domingo, 29 de maio de 2016

COMO EDUCAR

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Texto recebido por e-mails, contendo ensinamento atribuídos ao Dr. Içami Tiba, médico psiquiatra e escritor, durante palestra em Curitiba, Paraná.
Pelo teor do texto, nota-se que as suas palestras devem ser maravilhosas:
· A educação não pode ser delegada à escola: aluno é transitório; filho é para sempre.
· O quarto não é lugar para fazer criança cumprir castigo.
· Educar significa punir as condutas derivadas de um comportamento errôneo. Por exemplo: queimou índio pataxó, a pena (condenação judicial) deve ser passar o dia todo em hospital de queimados.
· É preciso confrontar o que o filho conta com a verdade real. Se falar que professor o xingou, tem que ir até a escola e ouvir o outro lado, além das testemunhas.
· Informação é diferente de conhecimento. O ato de conhecer vem após o ato de ser informado de alguma coisa. Não são todos que conhecem.
· A autoridade deve ser compartilhada entre os pais. Ambos devem mandar. Não podem sucumbir aos desejos da criança. Criança não quer comer? A mãe não pode alimentá-la. A criança deve aguardar até a próxima refeição que a família fará. A criança não pode alterar as regras da casa. A mãe não pode interferir nas regras ditadas pelo pai (e nas punições também) e vice-versa. Se o pai determinar que não haverá um passeio, a mãe não pode interferir. Tem que respeitar sob pena de criar um delinquente.
· Em casa que tem comida, criança não morre de fome. Se ela quiser comer, saberá a hora. E é o adulto quem tem que dizer qual é a hora de se comer e o que comer.
· A criança deve ser capaz de explicar aos pais a matéria que estudou e na qual será testada. Não pode simplesmente repetir, decorado. Tem que entender.
· É preciso transmitir aos filhos a ideia de que temos de produzir o máximo que podemos. Isto porque na vida não podemos aceitar a média exigida pelo colégio: não podemos dar 70% de nós, ou seja, não podemos tirar 7.
· As drogas e a gravidez indesejada estão em alta porque os adolescentes estão em busca de prazer. E o prazer é inconsequente.
· A gravidez é um sucesso biológico e um fracasso sob o ponto de vista sexual.
12. Maconha não produz efeito só quando é utilizada. Quem está são, mas é dependente, agride a mãe para poder sair de casa, para fazer uso da droga. A mãe deve, então, virar as costas e não aceitar as agressões. Não pode ficar discutindo e tentando dissuadi-lo da ideia. Tem que dizer que não conversará com ele e pronto. Deve “abandoná-lo”. 
· A mãe é incompetente para “abandonar” o filho. Se soubesse fazê-lo, o filho a respeitaria. Como sabe que a mãe está sempre ali, não a respeita.
· Se o pai ficar nervoso porque o filho aprontou alguma coisa, não deve alterar a voz. Deve dizer que está nervoso e, por isso, não quer discussão até ficar calmo. A calmaria, deve o pai dizer, virá em 2, 3, 4 dias. Enquanto isso, o videogame, as saídas, a balada, ficarão suspensas, até ele se acalmar e aplicar o devido castigo.
· Se o filho não aprendeu ganhando, tem que aprender perdendo.
· Não pode prometer presente pelo sucesso que é sua obrigação. Tirar nota boa é obrigação. Não xingar avós é obrigação. Ser polido é obrigação. Passar no vestibular é obrigação. Se ganhou o carro após o vestibular, ele o perderá se for mal na faculdade.
· Quem educa filho é pai e mãe. Avós não podem interferir na educação do neto, de maneira alguma. Jamais. Não é cabível palpite. Nunca.
· Muitas são desequilibradas ou mesmo loucas; devem ser tratadas (palavras dele).
· Se a mãe engolir sapos do filho, ele pensará que a sociedade terá que engolir também. 
· Videogames são um perigo: os pais têm que explicar como é a realidade, mostrar que na vida real não existem 'vidas', e sim uma única vida. Não dá para morrer e reencarnar. Não dá para apostar tudo, apertar o botão e zerar a dívida.
· Professor tem que ser líder. Inspirar liderança. Não pode apenas bater cartão.
· Pais e mães não pode se valer do filho por uma inabilidade que eles tenham. “Filho, digite isso aqui para mim porque não sei lidar com o computador”. Pais têm que saber usar o Skype, pois no mundo em que a ligação é gratuita pelo Skype, é inconcebível pagarem para falar com o filho que mora longe.
· O erro mais frequente na educação do filho é colocá-lo no topo da casa. O filho não pode ser a razão de viver de um casal. O filho é um dos elementos. O casal tem que deixá-lo, no máximo, no mesmo nível que eles. A sociedade pagará o preço quando alguém é educado achando-se o centro do universo.
· Filhos drogados são aqueles que sempre estiveram no topo da família.
· Cair na conversa do filho é criar um marginal. Filho não pode dar palpite em coisa de adulto. Se ele quiser opinar sobre qual deve ser a geladeira, terá que mostrar qual é o consumo (KWh) da que ele indicar. Se quiser dizer como deve ser a nova casa, tem que dizer quanto isso (seus supostos luxos) incrementará o gasto final.
· Dinheiro “a rodo” para o filho é prejudicial. Mesmo que os pais o tenham, precisam controlar e ensinar a gastar.
PENSE NISSO. SAIBA EDUCAR.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

CAPIXABA

Texto de Carlito Lima

Era uma vez em Maceió um jovem de apelido Capixaba, por ter nascido no Espírito Santo, seu nome de batismo, Osvaldo Carlos do Rego Couto, poucos conheciam. Viveu a juventude na areia branca da praia da Avenida da Paz, excelente ponta direita do Avenidense Futebol Clube. Forte, musculoso, xodó das meninas, cuidava de seu corpo como um bom narcisista. Desde cedo apreciou boas mulheres, bons papos, inteligência e raciocínio rápidos lhe davam o toque de bom humor e alegria. Excelente contador de história, prendia atenção ao contar suas aventuras.
Mudou-se para Brasília, nunca perdeu o contato com os companheiros de juventude, gentil, quando visitava Maceió distribuía presentes entre os amigos. Tinha simpatia e alegria, inatas, um ser humano de bem com a vida. Na última vez que almoçamos juntos, festa de fim-de-ano do Cáo, relembramos grandes noitadas, aventuras de jovens cheios de sonhos e de irresponsabilidades. A vida de Capixaba é um livro bem humorado, ainda não escrito.
Capixaba gostava de carnaval, certa vez acompanhando o Bloco Cavaleiro dos Montes numa manhã quente de Banho de Mar à Fantasia, a moçada enlouquecia ao tocar o frevo Vassourinhas, Capixaba recebeu uma cotovelada na cara, caiu no asfalto, atordoado. Ao recuperar-se da pancada identificou o agressor, nada menos que Porreta, um baiano, alto, forte, arruaceiro de zona, certa vez lutou e bateu em três policiais na Boate Tabariz em Jaraguá. O marginal Porreta era conhecido nas baixas rodas por ser briguento e por ser também travesti, "Madame Satã" de Maceió. Todos tinham medo de Porreta, bicha macho para ninguém botar defeito. Capixaba inconformado desafiou o meliante para um duelo, a arma, as mãos, num vale tudo, dali a um mês, na Praça Sinimbu às 20 horas. Porreta não refugou, topou a parada.
Capixaba começou a preparar-se para grande luta. Boêmios, prostitutas, policiais, políticos, desocupados, comentavam o desafio, maior expectativa. Capixaba treinava o corpo, corria diariamente às 5:00 h. da manhã do coreto da Avenida ao Morro Tom Mix, onde hoje é a Braskem, ida e volta.
Naquela época, Nezito Mourão, um dos maiores beques do Brasil, jogava pelo CRB, depois jogou no Santos com Pelé, campeão do mundo em 61-62, havia aberto uma Academia de Boxe, Capixaba se matriculou, recebeu aulas técnicas de murros e defesas, preparando-se para enfrentar o Porreta. Certa vez “brigaram” em treinamento, Capixaba de repente aproveitou uma guarda aberta de Mourão, deu-lhe um soco no olho, zonzou, o becão tentou dar o troco no indisciplinado aluno, entretanto, Capixaba com medo do revide correu em disparada foi bater em Marechal Deodoro. Fez parte do treinamento.
Certa manhã, Capixaba avistou dois marinheiros ingleses caminhando pela Avenida da Paz em direção ao cais do porto, ele gritou “Son of bich”, os marinheiros não gostaram, continuaram a caminhada, Capixaba correu atrás, provocando, deu um tapa em cada inglês. Iniciou no calçadão uma briga de cinema, dois contra um. Lutaram até cansar. Assim eram os treinos para enfrentar Porreta, a nossa "Madame Satã".
Afinal, chegou a noite esperada ansiosamente pela população de Maceió. Alguns amigos acompanharam nosso herói até a Praça Sinimbu. Ao se aproximar do local, ouviu o grito provocativo do Porreta com as mãos nos quartos, “Preparou-se para levar a maior surra de sua vida?”
Tiraram relógio, camisa, sapatos. Os assistentes formaram um círculo deixando os dois lutadores no centro. Aconteceu uma das maiores lutas já presenciada nas Alagoas e alhures. Primeiros movimentos, adversários se estudando, alguns ataques, outras defesas, jogo de pernas. De repente rápidos murros, socos na cara, na barriga, às vezes se atracavam, se soltavam, não havia juiz para separar. Esmurraram-se, se digladiaram por mais de uma hora, suavam, sangravam.
Estavam cansados, Capixaba distraiu-se em guarda, Porreta aproveitou, acertou um soco desconcertante na cara, nosso amigo caiu no chão, jorrando sangue pela boca.  A raiva subiu para cabeça, Capixaba num ímpeto incomunal levantou-se num pulo dando cabeçada no peito do surpreso Porreta, "Madame Satã" caiu de costas, abriu a cabeça no calçamento, sangrou. Ato contínuo, Capixaba montou por cima de Porreta, não perdoou, esmurrando-o incessantemente.
Retiraram Capixaba de cima de "Madame Satã" nocauteado, sangrando, imediatamente levaram-no para o Pronto Socorro, quatro dentes quebrados, muito sangue. Assim acabou o reinado de Porreta, o baiano mais macho do Brasil.
Capixaba também acabou seu reinado nesse mundo. Resta agora lembranças, contar suas histórias, ou dançar um tango.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

A PROMESSA DO COMPADRE

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Contam que viviam em uma região do sertão dois compadres muito amigos, como se fossem irmãos. Um, era fazendeiro, viúvo e muito rico; o outro, sitiante pobre e rodeado de filhos pequenos. Sua mulher era alta, magra e como todas as mulheres de sua condição seu traje habitual era uma blusa preta sobre um vestido qualquer, um lenço branco e engomado ao pescoço, outro na cabeça e um raminho de arruda atrás da orelha. No entanto, essa diferença financeira nunca afetou a amizade dos compadres.
Eis que, de repente o compadre pobre passou a ficar quieto, recolhido num canto virado bicho; emagreceu, definhou, inté dar a alma para Deus. Fosse o que fosse nada mais remediava. No velório, o compadre rico, agoniado, debulhado em lágrimas, acercou-se do caixão e, para que todos testemunhassem, disse ao compadre morto:
- Compadre! Aqui diante de sua mulher e de todos os seus filhos, eu quero fazer um juramento. Deste dia em diante, onde meus filhos estudarem, os seus filhos também vão estudar. Vou arrumar uma boa casa para sua família. Vou mandar todos os meses, por meio de um capataz, carne e alimentações gerais. Hei de respeitar sua memória, meu compadre. E ninguém há de proceder mal com sua mulher!
Pois não é que o compadre rico cumpriu religiosamente seu juramento, mesmo tendo ficado um bom tempo sem ver a família do falecido. Um belo dia resolveu fazer uma visita à comadre. Caminho longo de quatro léguas. Chegando a casa da comadre, qual não foi sua surpresa ao ser atendido por uma mulher alta, o corpo cheio de relevos, linda que só vendo. Linda de qualquer homem virar o tal do juízo.
Esta vida quando descansa de ser ruim, é até engraçada.
Penetrando na casa o compadre rico deu de cara com a foto do falecido; pensou: “Eu preciso de um particular urgente aqui com o compadre”. Olhando para o retrato, disse:
- Compadre! Quero sempre respeitar sua memória, por isso zelo para ninguém proceder mal com sua mulher! Mas, meu compadre, no dia que ela resolver proceder mal, que eu tenha a preferência.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

O PROFESSOR ESTÁ SEMPRE ERRADO

Texto de Jô Soares

O material escolar mais barato que existe na praça é o professor!
É jovem, não tem experiência; é velho, está superado. Não tem automóvel, é um pobre coitado; tem automóvel, chora de “barriga cheia“. Fala em voz alta, vive gritando; fala em tom normal, ninguém escuta. Não falta ao colégio, é um “caxias”; precisa faltar, é um “turista”. Conversa com os outros professores, está “malhando“ os alunos; não conversa, é um desligado. Dá muita matéria, não tem dó do aluno; dá pouca matéria, não prepara os alunos. Brinca com a turma, é metido a engraçado; não brinca com a turma, é um chato. Chama a atenção, é um grosso; não chama a atenção, não sabe se impor. A prova é longa, não dá tempo; a prova é curta, tira as chances do aluno. Escreve muito, não explica; explica muito, o caderno não tem nada. Fala corretamente, ninguém entende; fala a “língua do aluno”, não tem vocabulário. Exige, é rude; elogia, é debochado. O aluno é reprovado, é perseguição; o aluno é aprovado, deu “mole“.
É, o professor está sempre errado, mas, se conseguiu ler até aqui, agradeça a ele!