sexta-feira, 10 de abril de 2015

AVISO AOS NAVEGANTES

AUTORIA: ALOISIO GUIMARÃES

Por motivo de viagem, estarei ausente até o final do mês. Sendo assim, as postagens do blog ficarão paradas durante alguns dia. Neste intervalo, aproveite para ler os textos dos meses e anos anteriores. Até breve!
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quinta-feira, 9 de abril de 2015

O BARALHO

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES - RECEBIDO POR E-MAIL

Durante uma missa celebrada na capela no quartel policial militar, o sargento observou que um dos soldados, ao invés de acompanhar o rito religioso no jornalzinho da igreja, tirou da algibeira um baralho e ficou o tempo todo analisando os naipes e cartas, sem dar atenção ao que se passava no altar, olhando as cartas, demoradamente, com ar de quem estava meditando.
O sargento, muito austero, o repreendeu o soldado e ordenou-lhe para, depois da missa, acompanhá-lo até a sala do Comandante.
Sem dar muita bola para a bronca do sargento, o soldado continuou olhando, uma por uma, as cartas do baralho.
Tão logo terminou o culto, ele procurou o sargento e, juntos, foram até a sala do Comando Geral para comunicar a falta disciplinar cometida pelo soldado, passível de punição.
Depois que o sargento relatou a sua grave indisciplina, o soldado pediu desculpa ao Comandante e procurou justificar o seu comportamento durante a Missa:
- Senhor Comandante, se eu errei perante os olhos do sargento, sei que não errei perante os olhos de Deus! Não me sobra dinheiro para livros. Em nenhum momento perturbei a Missa. Permaneci calado durante todo o tempo. As coisas são boas ou más, dependendo de quem interpreta. Os naipes e cartas do baralho são o meu livro de orações. Para mim, substituem os livros devotos e espirituais, como eu passo a vos provar: o AS, lembra-me um só Deus, criador do Céu e da Terra; DOIS, são o Velho e o Novo Testamento; TRÊS é mistério da Santíssima Trindade; QUATRO, os quatro Evangelistas; CINCO, as virgens prudentes que foram adiante do Esposo com as lâmpadas acesas, enquanto as outras cinco, chamadas néscias, foram excluídas por terem as suas apagadas; SEIS, a criação do mundo em seis dias; SETE, o descanso do Senhor ao sétimo dia; OITO, as oito pessoas que se salvaram do dilúvio, a saber, Noé, seus três filhos e suas mulheres; NOVE, os nove leprosos; eles eram dez, mas só um soube render graças ao Salvador; DEZ, os Mandamentos da Lei de Deus; DAMA, a rainha de Sabá e a sua visita a Salomão; VALETE, o Judas, que por trinta dinheiros vendeu Jesus Cristo e o REI do Céu e o da Terra, a quem devo servir, ao do Céu, como meu Soberano. As cinquenta e duas cartas do baralho lembram-me muito as cinquenta e duas semanas do ano, as doze figuras, os doze apóstolos e os doze meses. Este baralho me serve de Velho e Novo Testamento, de Catecismo, de folhinha e de divertimento.
O Comandante ouviu a narrativa do soldado, e, com ironia, comentou e perguntou:
- Notei uma falta na sua relação. O Valete também é chamado de “Cavalo”... Que ideia lhe recorda esse animal?
O soldado respondeu:
- O cavalo, Senhor Comandante, é o sargento que aqui me trouxe. A atitude dele representa o coice desse animal.
O Comandante ficou sensibilizado com o que ouviu do soldado e o dispensou, sem punição alguma.
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quarta-feira, 8 de abril de 2015

OS SETE SAPATOS SUJOS

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

António Emílio Leite Couto - "Mia Couto", é biólogo e é o escritor Moçambicano mais conhecido no estrangeiro. Ele ganhou o apelido “Mia” do irmãozinho que não conseguia dizer "Emílio".
Durante a abertura do ano letivo do Instituto Superior de Ciências e Tecnologia de Moçambique, ele fez uma oração de sapiência, cujo trecho abaixo foi publicado no "Courrier Internacional":
Não podemos entrar na modernidade com o atual fardo de preconceitos. À porta da modernidade precisamos de nos descalçar. Eu contei “Sete Sapatos Sujos” que necessitamos de deixar na soleira da porta dos tempos novos. Haverá muitos. Mas eu tinha que escolher e sete é um número mágico:
Primeiro Sapato: A ideia de que os culpados são sempre os outros.
Segundo Sapato: A ideia de que o sucesso não nasce do trabalho.
Terceiro Sapato: O preconceito de que quem critica é um inimigo.
Quarto Sapato: A ideia de que mudar as palavras muda a realidade.
Quinto Sapato: A vergonha de ser pobre e o culto das aparências.
Sexto Sapato: A passividade perante a injustiça.
Sétimo Sapato: A ideia de que, para sermos modernos, temos que imitar os outros.
Diante da lição de Mia Couto, pergunto:
- Os seus sapatos, como estão? Sujos ou limpos?
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terça-feira, 7 de abril de 2015

O CURANDEIRO

AUTORIA: ALOISIO GUIMARÃES

O causo de hoje quem me contou foi o amigo Ederaldo Barros, engenheiro e um cidadão deodorense de primeira linha.
Conta Ederaldo que, certa vez, apareceu em Taperaguá, povoado de Marechal Deodoro, um sujeito alto, mulato, natural da Bahia, vestido de branco, turbante na cabeça, vários colares no pescoço...
Logo todo povoado ficou sabendo que Pai Severino estava morando entre eles e assim, de um dia para outro, a posteação elétrica de Taperaguá ficou cheia de propagandas de Pai Severino:
"Encosto", "Erisipela braba", "Olho grande", "Enxaqueca", "Hemorroidas", "Espinhela caída", "Ferida braba", "Insônia", "Dor de corno"... Ele garantia que curava tudo!
E, como todo "vivaldino", Pai Severino sempre dizia aos seus clientes:
- Eu não curo; quem cura é Jesus. Se você tiver fé, Ele o curará... Eu sou apenas um mero instrumento da vontade Dele.
E assim ele ia ludibriando os pobres coitados, desesperados em busca de uma vida melhor...
Acontece é que, para o padrão da população local, ele cobrava muito caro pelas consultas. E quem não podia pagar em dinheiro, dava uma galinha, um bode, um porquinho...
Em pouco tempo Pai Severino começou a fazer seu "pé de meia"...
Certo dia, após fazer o "trabalho" para uma mulher e dizer que curava em nome de Jesus, ela, agradecida, disse:
- Deus lhe pague! - E foi se retirando...
Pai Severino, muito rápido, como um relâmpago, disse:
- Deus lhe pague coisa nenhuma! O preço da consulta é cinquenta contos!
A mulher respondeu:
- Mas Jesus Cristo não cobrava de ninguém...
Então, ele respondeu na bucha:
- É, mas Jesus Cristo não pagava aluguel, iptu, taxa do lixo, taxa de bombeiro, água, luz, escola, telefone, imposto de renda, inss...
Meses depois, Pai Severino "se escafedeu no oco do mundo", fugindo da população, que descobriu que seus milagres eram fajutos...
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segunda-feira, 6 de abril de 2015

O MÉDICO PORTUGUÊS

ADAPTAÇÃO: ALOISIO GUIMARÃES

Depois de muito sacrifício, o jovem Manuel Costa, um português morador no Olhão, cidade da região turística do Algarve, conseguiu se formar em medicina.
Sabedor que o governo brasileiro havia implantado o programa “Mais Médicos”, Dr. Manuel, resolveu “matar dois coelhos com uma cajadada só”: conhecer o Brasil, sonho que tinha desde “miúdo” (“criança”, lá em Portugal) e exercer a medicina. Assim, com a ajuda dos pais, comprou uma passagem aérea e veio para o nosso país.
Ao chegar ao Brasil, Dr. Manuel foi contratado, com salário integral, diferente dos médicos cubanos, que recebem muito pouco, apesar de terem o mesmo salário, já que a maior parte do dinheiro vai para a “revolução”...
Com tudo regularizado, o jovem médico foi escalado para clinicar no povoado “Santo Antônio” (antigo “Gavião”) situado entre as cidades de Palmeira dos Índios e Igaci.
Depois de ser recepcionado com pompas, Dr. Manuel foi conhecer o Posto de Saúde, onde deveria atende a população carente do local, e logo deixou tudo arrumado para começar a trabalhar.
No dia seguinte, ao chegar para o seu primeiro dia de trabalho, ele se deparou com uma enorme fila de doentes, prontos para serem atendidos. Depois de colocar seu jaleco, Dr. Manuel colocou o estetoscópio no pescoço (todos os médico fazem isto), sentou atrás da mesa e pediu à atendente para mandar entrar a sua primeira paciente... Entrou um jovem, trazendo nos braços o seu filhinho de três anos, “queimando” de febre. Assim que a mulher sentou à sua frente, Dr. Manuel perguntou:
- Rapariga, quem está doente, você ou este puto?
- Rapariga uma porra! Além disso, fique o “sinhô” sabendo “qui” meu “fio” não é “ninhum” puto!
Dr. Manuel ficou surpreso com a reação da mulher e, como tinha gente na fila esperando para ser atendido, ele apontou na direção onde estava Zé "Tripé", um afrodescendente de dois metros de altura por um metro e meio de largura, e disse à mulher:
- Ora, pois, pois! Por favor, vá comer um "cacetinho" e depois fique atrás dessa "bicha", pois primeiro vou estar a lhe aplicar uma “pica no cu”...
Foi a gota d’água que faltava! Daí pra frente, o Dr. Manuel ficou impossibilitado de falar, ficou com amnésia e voltou para sua terra natal.
OBSERVAÇÃO: Em Portugal: "rapariga" é “moça”, "puto" é “menino”, "cacetinho" é "pão", "bicha" é “fila” e "pica no cu" é “injeção na bunda”.
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