada por um dos tios da noiva.
Tão logo entraram no ninho de amor, os nubentes já estavam em "ponto de bala" e partiram logo para as preliminares...
O bicho pegou mesmo foi quando a Zulmira meteu a sua mão por dentro da cueca do marido e gritou, bem alto:
- Ôxente, qui pesti é issu!
Em seguida, ela deu um "pinote daqueles", abriu a porta do quarto e saiu correndo, "com mais de mil"! Vendo o desespero da esposa, Teobaldo, correu atrás dela e, quando a alcançou, perguntou o motivo de todo aquele espanto, no que ela respondeu:
- Vosmicê mintiu pra mim! Dissi qui tinha o pêni du tamanho dum ricém-nascidu!
Nisso, o maridão respondeu:
- Tenho sim, quirida, o meu pêni é du tamanho dum ricém-nascidu, sim! Eu num minti não, pruquê ele tem mermo 32 centímos! Vosmicê foi qui não isperou pra ele ficá todinho duro e diz logo qui tô mintindo!
E foi assim que Zulmira, coitada, continua donzela até os dias de hoje, assumiu a venda do falecido Manezinho, nunca mais quis saber de casamento e muito menos do "ricém-nascidu" de ninguém...