quarta-feira, 6 de março de 2019

E ASSIM A BAHIA FOI POVOADA

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES 

O texto a seguir, é conhecido com uma sentença proferida em 1587 em um  processo movido contra o Padre Francisco da Costa, Prior de Tancosoa/BA, acusado de dezenas de filhos, cujos autos estão arquivados na Torre do Tombo (onde são guardados todos os documentos antigos e  está situada em Lisboa, junto à Cidade Universitária), armário 5, maço 7. 
 
"Padre Francisco da Costa, Prior de Trancoso, de idade de sessenta e dois anos, será degredado de suas ordens e arrastado pelas ruas públicas nos  rabos dos cavalos, esquartejado o seu corpo e postos os quartos, cabeça e mãos em diferentes distritos, pelo crime que foi arguido e que ele mesmo não  contrariou, sendo acusado de ter dormido com vinte e nove afilhadas e tendo  delas noventa e sete filhas e trinta e sete filhos; de cinco irmãs, teve dezoito filhas; de nove comadres, trinta e oito filhos e dezoito filhas; de  sete amas, teve vinte e nove filhos e cinco filhas; de duas escravas, teve  vinte e um filhos e sete filhas; dormiu com uma tia, chamada Ana da Cunha, de quem teve três filhas. Total: duzentos e noventa e nove, sendo duzentos e catorze do sexo feminino e oitenta e cinco do sexo masculino, tendo concebido em cinquenta e três mulheres. Não satisfeito tal apetite, o malfadado prior, dormia ainda com um escravo  adolescente de nome Joaquim Bento, que o acusou de abusar em seu vaso nefando noites seguidas quando não lá estavam as mulheres. Acusam-lhe ainda dois ajudantes de missa, infantes menores que lhe foram obrigados a servir de pecados orais, completos e nefandos, pelos quais se culpam em defeso de seus vasos intocados, apesar da malícia exigente do malfadado Prior."
AGORA VEM O INESPERADO:
El-Rei D. João II lhe perdoou a morte e mandou libertá-lo aos dezessete dias do mês de Março de 1587, com o fundamento de ajudar a povoar aquela região da Beira Alta, tão despovoada ao tempo e, em proveito de sua real fazenda, o condena ao degredo em terras de Santa Cruz, para onde segue a viver na vila da Baía de Salvador como colaborador de povoamento português. El-rei ordena ainda guardar no Real Arquivo esta sentença, devassa e mais papéis que formaram o processo.
Meus caros, não sintam inveja... O "pobre" Prior não tinha TV, Internet, nem mesmo rádio. Entendam que naquela época a concorrência praticamente não existia. Com tanto "rabo de saia", desfilando na frente e tanto mato ao redor, não há Prior que aguente.

domingo, 3 de março de 2019

A ESQUADRILHA DA FUMAÇA

Texto de Aloisio Guimarães

O meu pai, Aloisio "Gordinho”, na criação dos filhos, foi “mais grosso do que papel de enrolar pregos”. Isto já é o bastante para imaginar o quanto sofríamos na mão dele. Mesmo assim somos agradecidos pela educação que ele nos deu, procurando moldar o nosso caráter na justiça, lealdade e honestidade.
Para criar os seus oito filhos (antigamente a diversão de pobre era “fazer menino”), o meu pai, além de funcionário da REFFESA - Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima - onde era radiotelegrafista "de mão-cheia" e depois Chefe de Estação - foi obrigado a “botar um bar”, que foi administrado por mim e meus irmãos, sob a forma de revezamento.
Todo mundo que morava em Palmeira dos Índios, anos 60 e 70, conhecia muito bem o bar “Senadinho”, vizinho ao Aero Clube, frequentado somente pela alta sociedade local, uma vez que vender qualquer coisa (de guaraná a cachaça) aos bebuns e aos pinguços, nem pensar! Se algum de nós atendesse a quem não preenchesse certos requisitos exigidos pelo meu pai, "o couro vadiava".
Agora vamos ao causo, para mim inesquecível:
Naquela época, existia um grupo de rapazes da alta sociedade palmeirense apelidado de “A ESQUADRILHA DA FUMAÇA” porque era comentário geral na cidade que eles gostavam de "fumar uma maconhazinha". Era uma época que quem fumava maconha era "maconheiro"; hoje, é "dependente químico". Quem fumava maconha era visto como uma marginal. Hoje em dia, tem até cantora famosa que pede um “baseado” em show, promovido e pago com o dinheiro do povo, e ainda esculhamba com a polícia, como fez a Rita Lee em Aracaju.
Voltando ao nosso caso, infelizmente, vou omitir os nomes dos “pilotos” porque quase todos já faleceram e os que continuam vivos (acho que 1 ou 2, não sei...) são, hoje, figuras respeitadas na cidade. Os palmeirenses "das antigas" sabem muito bem de quem estou falando...
Pois bem, certo dia, "ainda inocente das coisas mundanas”, estava tomando conta do nosso bar quando chegou "o comandante” da famosa esquadrilha (já falecido). Sabedor das determinações do meu pai, e da severidade dos seus castigos, eu comecei a implorar a Deus para que o sujeito “avionasse” e fosse embora, antes que meu pai aparecesse. Nada do sujeito ir embora. O cara ficou por ali, como quem quer e não quer. Em determinado momento, virou-se para mim e perguntou:
- Menino, você conhece o Zé Pelintra?
Imediatamente, respondi que não. Então, ele afirmou exatamente assim:
- Zé Pelintra é eu!
Dito isto, ele voltou a perguntar:
- Você conhece o seu Cuca?
Ora, por associação (desde garoto que sou inteligente), inocentemente, respondi, na bucha, exatamente como ele fez na pergunta anterior:
- O seu Cuca é eu!
Nesse momento, o meu pai estava acabando de chegar. Ao avistar o meu velho, o safado do cara foi logo comentando (lembrando que eu e o meu pai temos o mesmo nome):
- Aloisio, o seu filho está muito sabidinho... Ele disse que “Seu Cuca é eu”!
A entonação maliciosa que ele usou na frase deu a entender que eu tinha lhe dito que o “fiofó” do meu pai estava "querendo o cara". Papai, ao ouvir a indireta do cabra, como se diz na gíria, "juntou a fome com a vontade de comer”: deu-me uma bofetada no “escutador de novela” que ainda hoje, quando me lembro, ouço um zumbido e começa a doer!
Só tempos depois foi que eu vim entender o “espírito” da frase: "O seu Cuca é eu”.
É por isso que hoje dou razão ao meu velho:
- Se eu fosse meu pai, naquele dia, eu batia em mim!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

A DIETA DO ENGENHEIRO

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES 

- Você está cansado de não seguir aquelas dietas muito rigorosas dos nutricionistas e com isso não conseguir emagrecer nada? Os seus problemas acabaram: Você vai conhecer A DIETA DO ENGENHEIRO!
Todo mundo está cansado de saber que nós, engenheiros, somos práticos, inteligentes, brilhantes e objetivos... Portanto, veja que dieta eficaz nós elaboramos para você:
Como você já deve ter estudado Física, então, deve se lembrar muito bem que, pelas Leis da Termodinâmica, uma caloria (1 cal) é a energia necessária para aumentar em 1C° a temperatura de 1g de água.
Diante da definição acima, não é necessário ser nenhum gênio para concluir que, se você beber um copo de água gelada (200ml = 200g), na temperatura de 0°C, necessitará de 200 calorias para aquecer, em 1°C, toda esta água.
Também não é necessário ser inteligente para saber que o nosso corpo deve estar sempre em equilíbrio térmico, porque, caso contrário, estaríamos doentes...
Assim, para ocorrer o equilíbrio térmico, ao ingerir um copo de 200 ml de água gelada, serão necessárias 7.400 calorias (200g X 37°C) para que as 200g de água alcancem os 37°C, temperatura normal do corpo.
E, para manter esta temperatura, você será obrigado a usar a única fonte de energia disponível: a gordura do seu corpo! E o que é que isso significa? Significa que, bebendo água gelada, você queima gorduras, para manter a temperatura do corpo estável. E, queimando gordura, você emagrece!
- Agora, que tal unir o útil ao agradável?
Se você beber um copo de cerveja (aproximadamente 400 ml), na temperatura de 0° C, você perderá 14.800 calorias (400g x 37°C).
Vamos ser honestos e não vamos esquecer de descontar as calorias da cerveja, aproximadamente 800 calorias para 400g. Assim, bebendo apenas um copo de cerveja, você perde nada menos do que 14.000 calorias! Quer coisa melhor?
Obviamente, quanto mais gelada for a cerveja, maior será a perda de gordura! E se for na companhia de uma "loira estupidamente quente", nem se fala!