quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

O DIAGNÓSTICO

Texto de Aloisio Guimarães

Luzinete, filha única, uma jovem "palmeirense da gema". E, como acontece em todas as famílias brasileiras, o sonho dos pais dela era que a garota se formasse. Não importava o curso; podia ser qualquer um, desde que não fosse em "Ciências Ocultas", claro. O importante é que ela conseguisse um "canudo".
Mas tinha um grande problema: por mais que seus pais implorassem, a garota "não queria muita coisa com a história do Brasil", ou seja, não gostava de estudar. Mas, apesar disto, por conta e obra do destino, Luzinete conseguiu passar no vestibular de Medicina Veterinária. Seus pais, empolgados com a aprovação da rebenta, patrocinaram uma "bebememoração" gigantesca, com dezenas de convidados, "regada" com bastante comida e bebida. Afinal, eles mereciam, pois a filhinha, amada e mimada, seria agora uma universitária e, logo, logo, uma doutora! É mole?!
Após cinco longos anos, "aos trancos e barrancos", Luzinete conseguiu o tão sonhado (pelos pais) diploma. Outra festança, maior do que a primeira, mas agora com os seus convidados escolhidos à dedo...
O tempo passou... Certo dia, já depois de formada, a "doutora" estava na casa da sua avó - que ficava na Vila Maria - para mais um daqueles tradicionais almoços de família, quando, em determinado instante, apareceu a vizinha da sua avó, toda aflita, querendo falar com a nossa veterinária.
- O que foi? - perguntou Dra. Luzinete à vizinha da sua avó.
- É a minha gata, doutora, que está parindo e já faz um tempão que o filhote "está pendurado" e não sai de vez e nem entra. Deve estar acontecendo algum problema, doutora! Por favor, ajude a minha gatinha, por amor de Deus!
Ouvindo isso, a “doutora” respondeu:
- Ah, minha senhora, se o filhote já está saindo, pode ir embora que a natureza faz o resto...
Instintivamente, todos os presentes se entreolharam, com aquele "olhar interrogativo”...
A gata morreu.

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