sábado, 30 de junho de 2012

O FARRAPA

Texto de Aloisio Guimarães


Ricardo Farrapeira, colega de trabalho, é um daqueles sujeitos que ninguém consegue ter ou guardar mágoa.
Para quem não o conhece, “Farrapeira” é nome de família e não apelido!
Grandalhão, inteligente, desengonçado, óculos de grau forte... Enfim, a figura tem toda a aparência típica dos nerds, daquela capaz de andar com meias de cores diferentes, cinturão fora do lugar...
Conviver diariamente com o "Farrapa" (como costumamos chamá-lo), é uma das coisas boas do nosso trabalho e gozar da sua amizade é uma dádiva.
Sua característica marcante é “fazer tempestade em copo d’água”, ou seja, sempre levar à sério qualquer bobagem que escute. Nessas horas, ele sempre externa sua preocupação com a sua frase (marca) registrada:
- Hômi, pur nossa sinhora!
Apresentado a personagem, vamos ao causo:
Como já foi informado aqui mesmo no blog, esta semana, faleceu o engenheiro Nilton Mesquita, nosso amigo comum e colega de trabalho.
Acontece que, no dia do enterro, logo cedo, quando o Farrapeira estava entrando na repartição que trabalhamos, uma das serviçais, “trocando as bolas”, lhe perguntou:
- Doutor, o senhor vai para o enterro do doutor Farrapeira?
Ouvindo a pergunta, Farrapeira, “puto da vida” com o mau-agouro inesperado, disparou:
- Minha filha, com certeza, esse é o enterro que eu não vou perder de jeito nenhum!

quarta-feira, 27 de junho de 2012

MEU ETERNO PAINHO

Texto de Bruno Mesquita


"Meu eterno painho,
Você se foi em meio a muita esperança.
Foi forte, sereno, guerreiro.
Não desistiu um único momento.
Sua vida já não era tão mais repleta de alegrias
Mas, no fundo, ainda brotava a esperança de voltar.
Seu exemplo e rigidez me acompanhará para sempre.
Nos pequenos gestos, nas grandiosas ações.
Em um rápido lapso de tempo, escapaste de mim entre os dedos.
Em seus últimos momentos, fui testemunha de sua coragem e aflição.
Não me acovardarei das agruras da vida.
Assim como não esquecerei de tua lembrança.
Sinto, imensamente, tristeza em não ter sabido retribuir em vida.
Todo o amor, consideração, respeito e carinho que mereceste.
Que bendita forma de amar é essa?
Que sempre me envergonhava em dizer que amava.
Fruto da rigidez do ensinamento.
Mas, no íntimo, o mais apaixonado e admirador.
Hoje me resta perguntar.
Por quê? Por quê? Por quê?
Por que foste em meio a um suspiro de esperança?
Por que não compartilhar mais momentos e conquistas conosco?
Por que não realizar suas metas e sonhos tão próximos?
Vá! Se vá! Descanse! Um guerreiro também cansa
Aguarde que chegarei aonde quer que estejas, um dia em teus braços
E te direi, sem barreiras ou vergonhas mundanas.
Que te amei e sempre te amarei...
Meu eterno painho."

* BRUNO MESQUITA é filho do amigo e colega engenheiro Nilton Mesquita.
 

terça-feira, 26 de junho de 2012

O BARBEIRO DE CACIMBINHAS

Texto de Audemaro Araújo

Meu caro Aloísio,
O interessante Dilema de Thulson-Doom que você publicou no dia 22/06 me fez  lembrar outros; como, por exemplo, o do barbeiro, seu conterrâneo.
Vamos lá...
Além do Barbeiro de Sevilha, só conheço outro famoso: certo barbeiro palmeirense que me deixou embatucado nos idos dos antigamente, quando o nosso saudoso e grande mestre Edmilson Pontes, era engenheiro do DOP, que era uma SEINFRA, um SERVEAL, daquelas épocas; tecnicamente falando, né?.
Numa de nossas andanças para inspecionar a Barragem da Carangueja, em seus primórdios, durante as explorações  que fazíamos nos arredores da região, o mestre Edmilson me chamou a atenção para uma singela Barbearia em Cacimbinhas, em cuja fachada, de porta e janela, se destacava uma vistosa tabuleta dizendo:
"Barbeio todos e apenas aqueles homens do vilarejo que não se barbeiam" (B.R.)
Nos indagamos:
- Aonde quer chegar o Barbeiro de Cacimbinhas?
Primeiramente, é óbvio que todos os homens, dali do vilarejo, que se barbeiam, não são clientes daquele inusitado barbeiro; segundamente...
Aí, surge inopinadamente Ciço Aluado, o maior filósofo, inventor, cientista da Palmeira dos Índios e derredores, e sapeca para gente uma sutil e demolidora perguntinha:
- E quem barbeia o barbeiro? 
E ato contínuo, Ciço Aluado se-escafedeu-se no oco do mundo...
O grande e inesquecível mestre Edmilson ajeita seus óculos “fundo-de-garrafa”, abre aquele sorriso amigo e professoral e me pergunta:
- E agora neófito algebrista?  Saia desse imprensado, jovem! 
Ajudem-me meus caros jovens, a sair desse dilema, enigma, paradoxo, seja lá o que for, pois: 
a)  Se o babeiro se  barbeia ele seria um daqueles homens que ele não barbeia, conforme a tabuleta;
b)  Se ele não se barbeia, então, pelo que reza a tabuleta, ele deveria ser um daqueles homens que ele barbeia?!
Sendo assim, deu-se o imbróglio.
- Afinal, nobres mancebos, o barbeiro se barbeia ou não?