sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

NOVA REFORMA ORTOGRÁFICA

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Eis aqui um programa para resolver o problema da falta de autoconfiança do brasileiro na sua capacidade gramatical e ortográfica. Em vez de melhorar o ensino, vamos facilitar as coisas, afinal, o português é mesmo difícil. Para não assustar os poucos que sabem escrever, nem deixar mais confusos os que ainda tentam acertar, faremos tudo de forma gradual:
• PRIMEIRO ANO
No primeiro ano, o "Ç" vai substituir o "S" e o "C" sibilantes, e o "Z" o "S" suave. Peçoas que açeçam a internet com frequênçia vão adorar, prinçipalmente os adoleçentes. O "C" duro e o "QU" em que o "U" não é pronunçiado çerão trokados pelo "K", já ke o çom é ekivalente.
Iço deve akabar kom a konfuzão, e os teklados de komputador terão uma tekla a menos, olha çó ke koiza prátika e ekonômika.
• SEGUNDO ANO
Haverá um aumento do entuziasmo por parte do públiko no çegundo ano, kuando o problemátiko "H" mudo e todos os acentos, inkluzive o til, seraum eliminados. O "CH" çerá çimplifikado para "X" e o "LH" pra "LI" ke dá no mesmo e é mais facil.
Iço fara kom ke palavras como "onra" fikem 20% mais kurtas e akabara kom o problema de çaber komo çe eskreve xuxu, xa e xatiçe.
Da mesma forma, o "G" ço çera uzado kuando o çom for komo em "gordo", e çem o "U" porke naum çera preçizo, ja ke kuando o çom for igual ao de "G" em "tigela", uza-çe o "J" pra façilitar ainda mais a vida da gente.
• TERCEIRO ANO
No terçeiro ano, a açeitaçaum publika da nova ortografia devera atinjir o estajio em ke mudanças mais komplikadas serão poçiveis. O governo vai enkorajar a remoçaum de letras dobradas que alem de desneçeçarias çempre foraum um problema terivel para as peçoas, que akabam fikando kom teror de soletrar.
Alem diço, todos konkordaum ke os çinais de pontuaçaum komo virgulas dois pontos aspas e traveçaum tambem çaum difíçeis de uzar e preçizam kair e olia falando çerio já vaum tarde.
• QUARTO ANO
No kuarto ano todas as peçoas já çeraum reçeptivas a koizas komo a eliminaçaum do plural nos adjetivo e nos substantivo e a unificaçaum do U nas palavra toda ke termina kom L como fuziu xakau ou kriminau ja ke afinau a jente fala tudo iguau e açim fika mais faciu.
Os karioka talvez naum gostem de akabar com os plurau porke eles gosta de falar xxx nos finau das palavra mas vaum akabar entendendo.
Os paulista vaum adorar. Os goiano vaum kerer aproveitar pra akabar como D nos jerundio mas ai tambem ja e eskuliambaçaum.
• QUINTO ANO
No kinto ano akaba a ipokrizia deçe kolokar R no finau dakelas palavra no infinitivo ja ke ningem fala mesmo e tambem U ou I no meio das palavra ke ningem pronunçia komo por exemplo roba toca e enjenhero e de uzar O ou E em palavra ke todo mundo pronunçia como U ou I, i ai im vez di çi iskreve pur ezemplu kem ker falar kom ele vamu iskreve kem ke fala kum eli ki e muito milio çertu ?
os çinau di interogaçaum i di isklamaçaum kontinuam pra jente çabe kuandu algem ta fazendu uma pergunta ou ta isclamandu ou gritandu kom a jenti e o pontu pra jenti sabe kuandu a fraze akabo.
Naum vai te mais problema ningem vai te mais eça barera pra çua açençaum çoçiau e çegurança pçikolojika todu mundu vai iskreve sempri çertu i çi intende muitu melio i di forma mais façiu e finaumenti.
todu mundu no Braziu vai çabe iskreve direitu ate us jornalista us publiçitario us blogeru us advogado us iskrito i ate us pulitiko i u prezidenti.
- Olia ço ki maravilia!

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

CADÊ O MEU LUGAR?

Texto de Rubens Mário
 PROFESSOR E ADMINISTRADOR DE EMPRESAS

Felizmente, ainda não me acostumei com esse novo mundo globalizado e repleto de modernismos insanos, cruéis e desvairados. Nessas minhas observações tomarei como parâmetro, apenas, a nossa, outrora, gostosa, Maceió provinciana. Há algum tempo, não vou precisar o espaço temporal, pois, tudo ainda está bem vivo na minha doce lembrança, eu era feliz, mas, sem imaginar as abruptas e trágicas transfigurações mundanas que estavam por vir, hoje sinto que poderia ter aproveitado melhor tudo daquele tempo - a música, os campinhos de pelada, a família, as praças, os “rachas” na praia do Sobral, as festas na praça, o carnaval, o folclore, a paz nas ruas, as escolas públicas, e, tudo mais.
No começo da minha infância, na rua Pedro Monteiro, lembro dos bucólicos bangalôs, com seus lindos jardins de muros baixos,  mesmo assim, intransponíveis à roubos e invasões - muito raros naquele tempo; no final daquela rua  ficava a pioneira e potente Rádio Difusora. Semelhante às outras crianças, independente de classe social, estudávamos num grupo escolar público - Fernandes Lima - e, ainda me recordo da nossa professora, “dona” Eurídice, e que, após fazer junto com meu irmão, Robson, as tarefas da escola, vigiados por nossa mãe, íamos brincar nas baias - imenso terreno situado por trás da casa onde morávamos, em frente a Santa Casa - ou na praia do Sobral, onde os únicos perigos  eram as traiçoeiras “bacias” do agitado mar, até as imediações do “salgadinho”.
Mais tarde, no começo da nossa adolescência, já residindo em frente a “praça da faculdade”, vivi momentos extasiantes! Após à nossa aprovação no exame de admissão ao ginásio do saudoso Colégio Estadual de Alagoas, apesar dos conturbados momentos políticos, ainda tínhamos paz, família e educação. A violência atribuída à nós pelo povo do sul e do sudeste, era tão somente a  praticada entre os políticos e algumas famílias alagoanas que brigavam pelo poder e pelo dinheiro. Nas ruas, raramente, assistíamos à um roubo ou assassinato, exceto na situação narrada acima. Um pouco mais tarde, já na UFAL, lembro com bastantes saudades quando saíamos da Universidade, à noite, entre os anos 70 e 80, após tomarmos alguns copos de cerveja pela cidade, terminávamos a noitada, já na madrugada, no saudoso bar “Gracy”, por trás do também nostálgico, cinema “ideal”. Dali, à pés, ia sossegado, para a minha residência em frente a querida praça da “faculdade”. Hoje, passar por aquele local, mesmo em plena luz do dia, torna-se um ato de coragem e bravura.
A saudosa praça do “Pirulito”, atualmente, antro de desordem de todos os tipos, dividia com a nossa, igualmente, nostálgica, praça da “Faculdade”, os mais saudáveis pontos de encontro da população, especialmente, do bairro do Prado e adjacências. Lembro com certa melancolia, das memoráveis festas de São João e Natal, nas duas praças.  A música que nós ouvíamos, mesmo a chamada brega, era audível e tinha qualidade. A palavra assalto só ouvíamos quando algum colega nos convidava para ir a sua casa, onde  cada um levava algo para beber e comer.
Hoje, vivemos sobressaltados, aprisionados em apartamentos ou em residências de muros altos, com cercas elétricas e câmeras de segurança, dantes só vistas em filmes de ação. As crianças perderam as suas inocências e cometem atos inimagináveis para os adultos dos tempos idos; a nossa Rádio Difusora perdeu a sua hegemonia para o poder econômico; a música foi substituída por excrescências “berradas” por imbecis  sem pudor e sem talento; a praia do Sobral foi desertada e hoje, serve apenas como depositária de esgotos e, à noite, de  ponto de encontro de travestis e afins; o nosso folclore agoniza torturado de forma  covarde e impiedosa, pois,  a nossa cultura foi substituída por modismos manquitolantes exportados de plagas alheias. O inchaço populacional e a emergência mercantil expulsaram as famílias tradicionais do entorno das duas praças e permitiu a desertificação das nossas praias do Sobral e da Avenida.
Agora eu pergunto: cadê o meu lugar?

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

HERANÇAS NEGRAS À POSTERIDADE

Texto de Alberto Rostand Lanverly
Membro das Academias Maceioense e Alagoana de Letras e do IHGAL

Aprendi, ainda jovem, que as pessoas não vieram ao mundo para satisfação de suas expectativas. Fatos que hoje enodoam o Brasil, deixam-nos boquiabertos e decepcionados com os donatários do Poder.

Recordo-me quando, em minha infância, convivi com um homem do interior, semianalfabeto, mas dono de uma sabedoria intuitiva. De absoluta confiança de meus pais, encantava-me com as histórias contadas por ele.

Adorava ouvir o conversador velhinho, sempre escutando seu radinho de pilha e com um inseparável cachimbo de madeira. Falava-me sobre Hitler, segundo ele um alemão baixinho, de cara feia, comportamento de epilético, embora dono de eletrizante discurso que lembrava Carlos Gardel, ao cantar e encantar as plateias.

Em sua santa ignorância,  aquele homem comentava que o líder nazista invadira vários países da Europa donde retirava riquezas para tentar a recuperação da economia Alemã, destruída durante a Primeira Grande Guerra Mundial. O Fuhrer, como era chamado, odiado pelo mundo, foi idolatrado por seus compatriotas, que o consideravam um guia, condutor e principalmente líder. Só mais tarde aprendi em detalhes o resto da história, concluindo que  “o dono do bigodinho”, assim como Nero e tantas outras figuras responsáveis por episódios sangrentos conhecidos da humanidade era mesmo um louco.

Com o passar dos anos, imaginei já haver visto de tudo. Ano passado, por exemplo, animei-me com as manifestações de rua, achando que o país dera um passo importante em direção à ética e à decência. Infelizmente, ainda embriagado por esta esperança, em minha primeira movimentação pelo mundo real deparei-me com um Brasil diferente do que a televisão mostrava. Continuei vendo pessoas de pouca idade estacionarem nas “vagas de idosos”, cidadãos corrompendo e se oferecendo para serem corrompidos sem o menor pudor ou o mínimo respeito à própria família.

Novamente sonhei conhecer o bastante. É quando surge o Petrolão: Absurdo dos absurdos praticado por uma corja de bandidos,  violentando a Nação bem debaixo do Poder Constituído. E o pior, ao contrário de Hitler que roubava os de fora para trazer benesses a seu país, estas ratazanas da hora tiraram do Brasil para jogar em Cuba, Bolívia, Venezuela, Passadena – no Texas e tantos outros países do planeta. Vivemos um episódio claro de que este grupo de brasileiros degenerados, possui tanto aperfeiçoamento na rapinagem, que as leis, os princípios, a moral, os bons costumes, o respeito, o amor ao próximo, a solidariedade e a caridade, têm sido deixados de lado, forjando um negro capítulo em nossa história, tão mesquinho que, no futuro, nossos pósteros haverão de imaginar haver sido nossa geração formada por pessoas que roubavam, matavam, enganavam e mentiam, como nunca acontecera em nenhuma outra terra civilizada. Com certeza, a sociedade brasileira merece dirigentes melhores.