domingo, 28 de junho de 2015
sábado, 27 de junho de 2015
CARRO DE BOI: A HISTÓRIA DE UM PASSADO
Texto de Antonio Vendramini Neto
Antonio Vendramini (era o meu avô de
apelido Tonella) nasceu na cidade de Treviso, na Itália em 1882.

Sua família embarcou na oportunidade
aberta aos europeus pelo governo imperial, na pessoa da princesa Isabel, com a
finalidade de, em um futuro bem próximo, substituir a mão-de-obra negra e
também branquear a raça, na ocasião composta por maioria de escravos.
A família e alguns outros imigrantes
foram parar em uma fazenda de café na cidade de Jaú, Estado de São Paulo, mais
precisamente no Distrito de Banharão, onde trabalharam arduamente na colheita
dos grãos que se transformavam na magnífica bebida de fama internacional: o
café.
Naquele solo, considerado por meu avô
como sagrado, tiraram o sustento sob um trabalho duro e muito sofrido, até que,
em um tempo razoável, conseguiram comprar pedaços de terra do fazendeiro e ter
o seu próprio plantio.
O menino Tonella, naquela ocasião, teve
sua atenção despertada para a montagem de um carro de boi que se fazia em um
depósito cujas sacas de café seriam levadas para o embarque nas ferrovias,
puxada pela saudosa “Maria-Fumaça”. Ali ficava horas e horas observando o
trabalho dos carpinteiros. Quando chegava em casa, recebia as reprimendas dos
irmãos porque não ia para a lavoura, mas, como era o mais novo, eles entendiam
e faziam a sua parte.
Ele ficou compenetrado naquela
construção, aprendendo os mecanismos do funcionamento e também a lida com as
parelhas de bois que iam sendo atreladas para o transporte de sacas de café da
colheita. Não demorou muito, foi promovido a “carreiro” que é nome que se dá
para o condutor do conjunto.
Sob muita emoção, ele contava essas
histórias que o menino Toninho (neto) ouvia com muita atenção e fazia inúmeras
perguntas. Dizia que para o carro “cantar” tinha que apertar o eixo e engraxar,
com um pincel, com banha de porco ou azeite que ficava no azeiteiro, dentro de
um chifre de boi, carregado pelo irmão mais velho de apelido “Anduim”, que
Tonella considerava como se fosse um pai.
O “canto” do carro era uma grande
atração; quando entrava na cidade, aglomerava muita gente pela curiosidade de
ver quem estava chegando e ouvir as “novidades”. Mais para a periferia, no
Distrito, o chamado Banharão - terra que me viu nascer - a cantiga ia atraindo
especialmente as moças que corriam para a porta das casas, e os condutores,
Tonella e Anduim, sorriam e acenavam com o chapéu.
E assim, com gritos de “comandos”, os
bois iam à marcha rápida para o destino. Segundo ele, gostava de trabalhar com
boi “malhado”; era mais manso e de fácil aprendizado.
O trabalho de amansar era feito aos
poucos, com uma “canga” no pescoço, para o peso ser puxado por igual, e assim
podia trabalhar por muitos anos, se fosse bem cuidado.
Ele ficava com muita tristeza quando
falava sobre a aposentadoria de um boi.
“Quando o animal já estava velho e
não aguentava mais puxar o carro e outros serviços, tinha que levar para o
curral do matadouro... Dizia também que o velho boi pressentia a proximidade da
morte e até lágrimas corriam dos olhos”.
Outra história que o Velho Tonella
contava muito animado era sobre o namoro com Dona Santa (minha avó).
“Quando a gente passava de proposito
com o carro de boi na rua que ele morava, já estava na janela da casa sorrindo
e acenando, era o sinal de que a gente ia se encontrar”.
O carro de boi foi, para a família
Vendramini daquela época, um marco produtivo de crescimento. Foi o principal
meio de transporte utilizado para movimentar a produção das fazendas e das
cidades. Entretanto, o aparecimento das tropas de burros - do qual meu avô foi
um dos pioneiros em Jaú e, tornou-se muito conhecido por dotá-los de destreza
no trabalho de tração - substituiu com mais velocidade o transporte das sacas
de café, levando-as à estação de trem e de lá, através da Maria-Fumaça, para os
navios no porto de Santos.
Mais adiante, na vida dele, vieram os
cavalos, fazendo a alegria de muitas pessoas com o treinamento que lhes dava
para que se apresentassem em espetáculos rurais, corridas, terreiros e shows
circenses.
Com muita emoção, concluo que o carro de
boi acompanhou as mudanças, o crescimento e o progresso das cidades e das famílias.
Hoje, ele é apenas uma lembrança do passado de uma geração, que vai se
acumulando em nossas memórias e na desse nosso país.
Felizmente, pelo seu valor cultural, o
carro de boi ainda é homenageado em diversos festivais e encontros, onde bravos
remanescentes daquela época se reúnem para contar “causos” desse meio de
transporte rústico e, agora, simbólico do meio rural brasileiro.
sexta-feira, 26 de junho de 2015
PRESENTE DE CASAMENTO
Texto de Aloisio
Guimarães
Outro dia assisti na televisão, uma reportagem sobre festas de casamento. Uma das noivas afirmou que já tinha desconvidado algumas amigas para a festa de casamento porque não tinha gostado do valor dos presentes que elas lhe tinham dado durante o seu “chá de panela”.

Como diz o matuto, "fiquei bege". Foi isso mesmo que vi e ouvi: a noiva disse, na maior cara de pau, que tinha desconvidado "amigas".
- Amigas?!
Que lindo conceito de amizade ela tem.
Depois que terminou a reportagem, fiquei procurando respostas para minhas várias indagações:
- Quer dizer que tem gente esperando “recuperar”, com os presentes, aquilo que gastou na preparação e execução da festa do seu casamento? É isso mesmo, ou estou entendendo errado?!
- E onde fica o prazer da companhia dos amigos, nessas datas significativas?
- Será que a intenção de recuperação do “prejuízo” também acontece com as festas de aniversário?
Depois de ver e ouvir tais declarações, foi que comecei a compreender o porquê de me considerarem doido e/ou besta, porque, nas poucas festas que eu fiz, quando alguém me perguntava que presente levaria, sempre respondi, com sinceridade e seriedade:
- O único presente que quero é a sua presença. Se você me aparecer com algum pacote, não vai entrar na festa.
Para mim, os presentes da minha lista são os meus amigos!
Vou logo avisando:
- Se um dia alguém quiser me convidar, com a intenção de compensar o gasto da festa com presentes, por favor, não me convide; pegue o seu convite e enfie "naquele lugar".
segunda-feira, 22 de junho de 2015
VIVER NOVAMENTE
POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Se eu pudesse viver minha vida novamente, eu iria falar menos e
ouvir mais. Iria convidar os amigos para jantar apesar do carpete sujo e do sofá
desbotado. Eu iria comer mais pipoca na sala de estar e me preocuparia muito
menos com a sujeira. Eu dedicaria tempo para ouvir meu avô contar suas
histórias e nunca mais insistiria em fechar os vidros do carro para não
bagunçar o meu penteado. Eu acenderia aquela vela em formato de rosa antes que
ela derretesse guardada na despensa. Eu sentaria na grama com os meus filhos,
sem me preocupar em manchar a roupa. Eu choraria e riria menos ao ver TV, e
mais ao observar minha própria vida. Eu compartilharia mais das
responsabilidades do meu marido e me deitaria quando não me sentisse bem,
desistindo de achar que o mundo iria parar de girar se eu não fosse trabalhar.
Eu não compraria nada apenas pelo preço ou por ser prático. Ao invés de desejar
que os nove meses passassem rápido, eu iria curti-los em cada momento, sabendo
que alguém maravilhoso estava crescendo dentro de mim e que esta era minha
única chance de auxiliar a Deus em um milagre. Quando meus filhos me beijassem
impetuosamente, eu jamais diria “agora
não”… Haveria mais “eu te amo”, e
mais “me perdoe…” Mas, mais do que
tudo, se eu pudesse viver minha vida novamente, eu aproveitaria cada minuto… Olharia
para ela e realmente a veria. A viveria e nunca a abandonaria.
domingo, 21 de junho de 2015
CADÊ A TRADIÇÃO QUE TINHA AQUI?
Texto de Rubens Mário
PROFESSOR E ADMINISTRADOR DE EMPRESAS
Se aproxima mais uma festa de São João. Acredito que esse é
o período, culturalmente, mais rico e o mais bonito do ano. Outrora, na véspera
de São João - o santo mais festejado - a cidade se transformava, com a maioria
das suas ruas, ainda de terra, toda enfeitada com os motivos juninos e ficando
parecida com uma gostosa província interiorana. Toda a cidade ficava decorada
com bandeirolas coloridas, independente de ser ano de copa do mundo. Naquele
dia especial, quase todas as famílias tinham um ritual a cumprir. Na nossa
casa, por exemplo, na Rua da União, em frente à saudosa praça da faculdade,
como tínhamos um estoque bastante grande de madeira no nosso imenso quintal - o
nosso pai tinha mandado derrubar a casa de taipa e a substituído por outra de
alvenaria - logo cedo já separávamos os paus para a imponente fogueira. Nesse
momento já começávamos a pensar nos fogos que o nosso pai, com certeza, iria
trazer quando saísse da alfaiataria no beco de São José. À tarde, por volta das
16:00h., os moradores varriam o terreiro onde iam ser edificadas as fogueiras;
de todas as casas saiam madeiras
velhas e cada família se esforçava para
fazer a maior e mais bonita fogueira; ao lado delas, muitos fincavam, pés de bananeiras ou
qualquer outra planta às quais
chamávamos de mastro. No cair da tarde todo o trabalho estava concluído
e as ruas se transformavam em lindos arraiás. À noite, para nossa alegria maior,
nosso pai chegava com pacotes de fogos, e nós – eu e meu irmão Robson - abríamos curiosos
para saber o que tinha ali dentro; encontrávamos estalos bebés, traques,
chuvinhas, diabinhos, estrelinhas, espanta coiós, e etc. Para a nossa mãe ele
trazia, rodinhas, foguetes e vulcões. À essas alturas, a minha mãe já tinha
preparado a deliciosa canjica de milho
verde. No meio da noite as fogueiras eram acesas e aí atingíamos o ponto
culminante da grande festa. Os balões, naquela época, inofensivos, eram soltos
sem maldade pelos adultos e enfeitavam o céu já iluminado pelas milhares de
fogueiras. Nós, na nossa inocência infantil, corríamos pelas ruas do Prado com
espelhinhos redondos acompanhando as trajetórias dos balões no céu, até
observarmos as suas quedas, geralmente, na lagoa mundaú. Quando conseguíamos
resgatar as sobras de um balão apagado, levávamos aquilo como um troféu para
mostrar aos mais velhos. Quando, para a tristeza geral, as fogueiras começavam
a virar brasas, era chegada a hora de assar o milho verde ou a batata doce.
Toda essa festa esfuziante era animada pelas lindas músicas do Luiz Gonzaga, da
Marinês e sua gente, do Jackson do pandeiro, da Cremilda, da Carmélia Alves e
tantos outros.
PROFESSOR E ADMINISTRADOR DE EMPRESAS

Hoje, com o advento da perversa globalização, e a abrupta e
cruel transformação da nossa pequenina cidade em uma desengonçada metrópole,
perdemos a nossa sensibilidade e permitimos que invasores ignorantes e insanos
destruíssem a nossa rica cultura. Para que se tenha uma ideia desse crime
hediondo, vou citar um absurdo que fui obrigado a presenciar na véspera de
Santo Antônio na minha saudosa praça da faculdade onde funcionava mais uma
feira camponesa. Naquele dia foi anunciado o último show com a realização de um
bingo cujo prêmio seria um carneiro. Pedi que os meus vizinhos da Rua São
Domingos atrasassem a queima da única fogueira daquela região, e fui, todo
entusiasmado, assistir, junto com nossos irmãos campesinos, a, suposta, apresentação
de um trio de forró pé de serra. Para a minha tristeza e decepção, encontrei lá
um sujeito tocando um órgão e cantando de forma atabalhoada, coisas, naquele
momento, naquele dia e naquele evento, totalmente desrespeitosas e agressivas à
nossa desrespeitada cultura. Imediatamente, me retirei do local a tempo de
acender a nossa fogueira solitária, vê-la queimar, ouvir as músicas da época,
comer nossa canjica, nosso milho assado na brasa, tomar nossa cerveja gelada e,
silenciosamente, perguntar: cadê a nossa tradição que tinha aqui?
quinta-feira, 18 de junho de 2015
PEÇA À MÃE, QUE O FILHO ATENDE...
POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES
- A senhora é evangélica?
Ela respondeu:
- Sim!
Ao ouvir a resposta da
mulher, médico comentou:
- Eu gosto muito dos
cristãos, mas só tem um problema: eles falam muito de Jesus e não falam de
Maria...
Depois de um curto
silêncio, a mulher falou:
- Doutor, posso lhe fazer
uma pergunta?
- Pois não, senhora.
- Se quando eu chegasse
aqui, a secretária me dissesse que você não estava, mas a sua mãe sim; o senhor
achar acha que eu ia querer ser atendida por ela?
- Claro que não! Quem se
formou em Medicina fui eu, não ela.
- Pois é, doutor. Quem
morreu na cruz por mim foi Ele, não ela.
Ao ouvir a resposta da
mulher, o médico fechou o assunto, com “chave de ouro”:
- Mas, se a senhora
chegasse à recepção e encontrasse a minha preciosa mãe e não tivesse mais vaga
ou dinheiro para pagar a consulta e ela me pedisse, eu lhe atenderia e ainda
lhe daria todos os remédios.
segunda-feira, 15 de junho de 2015
Texto de Izabel Nascimento
Esse tal de
"Zap Zap"
É negócio
interessante
Eu que antes
criticava
Hoje treclo à todo
instante
Quase nem durmo ou
almoço
E quem criou esse
troço
Tem uma mente brilhante.
Quem diria que um
dia
Eu pudesse utilizar
Calculadora e
relógio
Câmera de fotografar
Tudo no mesmo
aparelho
Mapa, calendário,
espelho
E telefone celular.
E agora a moda pegou
Pelas "Redes
Sociais"
É no
"Face" ou pelo "Zap"
Que o povo conversa
mais
Talvez não saiba o
motivo
Que esse tal de
aplicativo
É mais lido que os jornais
Eu acho muito
engraçado
Porque muita gente
tem
Um Grupo só pra
Família
Um do Trabalho
também
E até aquele contato
Que só muda de
retrato
Mas não fala com ninguém!
Tem o Grupo da
Escola
O Grupo da Academia
Grupo da
Universidade
O Grupo da Poesia
Tem o Grupo das
Baladas
Das Amigas Mais
Chegadas
E o da Diretoria.
Tem quem mande
Oração
"Bom
dia!", de vez em quando
Que só mande
figurinhas
Quem só fique
reclamando
No Grupos é que é
parada
Dia, noite,
madrugada
Sempre tem alguém teclando.
Cada um que analise
Se é bom ou se é
ruim
Ou se a Tecnologia
É o começo do fim
Talvez um voto
vencido
Porém o Zap tem sido
Até útil para mim.
Eu acho que a
Internet
É uma coisa muito
boa
Tem coisas muito
importantes
Porém muita coisa à
toa
Usar de forma
acertada
Ou, por ela, ser
usada
Vai depender da pessoa.
Comunicação é bom
Vantagens que hoje
se tem
Feliz é quem tem
amigos
Fora das Redes
também
A vida só tem
sentido
Quando o que é
permitido
É aquilo que convém.
Pra quem meu verso
rimado
Acabou de receber
Compartilhe esta
mensagem
Que finaliza a
dizer:
"Viva a vida
intensamente
Porque é
pessoalmente
Que se faz
acontecer!"
domingo, 14 de junho de 2015
CARTA DE MINEIRO, UAI!
POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES
O texto abaixo é uma
carta fictícia de um mineiro ao seu amigo e primo. A criatividade do autor é espantosa, pois as palavras em letras maiúsculas são nomes de cidades do
estado de Minas Gerais.

Prezado amigo
TEÓFILO OTONI,
Nesta VIÇOSA manhã de primavera, de onde se contempla um BELO HORIZONTE, um CAMPO BELO e MONTES CLAROS,
e, ainda, neste ambiente FORMOSO
de nossa terra, quando se pode contemplar também, pela madrugada, a ESTRELA DALVA, escrevo-lhe para
colocá-lo a par dos últimos acontecimentos.
No âmbito familiar, a nossa
prima LEOPOLDINA, ESPERA FELIZ dar a LUZ a seu primeiro filho que, se for homem, se chamará ASTOLFO DUTRA e JANUÁRIA, se mulher. Para cuidar do rebento, ela contará com
abnegação da sua governanta MOEMA.
Mas, enquanto ela aguarda seu bebê, lava roupa tranquilamente nas BICAS existentes em um RIO NOVO, afluente do RIO ACIMA, que passa pelas terras de DONA EUZÉBIA, naquele LARANJAL, perto da CAPELA NOVA, onde, na hora do RECREIO,
a meninada sobe na PONTE NOVA, para
pescar LAMBARI e PIAU e soltar PAPAGAIOS.
A prima NATÉRCIA comprou uma casa na rua ANTONIO DIAS, perto da casa do ANTÔNIO CARLOS. Você já sabia? Orou a
Jesus de NAZARENO em agradecimento,
ajoelhada aos pés da SANTA CRUZ DO
ESCALVADO no alto do MONTE SIÃO,
que fica lá para as bandas da GALILEIA,
às margens do MAR DE ESPANHA.
Lembra-se daquelas pedras
da tia MARIA DA CRUZ que você queria
comprar? Ela resolveu vendê-las, menos a PEDRA
AZUL, porque ela diz ser a mais bonita e valiosa.
Quanto aos aspectos sociais
e religiosos, temos novidades.
Na próxima semana, o CÔNEGO MARINHO, da diocese de VOLTA GRANDE, vai fazer a Festa de SÃO TOMAS DE AQUINO. Se você quiser
aparecer será um grande prazer. A nossa prima VIRGINIA é quem será a responsável pelo evento. Vai ter missa
celebrada pelo reverendo local, CÔNEGO
JOÃO PIO, em honra ao Santíssimo SACRAMENTO.
De manhã, o bispo DOM SILVÉRIO irá
crismar as crianças. Depois haverá um show com o Agnaldo TIMÓTEO e também com as TRÊS
MARIAS. Em seguida, a Banda Musical SANTA
BÁRBARA, sob a regência do maestro BUENO
BRANDÃO, executará o GUARANI, de
Carlos Gomes. Depois o Barão de COROMANDEL
fará a saudação ao aniversariante. A festa era para ser no mês que vem,
mas todas as datas do cantor estavam preenchidas. As primas SERICITA e AZURITA vão fazer a comida. Como prato principal teremos PERDIGÃO e PERDIZES à milanesa e PATOS
DE MINAS ao molho pardo. De sobremesa teremos compota de MANGA, tendo sido escolhida a UBÁ, por ser mais saborosa, pêssego em CALDAS e, ainda, licor de PEQUI.
À noite, haverá um baile no
OLIVEIRA Country Clube, ao som da
orquestra do maestro MATIPÓ, tendo
como principais solistas os renomados músicos IBIRACI ao saxofone e NEPOMUCENO
ao trompete. Será uma boa ocasião para os convidados exercitarem os seus PASSOS ao ritmo de boleros e rumbas.
Mudando de assunto, na
fazenda, fizemos algumas reformas.
O CURRAL DE DENTRO estava com o telhado estragado, com problemas no
madeirame e tivemos que trocar as vigas. Desta vez colocamos CANDEIAS, por ser madeira de muita
durabilidade, todas compradas do CORONEL
XAVIER CHAVES. Com a sobra da madeira ainda reformei a PORTEIRINHA que dá entrada para o quintal. Estou também reformando
a CAPELINHA de SENHORA DE OLIVEIRA,
para comemorar o aniversário de LIMA
DUARTE. Na festa estarão presentes o CORONEL
MURTA, o PRESIDENTE WENCESLAU, o
JOÃO MONLEVADE, o CORONEL FABRICIANO, o CAPITÃO ENÉAS, o BARÃO DE COCAIS, o Barão de BARBACENA,
e várias outras personalidades. Dizem que até o TIRADENTES pretende comparecer. Mas ele ficou meio aborrecido,
porque queria que a festa fosse em SÃO
JOÃO DEL REI. Só não poderá comparecer o VISCONDE DO RIO BRANCO porque ele está em CAMPANHA política. Iremos cobrar um valor simbólico como entrada,
para reverter em benefício dos desabrigados da chuva, mas apenas uma MOEDA de PRATA.
Vou lhe dar outra grande
notícia.
Perto do ENGENHO NOVO, naqueles barrancos cheios
de FORMIGA, um empregado nosso
descobriu MINAS NOVAS de OURO BRANCO, OURO PRETO, ESMERALDAS e
TOPÁZIO, portanto será uma NOVA ERA e uma BOA ESPERANÇA para todos nós. Infelizmente, por causa dessa
riqueza, a violência já começou a aparecer na região. Um homem de TRÊS CORAÇÕES foi morto por um
garimpeiro, usando uma faca de TRÊS
PONTAS, porque ele havia descoberto uma enorme TURMALINA e também uma pedra de RUBIM, de menor tamanho, mas muito valiosa.
Na área do desenvolvimento,
a dona CONCEIÇÃO DO MATO DENTRO,
proprietária da usina açucareira de URUCÂNIA,
quer aumentar a fábrica e incrementar a produção de açúcar, mas para isso
precisará de mais energia elétrica. Assim, tem um projeto de construir uma
usina hidroelétrica aproveitando as quedas d’água da CACHOEIRA DO CAMPO, formada pelo rio PIRANGA, mas o senhor RESENDE
COSTA, que é o chefe do IBAMA na
região, quer embargar a obra, alegando impacto ambiental.
Falarei agora da nossa
justiça.
Chegou um JUIZ DE FORA, chamado EWBANK DA CÂMARA, para ocupar o lugar
de BIAS FORTES, que terminou o seu
mandato. Mas o CONSELHEIRO LAFAYETE,
acompanhado de RAUL SOARES, pediu ao
GOVERNADOR VALADARES para interceder
junto ao PRESIDENTE BERNARDES para
efetivar naquele cargo o SENADOR FIRMINO,
que muito fez por nós. Ele foi DESCOBERTO
ainda novo, tanto que sequer usava sapatos, usava ALPERCATAS, quando estava na companhia do CORONEL PACHECO, na famosa LAGOA
DA PRATA, depois daquela GOIABEIRA
e daquela árvore de JANAÚBA da
fazenda POUSO ALEGRE, onde tem
aquela VARGINHA, às margens do RIBEIRÃO VERMELHO.
Ele se tornou um homem
sério e honesto, sendo de muito valor para a nossa causa.
Quanto à lagoa a que me
referi, dizem que ela contém ÁGUA
BOA, tanto que o Aleijadinho teria se curado dos seus males tomando banho
nela, por isso passou a ser chamada de LAGOA
SANTA. Dizem que um cego também lavou os olhos naquelas águas e voltou a
enxergar, mas ele atribuiu esse milagre a SANTA
LUZIA.
Outro dia encontrei o BETIM, a MARIA DA FÉ e a ALMENARA
nadando nas ÁGUAS FORMOSAS da LAGOA DOURADA, e lhe mandaram
lembranças. A lagoa fica nas terras de PEDRO
LEOPOLDO, onde ainda tem mais SETE
LAGOAS.
Avisam que estarão viajando
para ALÉM PARAÍBA no próximo feriado
de SANTOS DUMONT.
Também lhe mandam um grande
abraço o DIOGO VASCONCELOS e o JACINTO.
Agora, vou lhe contar as
fofocas.
O FRANCISCO SÁ teve um desentendimento com o JOÃO PINHEIRO por causa daquela LAJINHA que faz o SALTO DA
DIVISA das terras dos dois fazendeiros com as terras da MARIANA, às margens do Rio PARACATU, porque dizem que ali tem
muita MALACACHETA.
A coisa andou quente. Um
deles, não sei qual, queria agredir o outro com um MACHADO. Ainda bem que o coronel MATEUS LEME chegou na hora e evitou o PATROCÍNIO de uma morte desnecessária, e, ainda, promoveu uma NOVA UNIÃO dos dois.
Os índios AIMORÉS tentaram invadir a reserva dos
índios MAXACALIS, armados de ARCOS e flechas, por causa daquela
reserva de JEQUITIBÁ existente no PÂNTANO DE SANTA CRUZ, mas, felizmente,
foram contidos pelas tropas da Polícia FLORESTAL
comandadas pelo MAJOR EZEQUIEL,
evitando um massacre sem precedentes. Os presos foram levados para o QUARTEL GERAL.
E tem mais.
O ELÓI MENDES me contou, confidencialmente, que o Dr. CARLOS CHAGAS está de caso com a CONCEIÇÃO DAS ALAGOAS. A CÁSSIA, que é muito linguaruda, contou
para a mulher dele, dona CRISTINA, que, imediatamente queria a separação e iria
mudar-se para DIAMANTINA. Mas a dona
MERCÊS, que é muito benquista por
todos, conseguiu convencê-la a não tomar essa medida EXTREMA, e lhe propôs que aguardasse a chegada do seu primo, MARTINHO CAMPOS, que é um homem de mãos
de FERROS, para ouvir o seu conselho.
Ele achou que seria uma missão muito ESPINOSA,
mas, ainda assim, aceitou o desafio. Sendo ele também um homem ponderado,
sugeriu ao marido que pedisse PERDÕES à
sua esposa, na presença do PADRE PARAÍSO,
e assim foi feito e tudo teve um BONFIM.
Depois desta CONTAGEM dos fatos, damos graças a SENHORA DOS REMÉDIOS, SANTO ANTÔNIO DO AMPARO, SÃO JOÃO NEPOMUCENO, SANTO ANTÔNIO DO GRAMA e SÃO TIAGO, que têm sempre protegido a
nossa família, para que nossas lutas tenham sempre um BOM SUCESSO. UM PASSA TEMPO onde
NASCEU DORPN.
Terminando, receba um forte
abraço do seu primo,
MATIAS BARBOSA,
de ITAJUBÁ.
Assinar:
Postagens (Atom)