quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

SUPORTE TÉCNICO

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Prezado Técnico,
Há um ano e meio troquei o programa Noiva 1.0 pelo Esposa 1.0 e verifiquei que o programa gerou um aplicativo inesperado chamado Bebê.exe, que ocupa muito espaço no HD. Por outro lado, o Esposa 1.0 se autoinstala em todos os outros programas e é carregado automaticamente no momento em que eu abro qualquer aplicativo. Aplicativos como CervejaComATurma 3.0, NoiteDeFarra 2.5 ou DomingoDeFutebol 2.8, não funcionam mais e o sistema trava assim que eu tento carregá-los novamente. Além disso, de tempos em tempos, um executável oculto (vírus), chamado Sogra 1.0 aparece, encerrando abruptamente a execução de qualquer comando. Não consigo desinstalar este programa. Também não consigo diminuir o espaço ocupado pelo Esposa 1.0, quando estou rodando meus aplicativos preferidos, do tipo Playboy 8.0 e FilmePornô 4.5, isso sem falar que o programa Sexo 5.1 sumiu do HD. Eu gostaria de voltar ao programa que eu usava antes, o Noiva 1.0, mas o comando Uninstall.exe não funciona adequadamente. Uma vez que não desinstala o arquivo PensãoAlimentícia.dll, arquivo caro demais. Poderia ajudar-me? Por favor!
Ass.: Usuário Arrependido

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Prezado Usuário,
Sua queixa é muito comum entre os usuários, mas é devido, na maioria das vezes, a um erro básico de conceito: muitos usuários migram de qualquer versão do Noiva 1.0 para Esposa 1.0 com a falsa ideia de que se trata de um aplicativo de entretenimento e utilitário. Entretanto, o Esposa 1.0 é muito mais do que isso: é um sistema operacional completo, criado para controlar todo o seu sistema. É quase impossível desinstalar Esposa 1.0 e voltar para a versão anterior, o Noiva 1.0, porque há aplicativos criados pelo Esposa 1.0, como o Filhos.dll, que não podem ser deletados, ocupam muito espaço e não rodam sem o Esposa 1.0. É impossível desinstalar, deletar ou esvaziar os arquivos destes programas depois de instalados. Você não poderá mais voltar ao Noiva 1.0 porque Esposa 1.0 não foi programado para isso. Alguns usuários tentaram formatar todo o sistema para em seguida instalar a Noiva Plus ou o Esposa 2.0, mas passaram a ter mais problemas do que antes, porque não tiveram o cuidado de ler as instruções sobres os problemas do arquivos PensãoAlimentícia.dll e GuardaDasCrianças.exe quando da desinstalação do software Casamento 1.0. Uma das melhores soluções é o comando Desculpar.exe/flores/all assim que aparecer o menor problema ou se travar o programa. Evite o uso excessivo da tecla ESC (escapar). Para melhorar a rentabilidade do Esposa 1.0, aconselho o uso de Flores 5.1, FériasNoCaribe 3.2 ou Joias 3.3. Os resultados são bem interessantes. Mas nunca instale SecretáriaDeMinissaia 1.0, AntigaNamorada 2.1 ou TurmaDoChopp 4.6, pois eles não funcionam depois de ter sido instalado o Esposa 1.0 e podem causar problemas irreparáveis ao sistema. Com relação ao programa Sexo 5.1, esqueça: esse roda quando quer. Se você tivesse procurado o suporte técnico antes de instalar o Esposa 1.0 a orientação seria: nunca instale o  ESPOSA 1.0 sem ter a certeza de que é capaz de usá-lo!
Ass.: Técnico

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

LE DIABLE ROUGE

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Diálogo de quase 400 anos, da peça teatral "Le Diable Rouge", de Antoine Rault, entre os personagens Colbert e Mazarino, durante o reinado de Luís XIV, século XVIII que, apesar do tempo decorrido, é bem atual. Atentem principalmente ao último trecho:
Colbert:
- Para arranjar dinheiro, há um momento em que enganar o contribuinte já não  é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é possível continuar a gastar quando já se está endividado até o pescoço.
Mazarino:
- Um simples mortal, claro, quando está coberto de dívidas e não consegue honrá-las, vai parar na prisão. Mas o Estado é diferente! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se. Todos os Estados o fazem!
Colbert:
- Ah, sim? Mas como faremos isso, se já criamos todos os impostos imagináveis?
Mazarino:
- Criando outros.
Colbert:
- Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.
Mazarino:
- Sim, é impossível.
Colbert:
- E sobre os ricos?
Mazarino:
- E os ricos também não. Eles parariam de gastar. E um rico que gasta, faz viver centenas de pobres.
Colbert:
- Então, como faremos?
Mazarino:
- Colbert! Tu pensas como um queijo, um penico de doente! Há uma quantidade enorme de pessoas entre os ricos e os pobres: as que trabalham sonhando enriquecer e temendo empobrecer. É sobre essas que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Quanto mais lhes tirarmos, mais elas trabalharão para compensar o que lhes tiramos. Formam um reservatório inesgotável: É a classe média!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

LIMITES

Texto de Mônica Monastério

Somos as primeiras gerações de pais decididos a não repetir com os filhos os erros dos nossos progenitores.
E, com o esforço de abolirmos os abusos do passado, somos os pais mais dedicados e compreensivos, mas, por outro lado, os mais bobos e inseguros que já houve na história.
O grave é que estamos lidando com crianças mais “espertas” do que nós, ousadas e mais “poderosas” do que nunca!
Parece que, em nossa tentativa de sermos os pais que queríamos ser, passamos de um extremo ao outro. Assim, somos a última geração de filhos que obedeceram a seus pais e a primeira geração de pais que obedecem a seus filhos. Os últimos que tivemos medo dos pais e os primeiros que tememos os filhos. Os últimos que cresceram sob o mando dos pais e os primeiros que vivem sob o jugo dos filhos. E, o que é pior: os últimos que respeitamos nossos pais e os primeiros que aceitamos que nossos filhos nos faltem com o respeito.
À medida que o permissível substituiu o autoritarismo, os termos das relações familiares mudaram de forma radical, para o bem e para o mal. Com efeito: antes, se considerava um "bom pai", aquele cujos filhos se comportavam bem, obedeciam às suas ordens, e o tratava com o devido respeito; e "bons filhos", às crianças que eram formais e veneravam seus pais.
Mas à medida que as fronteiras hierárquicas entre nós e nossos filhos foram se desvanecendo; hoje, os "bons pais" são aqueles que conseguem que seus filhos os amem, ainda que pouco os respeite. E são os filhos, quem agora, esperam respeito de seus pais, pretendendo de tal maneira que respeitem suas ideias, seus gostos, suas preferências e sua forma de agir e viver. E que, além disso, que patrocinem no que necessitarem para tal fim. Quer dizer: os papéis se inverteram; agora são os pais que têm que agradar a seus filhos para “ganhá-los” e não o inverso, como no passado. Isto explica o esforço que fazem tanto, pais e mães, para serem os melhores amigos e “darem tudo” aos seus filhos.
Dizem que os extremos se atraem... Se o autoritarismo do passado encheu os filhos de medo de seus pais, a debilidade do presente os preenche de medo e menosprezo ao nos verem tão débeis e perdidos como eles.
Os filhos precisam perceber que, durante a infância, estamos à frente de suas vidas, como líderes capazes de sujeitá-los, quando não os podemos contê-los, e guiá-los, enquanto não sabem para onde vão. É assim que evitaremos que as novas gerações se afoguem no descontrole e tédio no qual está afundando uma sociedade, que parece ir à deriva, sem parâmetros nem destino.
Se o autoritarismo suplanta, o permissível sufoca. Apenas uma atitude firme, respeitosa, lhes permitirá confiar em nossa idoneidade para governar suas vidas enquanto forem menores, porque vamos à frente, liderando-os, e não atrás, carregando-os e rendidos às suas vontades.
Os limites abrigam o indivíduo, com amor ilimitado e profundo respeito.