segunda-feira, 6 de julho de 2015

MEIO DA VIDA

AUTORIA: MARTHA MEDEIROS

Vida é o que existe entre o nascimento e a morte. O que acontece no meio é o que importa.
No meio, a gente descobre que sexo sem amor também vale a pena, mas é ginástica, não tem transcendência nenhuma. Que tudo o que faz você voltar pra casa de mãos abanando (sem uma emoção, um conhecimento, uma surpresa, uma paz, uma ideia) foi perda de tempo.
Que a primeira metade da vida é muito boa, mas, da metade para o fim, pode ser ainda melhor se a gente aprendeu alguma coisa com os tropeços lá do início. Que o pensamento é uma aventura sem igual. Que é preciso abrir a nossa caixa preta de vez em quando, apesar do medo do que vamos encontrar lá dentro. Que maduro é aquele que mata no peito as vertigens e os espantos.
No meio, a gente descobre que sofremos mais com as coisas que imaginamos que estejam acontecendo do que com as que acontecem de fato. Que amar é lapidação, e não destruição. Que certos riscos compensam – o difícil é saber previamente quais. Que subir na vida é algo para se fazer sem pressa.
Que é preciso dar uma colher de chá para o acaso. Que tudo que é muito rápido pode ser bem frustrante. Que Veneza, Mykonos, Bali e Patagônia são lugares excitantes, mas que incrível mesmo é se sentir feliz dentro da própria casa. Que a vontade é quase sempre mais forte que a razão. Quase? Ora, é sempre mais forte.
No meio, a gente descobre que reconhecer um problema é o primeiro passo para resolvê-lo. Que é muito narcisista ficar se consumindo consigo próprio. Que todas as escolhas geram dúvida, todas. Que depois de lutar pelo direito de ser diferente, chega a bendita hora de se permitir a indiferença.
Que adultos se divertem muito mais do que os adolescentes. Que uma perda, qualquer perda, é um aperitivo da morte – mas não é a morte, que essa só acontece no fim, e ainda estamos falando do meio.
No meio, a gente descobre que precisa guardar a senha não apenas do banco e da caixa postal, mas a senha que nos revela a nós mesmos. Que passar pela vida à toa é um desperdício imperdoável. Que as mesmas coisas que nos exibem também nos escondem (escrever, por exemplo).
Que tocar na dor do outro exige delicadeza. Que ser feliz pode ser uma decisão, não apenas uma contingência. Que não é preciso se estressar tanto em busca do orgasmo, há outras coisas que também levam ao clímax: um poema, um gol, um show, um beijo.
No meio, a gente descobre que fazer a coisa certa é sempre um ato revolucionário. Que é mais produtivo agir do que reagir. Que a vida não oferece opção: ou você segue, ou você segue. Que a pior maneira de avaliar a si mesmo é se comparando com os demais. Que a verdadeira paz é aquela que nasce da verdade. E que harmonizar o que pensamos, sentimos e fazemos é um desafio que leva uma vida toda, esse meio todo.
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domingo, 5 de julho de 2015

CHAVE DE COXAS

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Imagina se fosse a tua cabeça...


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A ORIGEM DOS NOMES INDÍGENAS

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Um bravo indiozinho, filho do chefe Grande Cabeça Negra e Grossa, aproximou-se do pai, numa manhã de radioso sol, e perguntou-lhe:
- Meu pai, por que é que os nomes dos índios são tão compridos, e não são como os dos caras-pálidas que se chamam Zé, Mané ou João?
- Meu Filho, os nossos nomes são um símbolo da beleza natural de tudo o que acontece e representam a riqueza da nossa cultura na sua forma de expressão.
- Como assim?!...
- Por exemplo, a tua irmã chama-se Lua Cheia no Grande Lago porque foi feita numa noite em que eu e a tua mãe andávamos a passear à beira dele numa noite de luar, nos abraçamos, beijamos e o amor gerou a vida dela.

- Humm...
- Olha, o teu irmão chama-se Grande Corcel das Pradarias Imensas porque um dia vinha com a tua mãe a regressar à aldeia pela pradaria, fora estava muito sol, resolvemos descansar, abraçamo-nos, beijamo-nos e ele foi gerado.
- Ah!...
- O que queres tu saber mais, meu pequeno Camisinha de Merda Furada Vinda da China?
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sábado, 4 de julho de 2015

OS DOCES DA NOSSA INFÂNCIA

AUTORIA: CARLITO LIMA
                   AO PETRÚCIO CODÁ

Uma das melhores coisas da vida é comer, seja qual o sentido. A arte culinária é peculiar, tem suas características. Nessa cidade de Nossa Senhora dos Prazeres, Maceió, comidas estão entre os melhores prazeres. Comer faz parte de nosso lazer, de nossa cultura. Lembrando o Bispo Don Pero Fernandes Sardinha, devorado, em apreciado banquete antropofágico nas areias brancas da praia de Barra de São Miguel por nossos ancestrais, os índios caetés.
Nossa juventude foi marcada por pratos e doces inesquecíveis. Ainda tenho em minha mente, em meu paladar, alguns feitos em casa por minha mãe, excelente cozinheira, caprichava nos almoços dominicais, caruru, galinha à cabidela, arabaiana ao olho de camarão ou feijoada de feijão mulatinho incrementada com charque, toucinho, tripa de porco, linguiça, carne do sol, couve, jerimum, quiabo, maxixe.
Havia pratos, hoje preparados em óleo vegetal, na época cozidos com banha de porco, o sarapatel, o fígado e o bife de panela. Sem esquecer do cozido, das macarronadas e peixadas de todo tipo.
Quando íamos ao centro da cidade invariavelmente lanchávamos em sorveterias da moda, Bar e Sorveteria Elegante em frente ao Beco do Moeda, frequentado pela classe média. Mesas de ferro com tampo de mármore, sorvetes de frutas regionais e pudins servidos em taças de metal niquelado.
Depois do sorvete, o chocolate caseiro em barras, duas cores, vendido pelo Seu Portela na loja especializada em óculos, vendia mais chocolate que óculos. Às vezes o sorvete de chocolate crocante na Sorveteria Xangai de Seu Fon, Rua da Alegria.
Ainda sinto o gosto e o cheiro das doces de nossa infância, ficaram para sempre entranhados nas narinas e glândulas palatares.
Acrescento à lista, os ambulantes que passavam na praia da Avenida da Paz. Depois do almoço ficávamos à espera de Seu Primitivo empurrando o carrinho de sorvete. Sempre dois sabores, coco e maracujá, coco e mangaba, coco e cajá, coco e goiaba, ele raspava o sorvete com uma colher enchendo o carlito (casquinha). Era nossa predileta sobremesa.
Ao entardecer, o China aboletava o tabuleiro de quebra-queixo embaixo de alguma amendoeira na Avenida, nós, tostões contados, encantávamos com a rapidez do corte vertical, um pouco inclinado, em pedaço de papel colorido ele entregava o quebra-queixo, cocada dura queimada com amendoim.
A moçada se deliciava com o algodão doce, rodado na hora numa panela com fogo, esquentava o açúcar fazendo enorme nuvem de algodão. Complementava tomando um raspadinho, gelo raspado dentro de um copo cheio de garapa de coco, maçã ou misto, uma delícia. E o caldo de cana, caiana!
Defronte ao coreto havia um futebol organizado. Depois do banho-de-mar, os jovens iniciavam papos e paqueras sentados na areia. Invariavelmente aparecia o Gaguinho empurrando o carrinho de sorvete XAXADO, uma delícia feita de frutas nordestinas. Gaguinho parava na roda oferecendo seu delicioso sorvete e picolé:
 - Quem vão quererem? Quem vão quererem? Podem pedirem!
Ele vendia fiado, na hora do almoço passava na casa de cada um com a conta do sorvete consumido.
As tardes na Rua do Comércio eram imperdíveis, jovens encostados nos automóveis (limpando carro) curtiam as meninas, flertando, marcando encontro nas Sorveterias DK-1 e Gut-Gut, saborosos sorvetes de frutas de todas as qualidades, ponto de encontro da moçada bonita.
Quando o Comércio fechava, eu descia rumo à minha casa, parada obrigatória na esquina do trilho de ferro, ao lado do Arcebispado, saboreava um suco maracujá com pão doce. Nunca ninguém no mundo até hoje conseguiu fazer um suco igual àquele, o sumo da divindade. Os deuses da gula em vez de água devem beber aquele maracujá.
É preciso um estudo mais profundo sobre comidas, salgados e doces dos anos dourados; fazem parte de nossa história.
A modernidade acabou com os doces de nossa infância, prolifera no mundo as lanchonetes dos Shoppings, sanduíches com gosto de sola de sapato, sofisticadas fábricas de obesidade inventadas pelos americanos.
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