quinta-feira, 30 de março de 2017

MEU TIO TONICO

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Meu tio Tonico estava bem de saúde, até que sua esposa, minha tia Marocas, a pedido de sua filha, minha prima Totinha, disse:
- Tonico, você vai fazer 70 anos, está na hora de fazer um check-up com o médico.
- Para quê? Estou me sentindo muito bem!
- Porque a prevenção deve ser feita agora, quando você ainda se sente jovem, - disse minha tia.
Então, meu tio Tonico foi ver um médico, que, sabiamente, mandou-o fazer testes e análises de tudo o que poderia ser feito e que o plano de saúde cobrisse.
Duas semanas mais tarde, o médico disse que os resultados estavam muito bons, mas tinha algumas coisas que podiam melhorar. Então, receitou Atorvastatina, para o colesterol; Losartan, para o coração e hipertensão; Metformina, para evitar diabetes; Polivitaminas, para aumentar as defesas; Norvastatina, para a pressão; Desloratadin,a em alergia... Como eram muitos medicamentos, tinha que proteger o estômago, então ele indicou Omeprazol e um diurético para os inchaços.
Meu tio Tonico foi à farmácia e gastou boa parte da sua aposentadoria em várias caixas requintadas de cores sortidas.
Nessas alturas, como ele não conseguia se lembrar se os comprimidos verdes para a alergia deviam ser tomados antes ou depois das cápsulas para o estômago e se devia tomar as amarelas para o coração, antes ou depois das refeições, voltou ao médico. Este lhe deu uma caixinha com várias divisões, mas achou que titio estava tenso e algo contrariado. Receitou-lhe, então, Alprazolam e Sucedal, para dormir. Naquela tarde, quando ele entrou na farmácia com as receitas, o farmacêutico e seus funcionários fizeram uma fila dupla para ele passar através do meio, enquanto eles aplaudiam.
Meu tio, em vez de melhorar, foi piorando... Ele tinha todos os remédios num armário da cozinha e quase já não saia mais de casa, porque passava praticamente todo o dia a tomar as pílulas.
Dias depois, o laboratório fabricante de vários dos remédios que ele usava, deu-lhe um cartão de “Cliente Preferencial”, um termômetro, um frasco estéril para análise de urina e lápis com o logotipo da farmácia.
Meu tio deu azar e pegou um resfriado. Minha tia Marocas, como de costume, o fez ir para a cama, mas, desta vez, além do chá com mel, chamou também o médico. Ele disse que não era nada, mas prescreveu Tapsin, para tomar durante o dia, e Sanigrip com Efedrina, para tomar à noite. Como estava com uma pequena taquicardia, receitou Atenolol e um antibiótico, uma grama de Amoxicilina, a cada 12 horas, durante 10 dias.  Apareceram fungos e herpes, e ele receitou Fluconol, com Zovirax.
Para piorar a situação, Tio Tonico começou a ler as bulas de todos os medicamentos que tomava, e ele ficou sabendo todas as contraindicações, advertências, precauções, reações adversas, efeitos colaterais e interações médicas. Leu coisas terríveis. Não só poderia morrer mas poderia ter também arritmias ventriculares, sangramento anormal, náuseas, hipertensão, insuficiência renal, paralisia, cólicas abdominais, alterações do estado mental e um monte de coisas terríveis. Com medo de morrer, chamou o médico, que disse para não se preocupar com essas coisas, porque os laboratórios só colocavam para se isentar de culpa.
- Calma, seu Tonico, não fique aflito - disse médico, enquanto prescrevia uma nova receita, com um antidepressivo Sertralina, com Rivotril 100 mg.  E como titio estava com dor nas articulações, deu Diclofenac.
Nessa altura, sempre que o meu tio recebia a aposentadoria, ia direto para a farmácia, onde já tinha sido eleito cliente VIP.
Chegou um momento em que o dia do pobre do meu tio Tonico não tinha horas suficientes para tomar todas as pílulas, portanto, já não dormia, apesar das cápsulas para a insônia que haviam sido prescritas. Ficou tão ruim que um dia, conforme já advertido nas bulas dos remédios, morreu. No funeral, tinha muita gente, mas quem mais chorava era o farmacêutico.
Agora tia Marocas diz que felizmente mandou titio para o médico bem na hora, porque se não, com certeza, ele teria morrido antes.
Dedicado a todos os meus amigos, sejam eles médicos ou pacientes!
Qualquer semelhança com fatos reais será “pura coincidência”.

quarta-feira, 29 de março de 2017

O VELHO JOÃOZINHO

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Joãozinho, aos 70 anos, residindo em uma pequena e pacata cidade, abordou o padre na rua e segredou:
- Padre, eu nunca me confessei, mas, como estou ficando velho, acho que chegou a hora! Só que eu gostaria de me confessar com um anjo...
- Mas, meu filho, com um anjo?! Isso é meio difícil. Olha, se minha presença o inibe, eu posso dar poderes ao sacristão para ouvir sua confissão...
- Não, seu padre, eu tenho dois pecados gravíssimos os quais só posso confessar a um anjo, tenho certeza.
- Bem, então, no domingo, vá a igreja e assista a missa. Após a missa, eu providenciarei um anjo para ouvir suas confissões.
Joãozinho, eufórico, exultou:
- Muito obrigado, seu padre, o senhor não pode nem imaginar a Paz que o senhor está me devolvendo!
E assim, Joãozinho, aos 70 anos, aliviado por ter resolvido o seu problema e o padre preocupado com o problema que acabara de arranjar.
Chegando à igreja, o padre chamou o sacristão, contou-lhe a estória e começaram a traçar o plano para levar um anjo ao confessionário.
- Faremos o seguinte - disse o padre - vou vesti-lo de anjo, amarro uma corda em volta do seu corpo, vou descendo-o sobre o confessionário e conforme for descendo você abana as asas. O que acha?
- Perfeito - disse o sacristão - o seu Joãozinho está velho, enxerga pouco, não vai notar nada!
Domingo, Joãozinho assistiu à missa inteira, aguardou que todos saíssem da igreja e o sacristão fechou a porta. Levantou-se do banco e se encaminhou para o confessionário. Depois de alguns minutos, lá veio o sacristão, abanando as asas sobre o confessionário. Joãozinho se ajoelhou e o "anjo", com voz angelical, perguntou:
- Meu filho, por que você não quis se confessar nem com o padre e nem com o sacristão?
- Sabe o que é, seu anjo, é que eu estou comendo a mãe do padre e a mulher do sacristão. Entendeu, agora, porque eu não queria me confessar com eles?
- Entendi, meu filho - disse o “anjo” - então eu lhe dou como penitência, 200 Ave Marias pela mãe do padre e 2000 Pai Nossos pela mulher do sacristão. Está bem assim, meu filho?
- Justíssimo, seu anjo - respondeu Joãozinho - Por isso que eu queria me confessar com quem entende. 2000 Pai Nossos pela mulher do sacristão, contra 200 Ave Marias pela mãe do padre é mais que justo, pois a mulher do sacristão é 10 vezes mais gostosa que a mãe do padre. Muito obrigado seu anjo, já vou agora mesmo, lá para o altar, pagar a penitência...
O “anjo” aguardou um instante, fez um sinal para o padre que o puxou de volta e, curioso, indagou:
- E aí, meu filho, como foi a experiência?
- Horrível seu padre, horrível: desci como anjo e subi como corno, puxado por um filho da puta!

terça-feira, 28 de março de 2017

A SIMPLICIDADE DOS ADVOGADOS

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Um professor perguntou a João, um dos seus alunos do curso de Direito:
- Se você quiser dar a José uma laranja, o que deverá dizer?
O estudante respondeu:
- Aqui está, José, uma laranja para você.
O professor gritou furioso:
- Não! Não! Pense como um “Profissional do Direito”!
O estudante respondeu:
- Data vênia, mestre... Então, eu diria: Eu, João da Costa Pereira, por meio desta, dou e concedo a você, José dos Santos Silva, CPF 001.001.001-01 e RG 007.007 SSP/AL, e somente a você, a propriedade plena e exclusiva, inclusive benefícios futuros, direitos, reivindicações e outras indicações, títulos, obrigações e vantagens no que concerne agrave; fruta denominada Laranja em questão, juntamente com sua casca, sumo, polpa e sementes, transferindo-lhe todos os direitos e vantagens necessários para espremer, morder, cortar, congelar, triturar, descascar com a utilização de quaisquer objetos e, de outra forma, comer, tomar, ou de qualquer forma, ingerir a referida laranja, ou comê-la com ou sem casca, sumo, polpa ou sementes, e qualquer decisão contrária, passada ou futura, em qualquer petição, ou petições, ou em instrumentos de qualquer natureza ou tipo, fica assim sem nenhum efeito  no mundo  cítrico e/ou jurídico,  valendo este  ato entre as partes, seus herdeiros e sucessores,  em caráter  irrevogável e  irretratável,  declarando  que  o aceita  em  todos  os  seus  termos e conhece perfeitamente o sabor da laranja, não se aplicando ao caso o disposto no Código do Consumidor.
E o professor então comenta:
- Melhorou bastante, mas não seja tão sucinto, tão resumido, procure fundamentar mais...