sábado, 13 de dezembro de 2014

NÃO ENTENDO, POR QUÊ?

Texto de Alberto Rostand Lanverly
Membro das Academias Maceioense e Alagoana de Letras e do IHGAL

Convivi, em vários momentos, com pessoas maravilhosas das quais, sempre que possível, busquei captar conselhos, de certa forma balizadores de meu comportamento diário. Carlos Machado Pontes de Miranda, certa vez me falou, quando eu ainda engatinhava como professor, no curso de Engenharia Civil, que um homem para ser sério, não precisava viver sério. Sorria sempre, falou-me e as portas se lhe abrirão com mais facilidade. Já Carlos Reinaldo Mendes Gama, meu eterno professor de Estradas e Transportes, nos dias que precederam o concurso público que prestaria para ingressar na docência da UFAL, ao demonstrar-lhe minha preocupação com o certame, me aconselhou dizendo que fizesse sempre muito bem feito tudo aquilo que me competisse, sem temer os resultados.
Contudo, uma das frases mais esclarecedoras de minha caminhada veio de outra pessoa, igualmente muito importante: Eduardo Jorge Silva, genitor de Ana, minha esposa. Estávamos viajando, a celebrar meus quarenta anos de existência. Foi quando ele me alertou sobre um dos maiores mistérios da vida, que é quando, mesmo não entendendo nada, nós continuamos insistindo, sem saber o porquê.
Figuras inesquecíveis esses três conselheiros. Dos dois primeiros absorvi integralmente as orientações. Porém as palavras de meu sogro, a quem sempre considerei um pai, continuam a reverberar em minha consciência pois, cada dia mais confirmo ser o entender tão complexo que extrapola o próprio raciocínio.
Enquanto em alguns momentos, o ato de compreender apresenta limites, como na matemática,  em outros pode não ter fronteiras. Chego a pensar que o bom mesmo é ser inteligente, sem precisar entender. É como ter acessos de loucura, apesar de estar saudável. Eu mesmo sou “louco” pelas pessoas que realmente considero minha família, sem entretanto sentir-me doido.
É quando milhares de fatos afloram à minha mente que me vejo buscando assimilá-los: por quê o Brasil perdeu de sete a um para a Alemanha? Por quê, em minha infância a dupla de sucesso era Tom e Jerry, na juventude Roberto e Erasmo Carlos, e hoje, na maturidade, a moda é falar em “Lava e Jato”, numa alusão direta à maior dilapidação que os cofres nacionais já sofreram, incluído o roubo das pedras preciosas, nos tempos de Tiradentes e do Império.
Por quê, em Maceió, a falta de água foi programada para as vésperas do Natal no período do verão? Por quê, um professor da UFAL, em final de carreira, teria que trabalhar em média nove anos para conseguir juntar um milhão de reais, enquanto um gerente da estatal do petróleo possui depósitos bancários com, no mínimo, oito dígitos?
Por quê? Para várias pessoas, viver é simplesmente estar vivo, enquanto para outras ser feliz é conseguir deitar de bruços, sendo, para uma grande maioria, respirar, trabalhar cumprir suas obrigações enquanto, para alguns poucos, é praticar o mal, assaltando, extorquindo e corrompendo. Por quê?
Uma coisa, porém, é certa. De quando em vez um mosquito canta em meus ouvidos e eu gosto. É quando chego à conclusão de que apreciaria entender um pouco, não demasiadamente, mas apenas o suficiente para saber que não entendo.

2 comentários:

  1. Muito bom!
    E continuamos, vida afora, com o nosso "por quê?", pois é deles que a vida é feita, não é mesmo? Mas há Aquele que nos responde (pelo menos, eu sinto assim): "Porque te amo e te aguardo".

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  2. Geraldo Rodrigues da Costa14 de dezembro de 2014 às 00:09

    Meu amigo uma pergunta que não me cala,: por quê roubar tanto se a vida tão curta? No máximo oito décadas, nem que tivessem sete vidas não conseguiriam gastar os trilhões roubados!

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