No mês de abril passado, estive de férias e aproveitei para conhecer Portugal e também rever alguns amigos que não via há oito anos e que moram na região do Algarve.
Como esta não foi a primeira vez que estive na Europa, alguns fatos me chamaram a atenção, negativamente, já que não os detectei nos outros países que visitei. O principal deles foi o grau de pobreza crescente em Portugal: além visualizar pessoas catando lixo nas lixeiras das cidades, éramos constantemente importunados com pedidos de esmolas. Conversando com os amigos que fizemos, todos foram unânimes em apontar as mesmas causas do problema. As maiores justificativas e reclamações que ouvimos foram de que a entrada do país na comunidade europeia só fez piorar a situação econômica local; que os alemães já compraram grande parte do país e que o trânsito livre de pessoas, sem controle de fronteira, fez surgir os assaltos e roubos, ao ponto de dizerem que Portugal está ficando pior do que o Brasil. Como não poderia deixar de ser, a “esquerda” já começa a defender a volta do “escudo”, antiga moeda do país, o que equivale dizer a sua saída da comunidade europeia.
Deixando a parte política e economia de lado, foi muito bom conhecer a nossa pátria-mãe, com suas belas cidades e belos monumentos.
Durante a minha visita, cheguei às seguintes conclusões, lembrando que não sou o dono da verdade:
● A cidade do Porto é infinitamente mais bela do que Lisboa.
● Braga é a mais linda cidade portuguesa.
● Um destaque à parte é Valença (fronteira norte com a Espanha), onde a cidade antiga é toda cercada por muralhas, protegida por canhões. Grande parte dos serviços públicos (prefeitura, correios, comércio...) ainda funciona no local.
● As atrações turísticas do país ficaram dentro das expectativas: a Torre de Belém, o Padrão dos Descobrimentos, o Castelo de São Jorge, o Castelo de Guimarães; a Universidade de Coimbra; o Cabo da Roca (ponto mais ocidental da Europa, levando Camões dizer “Eis aqui, quase cume da cabeça de Europa toda, o Reino Lusitano, onde a terra se acaba e o mar começa...”), a Ponte Luís I, a Ponte Vasco da Gama, a Ponte 25 de Abril, o Mosteiro dos Jerónimos, o Monumento Cristo Rei... A mais bonita delas, disparada, é o Palácio da Pena, em Sintra. Considerado “patrimônio nacional”, ele é simplesmente fantástico.
● O Santuário de Fátima, para quem conhece o Santuário de Nossa Senhora Aparecida, pode ser considerado modesto. Mesmo assim é muito bonito, principalmente a sua parte moderna.
● A região do Algarve, não chega a ser “nenhuma bratemp”, mas se distingue do resto do país pela atração que as suas praias provocam nos turistas e nativos. É impressionante o número de voos que chegam e partem de Faro (cidade pequena), a capital do Algarve, mesmo no período de “baixa estação”.
● Simples e bonita, a Igreja de Santa Luzia, em Viana do Castelo.
● Os preços são praticamente iguais aos praticados aqui, com exceção da alimentação que é mais barata. Come-se bem, com pouca grana, a depender do local e luxo.
● O meio de transporte mais utilizado no país, a exemplo da toda a Europa, é o trem (que lá chamam de comboio), limpos, rápidos e de pontualidade britânica.
● O povo português sabe quem é o Brasil, mas a grande maioria desconhece a extensão territorial do nosso país. Para muitos, somos do tamanho (ou menor) do que Portugal.
● O Benfica está para Portugal assim como o Flamengo está para o Brasil.
Como diz o ditado, “perco o amigo, mas não perco a piada”: Eu e a minha esposa fomos conhecer o Shopping Amoreiras, o mais luxuoso de Lisboa. Na hora de voltarmos, começou a cair uma chuva “daquelas” e, como não tínhamos mais o que fazer e estávamos cansados, resolvemos assistir um filme no cinema do shopping. No meio do filme, eis que aparece uma imagem parada, avisando que é “hora do intervalo”, ou seja, 10 minutos de interrupção na exibição do filme para a plateia ir ao sanitário (que lá chamam de “casa de banho”), comprar pipoca, balas e/ou refrigerante. Coisa de português...
Por fim, entendo que, para quem precisa do turismo para “sair do buraco”, o português precisa ser mais atencioso com seus visitantes. Em algumas ocasiões, a má vontade em fornecer informações foi gritante, principalmente na hora de comprar bilhetes do trem (comboio), atividade muito complicada para “marinheiros de primeira viagem”. Depois, quando se aprende (“na tapa”), vê-se que é prático e completo o livreto de opções de trens que lhes dão como resposta.
Mais uma vez, agradeço aos amigos Costa, Dina e Bruno, pelo “tratamento vip” que nos dispensaram, inclusive nos levando a conhecer Ayamonte e Huelva, sul da Espanha.
