quinta-feira, 10 de junho de 2021

JUSTIÇA GRATUITA

 Texto de Nei Lopes

Felicidade passou no vestibular,
E agora tá ruim de aturar.
Mudou-se pra Faculdade de Direito
E só fala com a gente de um jeito
Cheio de preliminar (é de amargar).
Casal abriu, ela diz que é divórcio,
Parceria é litisconsórcio,
Sacanagem é libidinagem e atentado ao pudor.
Só fala cheia de subterfúgios,
Nego morreu, ela diz que é “de cujus”,
Não aguento mais essa Felicidade, doutor Defensor
(só mesmo um desembargador).
Amigação pra ela é concubinato,
Vigarice é estelionato,
Caduquice de esclerosado é demência senil.
Sumiu na poeira, ela chama ausente,
Não pagou a conta é inadimplente,
Ela diz, consultando o Código Civil.
Me pediu uma grana dizendo que era um contrato de mútuo,
Comeu e bebeu, disse que era usufruto,
E levou para casa o meu violão.
Meses depois que fez esse agravo ao meu instrumento
Ela então me disse, cheia de argumento,
Que o adquiriu por usucapião
(Seu Defensor, não é mole não!)
Taí minha procuração
E o documento que atesta minha humilde condição!
Requeira prontamente meu divórcio e uma pensão!
E se ela não pagar,
Vai cantar samba na prisão!

quarta-feira, 9 de junho de 2021

VOCÊ AGUENTA BRINCADEIRA?

Texto de Aloisio Guimarães

- Você aguenta brincadeira?
Durante muitos anos, mulheres e homens que moravam na região de Palmeira dos Índios, Quebrangulo e Paulo Jacinto, se esquivaram de responder a esta simples pergunta tal qual o diabo foge da cruz.
Explico:
Como sabemos, o jumento, como a própria espécie insinua, é um animal “agraciado pela natureza”. Aconteceu que, nos anos 60, existia na cidade de Quebrangulo um jumento que, além dos requisitos que a natureza lhe deu, ainda por cima, era “superdotado”. Pense num tamanho... Pensou? Era maior ainda!
Naquela época não existiam tantos carros e motos como nos dias atuais, sendo comum, nas cidades pequenas, os animais andarem vagando pelas ruas da cidade. Como Quebrangulo era uma cidade pequena (e ainda é), o nosso jumento, pouco a pouco, foi tendo a sua "presença" notada pelo povo, principalmente pela "turma da cachaça" que, sem nada melhor que fazer, fica fofocando e zoando com a cara de todo mundo. Então, quando o jumento passava, os biriteiros diziam, na sacanagem, que o “instrumento” do jumento não era de "brincadeira”. Devagarzinho, tais comentários sobre a anatomia privilegiada do animal foi se alastrando pela cidade de modo que, naturalmente, ele ficou conhecido como “Brincadeira”, de forma que, quando o jumento apontava no começo da rua, logo avisavam:
- “Brincadeira” vem aí...
Em pouco tempo, quando os amigos se reuniam para “jogar conversa fora” e também "molhar as palavras", quando alguém se metia a engraçadinho, diziam-lhe:
- Bicho, já que você está “tirando onda” com a cara de todo mundo, você aguenta “brincadeira”?...
E assim, devido à proximidade da cidade de Quebrangulo com Palmeira dos Índios e Paulo Jacinto, a fama do animal logo se espalhou pela região, trazendo consigo esta perguntinha marota...
Agora, que você já sabe de tudo, cá para nós...
- Você também aguenta “brincadeira”?
  

terça-feira, 8 de junho de 2021

CONVIDANDO UMA MULHER PARA JANTAR

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Quando um homem chama uma mulher para sair, não sabe o grau de estresse que isso desencadeia em nossas vidas. O que venho contar aqui hoje é mais dedicado aos homens do que às mulheres. Acho importante que eles saibam o que se passa nos bastidores. 
Você, mulher, está flertando um "Zé Ruela" qualquer... Com sorte, ele acaba te chamando para sair. Vamos supor, um jantar. Ele diz, como se fosse a coisa mais simples do mundo: "Vamos jantar amanhã?". Você sorri e responde, como se fosse a coisa mais simples do mundo: "Claro, vamos sim".
Começou o inferno na Terra. Foi dada a largada. Você começa a se reprogramar mentalmente e pensar em tudo que tem que fazer para estar apresentável até lá. Cancela todos os seus compromissos canceláveis e começa a odisseia. Evidentemente, você também para de comer, afinal, quer estar em forma no dia do jantar e mulher sempre se acha gorda. Daqui pra frente, você começa a fazer a dieta do queijo: fica sem comer nada o dia inteiro e quando sente que vai desmaiar come uma fatia de queijo. Muito saudável.
Primeira coisa: fazer mãos e pés. Quem se importa se é inverno e você provavelmente vai usar uma bota de cano alto? Mãos e pés tem que estar feitos - e lá se vai uma hora do seu dia. Vocês (homens) devem estar se perguntando "Mão tudo bem, mas porque pé, se ela vai de botas?" Lei de Murphy. Sempre dá merda. Uma vez pensei assim e o infeliz me levou para um restaurante japonês daqueles em que tem que tirar o sapato para sentar naqueles tatames. Tomei no cu bonito! Tive que tirar o sapato com aquela sola do pé cracuda, esmalte semi-descascado e cutícula do tamanho de um champignon! Vai que ele te coloca em alguma outra situação impossível de prever que te obriga a tirar o sapato? Para nossa paz de espírito, melhor fazer mão é pé, até porque boa parte dessa raça tem uma tara bizarra por pé feminino. Isso me emputece. Passo horas na academia malhando minha bunda e o desgraçado vai reparar justamente onde? Na porra do pé! Isso é coisa de... Melhor mudar de assunto...
As mais caprichosas, além de fazer mão e pé, ainda fazem algum tratamento capilar no salão: hidratação, escova, corte, tintura, retoque de raiz, etc. Eu não faço, mas conheço quem faça.
Ah sim, já ia esquecendo. Tem a depilação. Essa os homens não podem nem contestar. Quem quer sair com uma mulher não depilada, mesmo que seja apenas para um inocente jantar? Lá vai você depilar perna, axila, virilha, sobrancelha, etc, etc... Tem mulher que depila até o âus! Mulher sofre! E lá se vai mais uma hora do seu dia. E uma hora bem dolorida, diga-se de passagem.
Dia seguinte:
É hoje seu grande dia. Quando vou sair com alguém, faço questão da dar uma passada na academia no dia, para malhar desumanamente até quase cuspir o pulmão. Não, não é para emagrecer, é para deixar minha bunda e minhas pernas enormes e durinhas (elas ficam inchadas depois de malhar).
Geralmente, o "Zé Ruela" não comunica onde vai levar a gente. Surge aquele dilema da roupa. Com certeza você vai errar, resta escolher se quer errar para mais ou para menos. Se te serve de consolo, ele não vai perceber. Alias, ele não vai perceber nada. Você pode aparecer de Armani ou enrolada em um saco de batatas, tanto faz. Eles não reparam em detalhe nenhum, mas sabem dizer quando estamos bonitas (só não sabem o porquê). Mas, é como dizia Angie Dickinson: "Eu me visto para as mulheres e me dispo para os homens". Não tem como, a gente se arruma, mesmo que eles não reparem.
Escolhida a roupa, com a resignação que você vai errar, para mais ou para menos, vem a etapa do banho. Depois do banho e do cabelo, vem a maquiagem. Nessa etapa eu perco muito tempo. Lá vai a babaca separar cílio por cílio com palito de dente depois de passar rímel.
Depois vem a hora de se vestir. Homens não entendem, mas tem dias que a gente acorda gorda. É sério, no dia anterior o corpo estava lindo e no dia seguinte... Leitoa! Não sei o que é (provavelmente nossa imaginação), mas eu juro que acontece. Muitas vezes você compra uma roupa para um evento, na loja fica linda e na hora de sair fica uma merda. Se for um desses dias em que seu corpo está uma merda e o espelho está de sacanagem com a sua cara, é provável que você acabe com uma pilha de roupas recusadas em cima da cama, chorando, com um armário cheio de roupa gritando: "Eu não tenho roooouuuupaaaa". O chato é ter que refazer a maquiagem. E quando você inventa de colocar aquela calça apertada e tem que deitar na cama e pedir para outro ser humano enfiar ela em você? Uma gracinha, já vai para o jantar lacrada a vácuo; se espirrar, a calça perfura o pâncreas!
Ok, você achou uma roupa que ficou boa. Vem o dilema da lingerie. Salvo raras exceções, roupa feminina (incluindo lingerie) ou é bonita ou é confortável. Você olha para aquela sua calcinha de algodão do tamanho de uma lona de circo. Ela é confortável. E cor de pele. Praticamente um método anticoncepcional. Você pensa: "Eu não vou dar para ele hoje mesmo, que se foooda". Você veste a calcinha. Aí bate a culpa. Eu sinto culpa se ando com roupa confortável, meu inconsciente já associou estar bem vestida a sofrimento. Aí você começa a pensar: "E se mesmo sem dar para ele, ele pode acabar vendo a minha calcinha? Vai que no restaurante tem uma escada e eu tenho que subir na frente dele? Se ele olhar para essa calcinha, broxará para todo o sempre comigo...". Muito "p" da vida, você tira a sua calcinha amiga e coloca uma daquelas porras mínimas e rendadas, que com certeza vão ficar entrando na sua bunda a noite toda. Melhor prevenir.
Os sapatos. Vale o mesmo que eu disse sobre roupas: ou é bonito ou é confortável. Geralmente, quando tenho um encontro importante, opto por uma peça de roupa bem bonita e desconfortável, e o resto menos bonito, mas confortável. Fato: a Lei de Murphy impera. Com certeza me vai ser exigido esforço da parte comprometida pelo desconforto. Exemplo: vou com roupa confortável e sapato assassino. Certeza que no meio da noite o animal vai soltar um "Sei que você adora dançar, vamos sair para dançar". Eu tento fazer parecer que as lágrimas são de emoção. Uma vez, um sapato me machucou tanto, mas tanto, que fiz um bilhete para mim mesma e colei no sapato, para lembrar de nunca mais usar! Porque eu não dei o sapato? Porra, me custou muito caro! Posso não usá-lo, mas quero tê-lo. Eu sei, eu sei, materialista do caralho. Vou voltar como besouro de esterco na próxima encarnação e comer muito cocô para ver se evoluo espiritualmente! Mas por hora, o sapato fica.
Depois que você está toda montadinha, lutando mentalmente com seus dilemas do tipo "Será que dou para ele? É o terceiro encontro, talvez eu deva dar..." Começa a bater a ansiedade. Cada uma lida de um jeito.
Tenho um faniquito e começo a dizer que não quero ir. Não para ele, ligo para a infeliz da minha melhor amiga e digo que não quero mais ir, que sair para conhecer pessoas é muito estressante, que se um dia eu tiver um AVC é culpa dessa tensão toda que eu passei na vida toda em todos os primeiros encontros e que quero voltar tartaruga na próxima encarnação. Ela, coitada, escuta pacientemente e tenta me acalmar.
Agora imaginem vocês, se depois de tudo isso, o filho da puta liga e cancela o encontro? "Surgiu um imprevisto, podemos deixar para semana que vem?". Gente, não é má vontade ou intransigência, mas eu acho inadmissível uma coisa dessas, a menos que seja algo muito grave! Eu fico "p" da vida... Claro! Na cabecinha deles não custa nada mesmo. Eles acham que é simples, que a gente levantou da cama e foi direto pro carro deles. Se eles soubessem o trabalho que dá, o estresse, o tempo perdido... Nunca ousariam remarcar nada. Se dane aí! Venha me buscar de maca e no soro, mas não desmarque comigo! Até porque, a essas alturas, a dieta radical do queijo está quase te fazendo desmaiar de fome, é questão de vida ou morte o jantar:
Não cancelem encontros a menos que tenha acontecido algo muito, muito grave, do tipo morrer a mãe ou o pai ter um AVC no trânsito.
Supondo que ele venha. Ele liga e diz que está chegando. Você passa perfume, escova os dentes e vai. Quando entra no carro já toma um eufemismo na lata "Hummm... tá cheirosa!" (tecla SAP: "Passou muito perfume, porra"). Ele nem sequer olha para a sua roupa. Ele não repara em nada, ele acha que você é assim ao natural. Eu não ligo, porque acho que homem que repara muito é meio viado, mas isso frustra algumas mulheres. Quando é comigo, passo tanto estresse que chego no jantar com um pouco de raiva do cidadão. 
No meio da noite, já não sinto mais meus dedos dos pés, devido ao princípio de gangrena em função do sapato de bico fino. Quando ele conta piadas e ri eu penso: "É, eu também estaria de bom humor, contando piada, se não fosse essa calcinha intrauterina raspando no colo do meu útero". A culpa não é deles, é minha, por ser surtada com a estética. Sinto o estômago fagocitando meu fígado, mas apenas belisco a comida de leve. Fico constrangida de mostrar toda a minha potência estomacal assim, de primeira. (E se após vários encontros com o Zé, ele for tirar a sua roupa, grandes chances dele tirar a calça junto com a calcinha e nem ver). 
Pois é, minha amiga, você passou a noite toda com a rendinha atochada no rego (que por sinal custou muito caro) para nada. 
Homens, vocês sabiam que uma boa calcinha, de marca, pode custar o mesmo que um MP4? Favor tirar sem rasgar!
Para finalizar, quero ressaltar que eu falei aqui do desgaste emocional e da disponibilidade de tempo que um encontro nos provoca. Nem sequer entrei no mérito do "dinheiro". Pois é, tudo isso custa caro. Vou fazer uma estimativa, por baixo, muito por baixo, porque geralmente pagamos bem mais do que isso e fazemos mais tratamentos estéticos:
Roupa: R$ 500,00
Lingerie: R$ 300,00
Maquiagem: R$ 150,00
Sapato: R$ 250,00 (no mínimo)
Depilação: R$ 50,00
Mão e pé: R$ 80,00 (em média)
Perfume: R$ 120,00(dependendo pode chegar a R$ 400,00 (fácil)
Pílula anticoncepcional: R$ 50,00
Ou seja, jogando o valor bem para baixo, gastamos, no barato, R$ 1.500,00 para sair com um "Zé Ruela". Entendem porque eu bato o pé e digo que homem tem que pagar o jantar? A gente gasta muito mais para sair com eles do que eles com a gente! 
Por isto amigos, valorizem seu próximo encontro e aprendam um pouco mais, sobre este ser fantástico, chamado mulher.