terça-feira, 28 de junho de 2016

QUAL O PECADO QUE VOCÊ NÃO QUER TER?

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Certo dia, um casal, ao chegar do trabalho, encontrou algumas pessoas dentro de sua casa. Achando que eram ladrões, eles ficaram assustados, mas um homem forte e saudável, com corpo de halterofilista, avisou:
- Calma pessoal, nós somos velhos conhecidos e estamos em toda parte do mundo.
- Mas quem são vocês?
- Eu sou a Preguiça - respondeu o homem - Estamos aqui para que escolham um de nós para sair definitivamente da vida de vocês.
- Como pode você ser a Preguiça, se tens o corpo de um atleta que vive malhando e praticando esportesA Preguiça é forte como um touro e pesa toneladas nos ombros dos preguiçosos; com ela ninguém pode chegar a ser um vencedor.
Uma mulher velha curvada, com a pele muito enrugada que mais parecia uma bruxa, disse:
- Eu, meus filhos, sou a Luxúria.
- Não é possível! Você não pode atrair ninguém com essa feiura!
- Não há feiura para a luxúria, queridos. Sou velha porque existo há muito tempo entre os homens, Sou capaz de destruir famílias inteiras, perverter crianças e trazer doenças para todos, até a morte. Sou astuta e posso me disfarçar na mais bela mulher ou homem que você já viu.
Um homem, mau cheiroso e vestindo uns maltrapilhos de roupas que mais parecia um mendigo, se apresentou:
- Eu sou a Cobiça. Por mim, muitos já mataram; por mim, muitos abandonaram famílias e pátria, Sou tão antigo quanto a Luxúria, mas eu não dependo dela para existir. Tenho essa aparência de mendigo porque por mais bem vestido que apresento, mais rico que pareço, com joias, dinheiro e carros luxuosos, ainda assim me verás, porque a cobiça está tanto para o pobre quanto para o rico.,
Uma lindíssima mulher, de corpo escultural, cintura finíssima e de contornos impecáveis, fazendo com que tudo nela estivesse em perfeita harmonia, de forma e movimentos, disse:
- E eu, sou a Gula.
Espantados, os donos da casa observaram:
- Sempre imaginamos que a Gula seria gorda...
- Isso é o que vocês pensam. Sou bela e atraente porque, se assim não fosse, seria muito fácil se livrar de mim. Minha natureza é delicada. Normalmente sou discreta. Quem tem a mim, não se apercebe. Mostro-me sempre disposta a ajudar aqueles que querem fazer regimes, mas, na verdade, faço tudo ruir, de maneira sutil. Destruo o prazer de viver e destruo a beleza do corpo. Também por mim, muitas famílias se destruíram na busca da luxúria.
Sentado em uma cadeira, um senhor, também velho, mas de semblante bastante sereno, avisou, com voz doce e movimentos suaves:
- Eu sou a Ira. Alguns me conhece como Cólera. Tenho muitos milênios também. Não sou homem nem mulher, assim como meus companheiros que estão aqui.
A dona da casa retrucou:
- Ira? Parece mais o "vovô" que todos gostariam de ter...
O "vovô" respondeu:
- E a grande maioria me tem! Quando me aproximo, matam com crueldade, provocam brigas horríveis e destroem cidades. Sou capaz de eliminar qualquer sentimento diferente de mim, posso estar em qualquer lugar e penetrar nas mais protegidas casas. Mostro-me calmo e sereno para mostrar-lhes que a Ira pode estar no aparentemente manso. Posso também ficar contido no íntimo das pessoas sem se manifestar, provocando úlceras, câncer e as mais temíveis doenças.
- Eu sou a Inveja. Faço parte da história do homem desde de sua aparição - disse uma jovem que ostentava uma coroa de ouro cravada de diamantes, usava braceletes de brilhantes e roupas de fino pano, assemelhando-se a uma princesa rica e poderosa.
- Como é a Inveja se é rica e bonita, parece ter tudo que deseja? - disse a mulher da casa.
- Há os que são ricos, os que são poderosos, os que são famosos e os que não são nada disso, mas eu estou entre todos. A Inveja surge pelo que não se tem e o que não se tem é a felicidade. A felicidade depende de amor e isso carece na humanidade. Por causa de mim, já houve muita destruição, mortes e sofrimento... Onde eu estou, também está a tristeza.
Enquanto os invasores se explicavam, um garoto, que aparentava ter cinco a seis anos, brincava pela casa. Sorridente e de aparência inocente, característica das crianças. A sua face de delicados traços mostravam a plenitude da jovialidade e os olhos vívidos e enigmáticos, parecia estar alheio aos acontecimentos, quando foi indagado pelo casal:
- E você, garoto, o que fazes junto a esses que parecem ser a personificação do mal?
O garoto respondeu com um sorriso largo e olhar profundo.
- Eu sou o Orgulho.
- Orgulho?! – exclamou o casal - Você é apenas uma criança, inocente como todas as outras.
O semblante do garoto tomou um ar de seriedade, que assustou o casal, e ele disse:
- O Orgulho é como uma criança mesmo, mostra-se inocente e inofensivo, mas não se enganem, sou tão destrutível quanto todos aqui, querem brincar comigo?
A Preguiça interrompeu a conversa e disse:
- Vocês devem escolher quem de nós sairá definitivamente de suas vidas. Queremos a resposta.
O casal respondeu:
- Por favor, deem 10 minutos para que possamos pensar.
O casal se dirigiu até o quarto onde dormem e lá fizeram várias considerações. Dez minutos depois retornaram.
- E então? - perguntou a Gula.
- Queremos que o Orgulho saia de nossas vidas.
O garoto olhou com um olhar fulminante para o casal, pois queria continuar ali. Mas, respeitando a decisão dirigiu-se para a saída.
Os outros iam acompanhado o garoto, quando o casal perguntou:
- Ei, vocês vão embora também?
O menino, agora com ar de severidade e com a voz forte de um orador disse:
- Vocês escolheram que o Orgulho saísse de vossas vidas. Fizeram a melhor escolha, pois onde não há Orgulho, não há Preguiça porque os preguiçosos são aqueles que se orgulham de nada fazer para viver, não percebendo que, na verdade, vegetam. Onde não há Orgulho, não há Luxúria, pois os luxuriosos tem orgulho de seus corpos e se julgam merecer possuir tantos corpos quantos lhe provir, não percebendo que são apenas objetos do instinto. Onde não há Orgulho, não há Cobiça, pois os cobiçosos tem orgulho das migalhas que possuem, juntando tesouros na terra e invejando a felicidade alheia, não percebendo que são instrumentos do dinheiro. Onde não há Orgulho, não há Gula, pois os gulosos se orgulham de sua condição e jamais admitem que o são; arrumam desculpas para justificar a gula e não percebem que são marionetes dos desejos. Onde não há Orgulho, não há Ira, pois os irosos se orgulham de não serem passíveis e jamais abaixam a cabeça diante de qualquer situação; são incapazes de permitir que a vida lhes proporcione lições de aprendizado e se revoltam com aqueles que eles julgam que não são perfeitos, não percebendo que a sua ira é resultado de suas próprias imperfeições. Onde não há Orgulho, não há Inveja, pois os invejosos sentem o orgulho ferido ao verem o sucesso alheio, seja ele qual for, e precisam constantemente superar os demais nas conquistas, não percebendo que, por isso mesmo, são meras ferramentas da insegurança e da falta de amor à vida. Adeus.
Todos saíram, sem olhar para trás...

segunda-feira, 27 de junho de 2016

EU QUERO SER UM CELULAR...

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES
 
Oração de uma criança desconhecida:
- Papai do céu, Eu quero ser um celular, por causa dos meus pais. O Senhor precisa ver como eles têm paciência com ele, mesmo quando chegam em casa cansados do trabalho. Mas comigo, não. Vão logo dando bronca. Os olhinhos da minha mãe até brilham quando ela está olhando para o celular. É lindo de ver. Eu quero que ela olhe assim para mim também.  Quando estamos conversando e o celular toca, meu pai corta a nossa conversa no meio, mas nunca, nunca mesmo, ele para de olhar o celular para conversar comigo. Eles nunca têm tempo para brincar ou passear comigo, mas gastam horas vendo coisas no celular. Por favor, Papai do céu, me transforme num celular. Daí todo mundo vai ficar feliz aqui em casa. Muito obrigado. Amém!

domingo, 26 de junho de 2016

FUTEBOL BRASILEIRO COM "S"

Texto de Luiz Ferreira da Silva
ENGENHEIRO AGRÔNOMO E ESCRITOR

A seleção brasileira de futebol tem que retirar o “Z” e colocar o “S” de BRASIL. Ou seja, prestigiar os que aqui labutam em seus clubes. E vou tentar desenvolver esse mote.
Os jogadores que prestam serviços aos clubes estrangeiros têm uma vida nababesca e, logicamente, um compromisso profissional com seu patrão, colocando-o em primeiro lugar, dando todo o seu suor e sacrifício pelos bônus auferidos.
Dentro desta concepção, a sua Pátria, mesmo inconscientemente, é o seu time no país a que se aloca. A maioria deve assim pensar, o que não é errado e não merece condenação.
De repente são convocados para defender o Brasil, com “S”. Na cabeça deles, com “Z”. Até o Hino Nacional, que são obrigados a cantar, deve soar esquisito, especialmente aos que estão muitos anos fora, acostumados a ouvirem outros louvores patrióticos.
Primeiramente, a adaptação, seguida da preocupação com seu clube de origem, voltada a se preservar e evitar contusões, pois seu patrimônio não é aqui e, ademais, tem responsabilidade com seu patrão lá fora.
Há ainda a questão técnica. Arraigadas na sua cabeça as orientações de seu técnico, que, inclusive, deve lhe orientar sobre o seu compromisso de retornar são e salvo, defronta-se com outro “professor”, pedindo-lhe para jogar assim e assado e não amarelar. Em outras palavras, dar sangue, invocando a bobagem chamada “Pátria de Chuteiras”. E, agora, deve raciocinar: como proceder?
Vendo a seleção jogar, convenci-me dessa realidade ou indicativo dela. Basta se fixar em apenas dois jogadores, como exemplos - Neymar e Daniel Alves - e começar a raciocinar nessa evidência discutida. A Pátria deles se chama Barcelona. Que Brasil, que nada!
Com base nesse contexto, atrevo-me a esboçar uma ideia sobre a seleção que chamo de “Seleção Brasileira de Futebol com S”. A prioridade seria a prata da casa. Os jogadores que aqui suam com a inclusão paulatina de jovens promessas para irem adquirindo cancha. Este grupo se reuniria a cada 2 meses, dentro de um calendário estipulado pela CBF, para treinamento e conscientização profissional, incluindo um jogo em um Estado contra um combinado local. No esquema, estaria convites a seleções de fora e excursões internacionais, sobretudo África e Ásia.
Não seriam descartados totalmente os “estrangeiros”, sobretudo em eventos, importantes como as eliminatórias e a Copa do Mundo, mas com uma avaliação rigorosa no que se refere ao perfil de engajamento profissional. Haveria o inverso do atual selecionado, com o contingente, maiormente com “S”.
Muitos vão argumentar: não temos plantel; faltaria experiência internacional; não temos técnicos competentes, etc.
É muito comum, em países subdesenvolvidos, sobretudo quando estão em baixa, olharem para cima e verem monstros sagrados. No futebol, isso é uma máxima. Neste momento, os Europeus são os caras e, os técnicos deles, gênios.
Vamos imaginar ou sonhar como futebol brasileiro organizado, disciplinado e de cunho empresarial. Com pessoas qualificadas e honestas. Ao invés dessa atual cúpula, pessoas como Zico, Tostão, Raí, Cafu e outros no comando da CBF. Em tais condições, o Técnico teria carta aberta para poder desenvolver o seu trabalho, sem interferência dos famigerados empresários e midiáticos, podendo escolher a sua equipe e sem a neura da demissão intempestiva. E dessa forma, vários profissionais vão ser tão eficazes quanto aos Guardiolas da vida.
No tocante ao nível dos nossos jogadores nem se compara com os estrangeiros. Os alemães - coitados - têm que se lascarem chutando umas mil vezes para aprender a bater bem na bola. A gente, não, é só incutir o sentimento profissional com ênfase na disciplina e consciência do dever.
Vai levar um tempinho. Mas tem que se acabar com o imediatismo e ter projetos clarividentes, não havendo outro caminho que não o futebol-empresa com o consequente elevado índice profissional. É assim que acontece em outras atividades humanas e o futebol, como tem provado os Europeus, não foge dessa realidade.
Maceió. Al, 16 de junho de 2016.

sábado, 25 de junho de 2016

UM PROFESSOR QUE CONHECE OS SEUS ALUNOS

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Alguns professores de uma faculdade de engenharia foram convidados a fazer a viagem inaugural de um avião. Depois de sentarem, eles foram informados de que o avião havia sido construído por seus alunos. Todos eles levantaram e correram desesperadamente para fora do avião, levando, no peito, tudo que havia pela frente. Somente um velho professor permaneceu sereno e sentado em seu lugar.
Perguntaram a ele o motivo de tanta calma e ele respondeu:
- Se isso foi construído pelos meus alunos, ele não vai nem dar a partida...